PicPay (PICS) desaba 18% desde o IPO: cilada ou oportunidade de compra? Citi dá o veredito
Gestor explica o que derrubou as ações da fintech após o IPO na Nasdaq, e o banco Citi diz se é hora de se posicionar nos papéis

A estreia do PicPay (PICS) na Nasdaq parece ter sido com o pé esquerdo. Apesar de romper uma seca de quatro anos sem IPOs de empresas brasileiras, o papel recua 18% desde a oferta pública, que aconteceu em 29 de janeiro deste ano. Porém, há quem veja essa queda como uma oportunidade para buscar lucros, como é o caso do Citi.
O banco iniciou a cobertura das ações com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 28, o que representa um potencial lucrativo de 73%.
Segundo os analistas, a empresa negocia com múltiplos atraentes, com preço sobre lucro (P/L) de 10,7x em 2026 e 4,6x para 2027, “o que implica um crescimento significativo dos lucros provenientes de atividades relacionadas a crédito”.
Outra vantagem é sua carteira de crédito. Apesar de relativamente pequena, com uma participação marginal de mercado de pessoas físicas de 0,5%, tem espaço para crescimento.
Ainda segundo os analistas, as métricas continuarão controladas e, combinadas com a alavancagem operacional — ou seja, custos baixos —, sustentarão o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 20% para 2026 e 31% para 2027.
“Nossa tese de investimento pressupõe que o PicPay continue expandindo sua base de clientes no Brasil, ao mesmo tempo em que aumenta a originação de crédito, buscando um mix equilibrado de empréstimos com e sem garantia e aprofundando a penetração em sua base de clientes existente”.
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Ao mesmo tempo, a receita de taxas, que exige baixo investimento em ativos e é proveniente de produtos como serviços transacionais, seguros e investimentos, deve contribuir positivamente para as margens, dizem os analistas.
Por que os papéis PicPay caíram?
Ao todo, a companhia levantou US$ 500 milhões, com o preço saindo no topo da faixa indicativa, que variava de US$ 16 a US$ 19.
O desempenho fraco, inclusive, foi apontado como um dos fatores que levaram o AgiBank a cortar tanto o tamanho do IPO em cerca de 50% quanto a própria faixa indicativa de preço.
Além do mau humor que atingiu empresas de tecnologia no exterior, um gestor ouvido pelo Money Times avalia que o papel não chegou caro ao mercado — desde que o investidor acreditasse na trajetória de lucros.
"A expectativa implícita no preço de mercado era de uma empresa negociando a cerca de 20 vezes o lucro de 2025, caminhando para 12 vezes em 2026 e 7 vezes em 2027. Isso, por si só, não é uma exigência excessiva", afirma.
O problema, segundo ele, está no grau de credibilidade dessa trajetória.
"Em grande medida, ela depende de uma aceleração relevante do crédito, o que traz um risco de execução significativo e, sobretudo, um risco não desprezível de aumento da inadimplência", diz.
PicPay frustrou os investidores do IPO?
Outro ponto levantado pelo gestor diz respeito à base de investidores que entrou no IPO. Muitos foram atraídos por uma tese de ganho rápido, apostando em uma reprecificação que acabou não acontecendo.
Na avaliação dele, a história ressoou especialmente entre investidores de growth — empresas que expandem receitas e lucros muito acima da média do mercado — e de tecnologia, com a narrativa de forte crescimento à frente e potencial de monetização da base de clientes.
"São argumentos sedutores, e muitos acreditavam que, dado o múltiplo implícito de pares globais, a ação poderia se reprecificar rapidamente. Isso não aconteceu. Os investidores que buscavam esse movimento acabaram se frustrando", completa.
O PicPay pretende usar os recursos captados com a entrada dos novos acionistas para capital de giro, despesas operacionais, cumprimento de requisitos regulatórios e para financiar a aquisição da Kovr Seguradora.
Durante a cerimônia de listagem em Nova York, o CEO da companhia, Eduardo Chedid, destacou a trajetória da fintech desde a sua origem como carteira digital até a consolidação como um banco digital completo.
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