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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

HORA DE COMPRAR?

Mercado Livre (MELI34): ação cai 10% após 4T25, mas isso não significa que a empresa está no caminho errado. O que explica o movimento?

Investimentos para defender liderança pressionam margens e derrubam as ações na Nasdaq, mas bancos veem estratégia acertada e mantêm recomendação de compra, com potencial de alta relevante

Bia Azevedo
Bia Azevedo
25 de fevereiro de 2026
14:38 - atualizado às 14:39
mercado livre meli balanço 3t24 queda ações
Imagem: iStock/coffeekai - Montagem: Giovanna Figueredo

O Mercado Livre (MELI34) não conseguiu escapar da decepção dos investidores depois do balanço do quarto trimestre de 2025, divulgado na noite de ontem (24). Novamente, os impactos dos investimentos que a companhia tem feito para preservar o espaço no Brasil — em especial, a redução do valor mínimo de compra elegível a frete grátis — pesaram sobre os números.

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Por volta das 14h20, as ações recuavam mais de 10% na Nasdaq, a bolsa de Nova York na qual a companhia é listada. No Brasil, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que representam os papéis na B3, acompanhavam o movimento, com queda de magnitude semelhante. Os detalhes do balanço você pode conferir nesta reportagem do Seu Dinheiro.

Segundo o Itaú BBA, a principal explicação para a reação negativa do mercado está na estratégia da empresa de priorizar a defesa da liderança e intensificar os investimentos para sustentar o crescimento, mesmo que isso gere maior pressão sobre a rentabilidade no curto prazo, algo que já vem acontecendo nos últimos trimestres.

Meli segue caminho certo, apesar dos ruídos de curto prazo

No entanto, para o banco, a decisão é acertada e está funcionando. A empresa está fazendo o que precisa ser feito a fim de preservar a liderança no país, diante da competição cada vez mais voraz de players asiáticos e da Amazon.

A prova disso é o salto de 35% nas vendas (GMV) do Brasil entre outubro e dezembro do ano passado, apesar do cenário desafiador.

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"O GMV do Brasil cresceu 32% em reais em 2025, versus uma estimativa de crescimento de mercado de cerca de 20%, o que indica ganho relevante de participação sobre uma base já forte de 2024", escreveram os analistas em relatório.

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O Bradesco BBI também entende que a pressão pontual sobre as margens não altera a leitura construtiva para a tese no longo prazo. Segundo os analistas, apesar do impacto de curto prazo na rentabilidade, a visão estrutural segue positiva, já que o custo do crescimento atual tende a preparar o terreno para a criação de valor sustentável nos próximos anos.

Para a XP Investimentos, o balanço do quarto trimestre mostrou resultados mistos, com forte desempenho de receita, mas Ebit (lucro antes de juros e impostos) abaixo das expectativas devido a maiores despesas de marketing e provisões.

“O crescimento da linha de receita permaneceu sólido, com aceleração no Brasil e no México e desaceleração prevista na Argentina, enquanto a margem Ebit foi pressionada pelos investimentos estratégicos de longo prazo da companhia”, ponderam os analistas.

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A casa aponta que o Mercado Livre apresentou métricas operacionais que reforçam a visão de que a estratégia está no caminho correto, como maior frequência de compra, aumento da retenção de usuários, menores custos de envio, aceleração do crescimento de assinantes MELI+ e níveis recorde de baixa inadimplência.

“Destacamos também que cerca de 2/3 do desvio negativo de Ebit veio de maiores provisões decorrentes da aceleração da carteira de crédito, o que vemos como um efeito negativo de curto prazo, porém sustentado por métricas saudáveis“, diz a XP.

Mercado Livre: o pior já passou? O que fazer com as ações

O Itaú BBA também avalia que a fase mais intensa do ciclo de investimentos já ficou para trás. A leitura se apoia na decisão da companhia de elevar o take rate — a fatia que a plataforma retém sobre cada venda de terceiros no marketplace — ao longo de 2026, movimento que indicaria menor necessidade de subsídios daqui para frente.

Os analistas ressaltam ainda que, apesar de o Ebit (lucro antes de juros e impostos), ter ficado abaixo do esperado, a qualidade operacional do trimestre foi um ponto forte. Além do Brasil, o GMV veio mais robusto no México, o crédito mostrou melhora na margem e a Argentina surpreendeu levemente de forma positiva.

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Assim, a pressão sobre as ações pode configurar uma janela de compra para os papéis. O Itaú BBA manteve recomendação de compra para as ações, com preço-alvo em US$ 2.850, um avanço potencial de quase 50% em relação ao preço de fechamento de ontem. XP e Bradesco BBI também mantém recomendação de compra para os papéis.

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