‘Experimentem, vocês vão viciar’: mercado de ETFs pode chegar a R$ 1 trilhão no Brasil em alguns anos, dizem gestores
Em painel no BTG Summit, especialistas falam sobre o crescimento dos ETFs no Brasil e as diferenças desses ativos para os demais investimentos

Os fundos de índice (ETFs) estão a todo vapor no Brasil. Em apenas um ano, o volume de recursos sob custódia saltou de R$ 50 bilhões para mais de R$ 100 bilhões. Embora seja uma ascensão significativa, comparado com o tamanho dessa indústria nos Estados Unidos e na Europa, este volume ainda é uma gota d’água.
Mas esse fator está longe de ser desanimador ou irrisório para os executivos do mercado de capitais.
Em painel sobre os ETFs no evento BTG Summit, nesta quarta-feira (25), os especialistas afirmaram que é apenas uma questão de tempo para que os recursos sob custódia de fundos de índice no Brasil cheguem a R$ 1 trilhão.
“Os Estados Unidos atingiram US$ 13 trilhões em ETFs no ano passado. A possibilidade de crescimento no Brasil é exponencial, estamos apenas nos primeiros anos desse mercado. O valor de R$ 500 bilhões deve ser a marca para daqui a três ou quatro anos, mas certamente chegaremos a R$ 1 trilhão”, afirmou Cauê Mançanares, CEO da Investo.
O sentimento geral entre os executivos durante o BTG Summit é de que o mercado de ETFs deixará de ser um nicho para representar uma fatia considerável do sistema financeiro nacional.
Andrés Kikuchi, CIO da Nu Asset, acredita que a classe poderá representar cerca de 10% do mercado total de fundos de investimento no Brasil.
Leia Também
O otimismo é sustentado pela crença de que a profundidade do mercado de capitais brasileiro, com uma regulamentação robusta, pode gerar um "hub" de investimentos na América Latina.
“Nos últimos anos vimos novos gestores, novos produtos e a regulamentação está sendo atualizada agora. É um mercado que veio para ficar e tem potencial para tudo, renda fixa, renda variável, criptomoedas. Tem muito o que desenvolver”, disse Kikuchi.

Cinco motivos para investir em ETFs
Para os especialistas, os ETFs estão muito à frente de outros produtos financeiros em termos de eficiência tributária e de alocação. Eduardo Miquelotti, sócio e gestor de ETFs da BTG Asset, resume essa convicção em cinco pilares:
1 - Eficiência tributária
Nos ETFs de renda variável, a alíquota de imposto de renda é de 15% nas operações comuns, e o investidor tem a responsabilidade operacional de pagar o DARF mensalmente. Trata-se do mesmo sistema de recolhimento de imposto para ações, por exemplo.
Entretanto, é nos ETFs de renda fixa que a eficiência tributária é mais evidente. O imposto é recolhido na fonte pela própria administradora do fundo. No entanto, diferentemente dos fundos de renda fixa e dos títulos em si, os ETFs não têm cobrança de IOF ou de come-cotas.
Além disso, caso o prazo médio de repactuação da carteira seja superior a dois anos, a alíquota de IR é sempre de 15%, independentemente do prazo em que o investidor detiver as cotas do fundo. Em fundos de renda fixa abertos, resgates antes de dois anos de aplicação são tributados a alíquotas maiores do que 15%.
2 - Baixo custo de taxas
Enquanto os fundos tradicionais têm taxa de administração e podem também ter taxa de performance, o ETF tem apenas a taxa de administração. E mesmo essa taxa costuma ter um valor inferior às taxas dos fundos tradicionais.
A taxa de administração de um fundo tradicional costuma variar entre 0,7% e 2% ao ano, enquanto as taxas dos ETFs ficam na faixa de 0,2% a 0,8% ao ano.
3 - Diversificação
Neste quesito, os ETFs não se diferenciam muito dos fundos comuns. Ao comprar um ETF, o investidor compra uma cesta de dezenas ou centenas de ativos financeiros.
Essa diversificação mitiga os riscos de prejuízo para o portfólio de investimentos, além de aumentar a exposição a ativos que de outra forma o investidor possivelmente não conseguiria investir.
4 - Transparência
Na transparência, os ETFs voltam a se diferenciar dos fundos de investimento tradicionais.
Enquanto estes demoram até três meses para divulgar publicamente a composição dos seus portfólios, o gestor de um ETF é obrigado a publicar diariamente os ativos que compõem o índice de referência para o fundo.
Isso permite que o investidor saiba exatamente o que está comprando e onde seu dinheiro está alocado em tempo real.
5 - Liquidez
A liquidez é uma característica mais profunda dos ETFs, que os especialistas trataram ao falar dos formadores de mercado.
O formador de mercado garante sua compra e venda
Uma dúvida comum entre os investidores que se interessam pelos ETFs é se eles conseguirão vender suas cotas caso precisem do dinheiro rapidamente. É aqui que entra a figura crucial do formador de mercado.
