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Foi em fevereiro de 2020 que chegou ao mercado a explosiva carta da gestora de fundos Squadra que apontava para a existência de possíveis inconsistências nos balanços do IRB. Relembre o caso
Um dos maiores casos de destruição de valor da história recente da bolsa acaba de completar dois anos. Nesse período, as ações do IRB Brasil RE (IRBR3) acumulam uma queda impressionante de quase 93% na B3.
E por que a data de dois anos é importante? Porque foi no primeiro pregão de fevereiro de 2020 que chegou ao mercado a explosiva carta da gestora de fundos Squadra.
Com posições vendidas nas ações do IRB, a gestora carioca foi a primeira a apontar a existência de inconsistências contábeis nos balanços da empresa de resseguros.
Na tarde desta sexta-feira, a ação IRBR3 subia 0,68%, cotada a R$ 2,97. Muito distante, contudo, das máximas alcançadas em janeiro de 2020, quando os papéis eram negociados acima de R$ 40.
Até então, o IRB era praticamente uma empresa intocável na bolsa. Sinônimo de sucesso desde a oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) em 2017, a resseguradora vinha de um histórico de lucros crescentes e uma rentabilidade de fazer inveja às maiores empresas globais do ramo.
A Squadra apontou, porém, que esses resultados eram turbinados por itens extraordinários que somaram R$ 1,5 bilhão. Ou seja, os chamados lucros recorrentes eram "significativamente inferiores" aos lucros contábeis reportados pela companhia.
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A divulgação da carta da Squadra provocou a primeira queda forte das ações do IRB. Os executivos da companhia então apareceram em defesa dos números.
Na mesma época, começaram a aparecer na imprensa notícias de que a Berkshire Hathaway, a holding de investimentos do bilionário Warren Buffett, havia aumentando a posição em IRBR3.
A informação fez os papéis recuperarem imediatamente parte das perdas. Só havia um problema: a notícia era falsa. O IRB foi alvo de um vexame internacional depois que a Berkshire veio a público afirmar que nunca teve, não tem e não pretende ter ações da empresa.
A cúpula do IRB caiu logo após o caso Buffett, que ganhou uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi só então que a nova gestão se deparou com o tamanho real do problema.
Cinco meses depois do questionamento da Squadra, a empresa reapresentou os balanços de 2019 e 2018, que mostraram um lucro líquido R$ 670 milhões menor do que o apresentado originalmente.
Nesse meio tempo, o IRB ainda sofreu uma fiscalização especial da Susep depois que o órgão regulador constatou que os ativos garantidores de provisões técnicas estavam abaixo do mínimo regulatório.
Para se enquadrar nas regras da Susep, o IRB precisou passar por uma capitalização de até R$ 2,3 bilhões, que contou com a participação de Itaú e Bradesco, que são sócios importantes da companhia.
Mas pode ser que os bancões sejam obrigados a colocar novamente a mão no bolso. Isso porque desde as fraudes descobertas a partir do alerta da Squadra, o IRB acumula prejuízos sucessivos.
Recentemente o diretor de relações com investidores da companhia, Willy Jordan, afirmou a analistas do Citi que a resseguradora pode precisar de um novo aporte de capital.
A queda avassaladora do IRB pode representar uma oportunidade de compra de uma ação muito barata na B3? Se levarmos em conta as recomendações dos analistas, a resposta é "não".
De sete casas que cobrem dos papéis, nenhuma indica a compra de IRBR3, de acordo com dados do Trademap. Quatro instituições recomendam a manutenção e três analistas indicam a venda das ações.
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