O Taco voltou: investidores ignoram tarifas de Trump — Ibovespa vai às máximas históricas e Nova York também avança
Medida anunciada por Donald Trump havia provocado forte queda na véspera, mas ações de tecnologia e melhora do humor externo sustentam os mercados

Trump sempre amarela ou Taco como ficou conhecida a expressão pela sigla em inglês voltou a ditar o ritmo de negociação nas bolsas aqui e lá fora. Prova disso é que no dia em que as tarifas dos EUA entraram oficialmente em vigor, o Ibovespa renova máxima histórica ao superar os 191 mil pontos, enquanto Nova York também avança.
A partir desta terça-feira (24) passou a valer uma tarifa adicional de 10% aplicadas pelos norte-americanos sobre importações fora das listas de isenção do governo. A notícia seria péssima se não representasse mais um recuo de Trump.
A alíquota de hoje ficou alinhada ao percentual anunciado inicialmente pelo republicano na sexta-feira (20), mas abaixo dos 15% mencionados pelo próprio chefe da Casa Branca no dia seguinte.
Por volta de 13h40, o Ibovespa subia 1,35%, aos 191.406,10 pontos, uma nova máxima intradia.
Os bancos têm recuperação em bloco na sessão após a correção do dia anterior. Petrobras (PETR4) avança mais de 2% na ON e na PN, mesmo com o sinal negativo do petróleo em Londres e Nova York.
No mercado de câmbio, o dólar à vista recuava 0,44%, a R$ 5,1453, renovando as mínimas da sessão.
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Em Wall Street, o Dow Jones dava um salto de 400 pontos, ou 0,63%, enquanto o S&P 500 subia 0,56% e o Nasdaq, 0,86%.
Em Nova York, a sessão está sendo marcada por uma recuperação das empresas de tecnologia, que passaram por uma venda pesada no dia anterior sob temores de que a inteligência artificial (IA) possa acabar com empresas de software tradicionais.
As ações da ADM avançavam 7% após a Meta anunciar um acordo plurianual com a fabricante de chips. Salesforce e ServiceNow subiam 4% e 2%, respectivamente.
O vaivém das tarifas de Trump
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos EUA decidiu que o presidente não poderia usar uma lei de emergência para aplicar tarifas amplas contra praticamente todos os parceiros comerciais.
Com isso, foram anuladas as chamadas tarifas “recíprocas”, implementadas a partir de abril de 2025, que começaram em 10% e chegaram a níveis mais elevados para alguns países — incluindo uma sobretaxa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros.
No mesmo dia, a Casa Branca anunciou uma nova tarifa global temporária de 10%, dentro dos limites previstos pela legislação comercial de 1974. No sábado (21), Trump afirmou que o percentual subiria para 15%. Apesar disso, a taxa que efetivamente entrou em vigor nesta terça-feira permaneceu em 10%.
A cobrança começou à meia-noite desta terça-feira, simultaneamente à suspensão das tarifas anteriores anuladas pela Suprema Corte, que variavam de 10% a até 50%.
A medida foi adotada com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias a todos os países em casos de déficits considerados “grandes e graves” na balança de pagamentos.
A ordem tarifária cita um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão em bens, déficit em conta corrente próximo de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e a reversão do superávit de renda primária como justificativas para a ação.
A ausência de explicações formais para a manutenção da alíquota menor elevou a incerteza entre empresas e investidores. O Financial Times citou um funcionário da Casa Branca afirmando que a elevação para 15% ainda pode ocorrer posteriormente.
Como as tarifas afetam o Brasil
O Brasil está entre os países atingidos pela nova tarifa global. Na prática, a cobrança funciona como um adicional sobre a tarifa já existente para cada produto: mantém-se a alíquota original e soma-se a taxa temporária de 10%, salvo exceções.
A medida não se aplica a todos os itens. Produtos já sujeitos a tarifas por motivos de segurança nacional seguem regras próprias, enquanto alguns bens considerados estratégicos — incluindo determinados produtos agrícolas e minerais — ficaram de fora.
Apesar da nova sobretaxa, um levantamento da Global Trade Alert indica que o Brasil aparece entre os países com maior redução na tarifa média após a reconfiguração das medidas comerciais norte-americanas, mesmo considerando um eventual aumento para 15%.
Segundo o estudo, a queda estimada para o Brasil seria de 13,6 pontos percentuais na tarifa média em relação ao auge do tarifaço.
O dado sugere que, embora a nova cobrança represente um custo adicional, o nível médio de tarifas sobre produtos brasileiros permanece abaixo do pico observado em 2025, quando parte das exportações chegou a enfrentar alíquotas de até 50%.
*Com informações da Reuters e InfoMoney
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