Durante o painel do BTG Summit, Rogério Santana, diretor de relacionamento da B3, afirmou que as instituições contratadas para o papel de formadores de mercado estão lá para garantir que “sempre existam ordens de compra e venda na tela”, evitando que o investidor fique "preso" no ativo ou tenha que vender por um preço muito abaixo do justo.
“O papel do formador de mercado é dar liquidez e estabilidade de preço aos ETFs. Quando o investidor entende essa garantia de liquidez, ele sente um conforto muito maior para começar a investir", diz Santana.
Os formadores de mercado são corretoras que atuam diariamente no mercado. Pode ser mais de uma instituição, que atua para que o preço do ETF negociado na bolsa esteja sempre próximo ao valor real dos ativos que estão dentro do fundo, protegendo o investidor de distorções que poderiam causar prejuízo.
É diferente do que acontece com outros fundos, como fundos imobiliários e fiagros, que dependem exclusivamente da oferta e demanda por cotas por parte dos investidores na bolsa.
Santana detalhou a dinâmica dos formadores de mercado no painel do BTG Summit: "os formadores conseguem olhar a liquidez de toda a carteira. Ainda que você tenha pouca oferta de compra ou de venda naquele ETF em determinado dia, eles vão olhar a liquidez da carteira de ativos para manter a precificação", disse.
Ou seja, a liquidez de um ETF é, na verdade, a liquidez das empresas ou títulos que ele carrega. Para o investidor, isso se traduz em segurança: sempre haverá uma porta de saída com um preço adequado.
Por onde começar nos ETFs
No final do painel, os executivos da Investo, Nu Asset e BTG Asset fizeram suas recomendações de ETFs para os investidores.
O CEO da Investo indicou o LFTB11. O ETF investe majoritariamente no Tesouro Selic e tem um pouco de Tesouro IPCA+. Para Mançanares, trata-se de um ótimo ativo para aproveitar os juros altos, mesmo com o corte previsto na Selic, já que a parcela do título de inflação no fundo deve garantir essa valorização.
Para renda variável, Andrés Kikuchi, da Nu Asset, indicou o NDIV11, o primeiro ETF que paga dividendos do Brasil. O CIO destacou que a estrutura do fundo de programar a distribuição de dividendos das empresas de forma que o investidor receba valores mensais é um dos principais diferenciais desse ETF.
Por fim, o gestor da BTG Asset voltou para a renda fixa, mas focada na correção da inflação. A indicação de Miquelotti foi o ETF PACB11, focado em títulos de inflação de vencimentos muito longos (2050, 2055 e 2060).
Atualmente, esses papéis são considerados uma excelente oportunidade diante das altas taxas de juros reais que se somam à correção da inflação. No entanto, não é todo investidor que está disposto a comprar um título que irá vencer em 2050. O ETF facilita essa alocação, na visão de Miquelotti.
Sem indicações para fazer, o diretor da B3 encerrou o painel do BTG Summit recomendando que os investidores “experimentem” os ETFs. “Provavelmente vocês vão viciar, porque o produto abre inúmeras possibilidades de composição de portfólio.”
TOUROS E URSOS #292
Juros altos vieram para ficar? Gestor da XP diz que investidor terá de reaprender a investir em um novo mundo
16 de outubro de 2026 - 12:17TARDE DEMAIS?
Casas Bahia (BHIA3) paga aluguel ao HSLG11, mas segue devendo ao FII; entenda como fica a ação de despejo
16 de outubro de 2026 - 10:38ALOCAÇÃO TÁTICA
Adeus ao CDI fácil: UBS rebaixa renda fixa pós-fixada e vê espaço para a bolsa brasileira saltar até 25%
15 de outubro de 2026 - 18:07TURNAROUND DA CARTEIRA
BC Fund (BRCR11) ganha força na bolsa com dividendos e mudanças no portfólio no radar; entenda os planos do FII
15 de outubro de 2026 - 17:30Conteúdo Empiricus
Opções: Como driblar o principal desafio deste mercado e buscar oportunidades com potencial de multiplicar o capital investido
15 de outubro de 2026 - 14:00MUDANÇAS EM CURSO
Os ETFs estão fazendo com os fundos o que os fundos fizeram com as ações há mais de 20 anos
15 de outubro de 2026 - 12:45TANQUE CHEIO NA BOLSA
Petrobras (PETR4) bate R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez. O que está por trás do novo recorde?
14 de outubro de 2026 - 16:27O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO
FII do agronegócio fecha venda milionária de fazenda e estima impacto positivo de R$ 5,78 por cota
14 de outubro de 2026 - 11:58É HORA DE COMPRAR?
Próxima parada do Ibovespa: 220 mil pontos. A visão dos gestores sobre a bolsa depois do 2º turno das eleições
13 de outubro de 2026 - 18:00O PESO DA INADIMPLÊNCIA
Crise das Casas Bahia (BHIA3) pesa sobre o HSLG11: FII pede despejo após calote, e cotas caem mais de 4%
13 de outubro de 2026 - 13:02SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS