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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

RECUPERANDO OS PROVENTOS

Fundo imobiliário alvo de calote dispara 9% na B3 após anunciar alta nos dividendos

A gestora do FII divulgou um informe sobre proventos que mostra que o fundo distribuirá R$ 0,85 por cota na próxima semana

Larissa Vitória
Larissa Vitória
9 de maio de 2023
13:18 - atualizado às 17:13
Miniaturas de casas sobre moedas representando os fundos imobiliários | fundo imobiliário DEVA11 dividendos
Fundos imobiliários - Imagem: Canva

Nos últimos meses, o fundo imobilário Devant Recebíveis Imobiliários (DEVA11) tem sido alvo da desconfiança do mercado e de quedas bruscas na bolsa após tornar-se vítima de calotes de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) presentes em seu portfólio.

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Mas, nesta terça-feira (9), o FII chama a atenção por um motivo diferente: por volta das 13h10, suas cotas saltavam 10,28% na B3, a R$ 53,31, mas encerraram a sessão com ganho um pouco menor, de 8,90%. Por trás da disparada está a notícia de que os dividendos pagos pelo fundo serão maiores neste mês.

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A gestora do DEVA11 divulgou um informe sobre proventos que mostra que o fundo distribuirá R$ 0,85 por cota na próxima semana.

A cifra é cerca de 21,4% superior aos R$ 0,70 pagos em abril, quando o rendimento do fundo foi duramente afetado pelas inadimplências do período. Porém, o valor ainda é inferior aos R$ 0,90 por cota distribuídos em fevereiro, antes da onda de calotes.

O que afeta os dividendos do DEVA11 e outros fundos?

Por falar em inadimplência, uma das maiores responsáveis pela queda no resultado (e nos dividendos) do Devant Recebíveis Imobiliários e de outros FIIs é a Gramado Parks. Três das holdings do grupo imobiliário e de turismo estão em recuperação judicial e blindadas contra a execução de dívidas por enquanto.

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Mas parte dos detentores de CRIs da companhia não está disposta a deixar que todas as empresas do grupo contem com essa proteção. Segundo um comunicado divulgado na semana passada pelo DEVA11, Hectare CE (HCTR11) e Versalhes RI (VSLH11), uma assembleia foi convocada para discutir a inadimplência de títulos ligados às empresas que ainda não recorreram ao socorro judicial.

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Vale relembrar que CRIs possuem garantias, como quotas de empresas e imóveis, que podem ser acionadas em momentos como este. E os detentores dos ativos aprovaram a excussão dessas garantias — termo técnico para a execução judicial.

A assembleia de titulares também deu sinal verde para a exigência da recompra total dos créditos imobiliários e declaração de vencimento antecipado de debêntures, entre outras deliberações.

VEJA TAMBÉM - Enquanto bancos agonizam, o Bitcoin sobe: o ouro digital voltou a brilhar?

Gramado Parks corta ligação com credores

As medidas aprovadas pelos investidores devem ser efetivadas em breve pela Forte Securitizadora (Fortesec), a emissora dos CRIs. Por enquanto, porém, a inadimplência segue afetando o portfólio de DEVA11, HCTR11 e VSLH11 e impedindo que os dividendos voltem ao patamar do início do ano.

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Outros fundos imobiliários possuem CRIs da Gramado Parks no portfólio, mas o caso dos três FIIs chama a atenção do mercado pois eles estavam interligados ao grupo por meio da holding RTSC.

O portfólio da RTSC é formado por diversas empresas do mercado financeiro, incluindo três gestoras — Devant Asset, Hectare e RCAP Asset — responsáveis pelos fundos em questão e a Forte Securitizadora.

A RCAP Asset também fazia a gestão do FII Serra Verde (SRVD11), acionista da Gramado Parks. Essa ligação entre o fundo e a holding RTSC foi cortada na última quarta-feira (3), com a substituição da RCAP Asset pela Catalunya Gestão de Recursos na função.

A troca foi aprovada em assembleia geral extraordinária e a identidade dos investidores que propuseram a mudança não foi divulgada. Mas vale destacar que a família Caliari, fundadora da Gramado Parks, é uma das acionistas do FII e travou uma batalha com a Fortesec nos tribunais pelo controle da companhia antes da oficialização da recuperação judicial.

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