A favorita entre os frigoríficos: JBS (JBSS32), Minerva (BEEF3) ou MBRF (MBRF3)? BTG diz o que esperar do 4T25 e dá o veredito
Analistas dizem quais são as expectativas para o balanço de cada um dos frigoríficos com os efeitos do mercado chinês, ciclo do frango e estoques

Em meio à temporada de resultados do quarto trimestre de 2025, o BTG Pactual divulgou a prévia para as empresas do setor de frigoríficos, que devem publicar os números ao longo do mês de março. Com JBS (JBSS32), Minerva (BEEF3) e MBRF (BRFS3) no radar, os analistas destacam o que esperar dos efeitos do mercado chinês, ciclo do frango e estoques.
Para a JBS (JBSS32), o período será marcado por menores resultados na Pilgrim’s Pride e melhora para margem da Seara, sustentada pela retomada das importações da China.
Segundo o banco, que recomenda compra apenas para JBS, ainda que os primeiros sinais de uma virada no ciclo do gado nos Estados Unidos possam estar fora de alcance, os indícios relacionados ao frango são mais visíveis.
Na MBRF (MBRF3), a expectativa é de queda na margem em todos os segmentos tanto na comparação anual quanto trimestral, com a sazonalidade positiva na BRF ajudando o número sequencial.
Para Minerva Foods (BEEF3), a projeção é de recuo na receita líquida e no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) frente ao 3T25 — movimento já esperado, uma vez que a companhia monetizou R$ 1,6 bilhão em estoques no terceiro trimestre, gerando um impulso pontual nos resultados.
Minerva e MBRF divulgam resultados no dia 18 de março, enquanto a JBS reporta seus números na semana seguinte, no dia 25.
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Frigoríficos no 4T25
JBS
A JBS deve reportar uma receita de R$ 123 bilhões, avanço de 5% no comparativo anual e estável no trimestral, além de um Ebitda de R$ 8,6 bilhões, 20% menor frente ao mesmo trimestre do ano passado e recuo de 14% contra o 3T25, implicando margem de 7,0% (-2,30 p.p. contra 4T24 e -1,1 p.p. em relação ao 3T25).
Por segmento, o Ebitda deve ser sequencialmente mais fraco em todos os segmentos, exceto Seara, que deve se beneficiar do retorno das exportações de frango para a China e a União Europeia.
Nos Estados Unidos, a rentabilidade de Beef deve permanecer pressionada, com margens levemente menores na comparação trimestral.
As margens de suínos devem permanecer amplamente estáveis, assim como esperamos para a Austrália.
Em Beef Brasil, o banco projeta margens mais fracas sequencialmente, à medida que os spreads de exportação se estreitam devido aos preços mais altos do gado e aos preços médios de exportação mais baixos no trimestre.
Embora esperem resultados mais fracos do que nos trimestres anteriores, o número ainda deve reforçar a resiliência proporcionada pela diversificação da companhia: números fortes em Seara e em Beef Brasil devem ajudar a compensar o momento mais difícil do ciclo de Beef nos Estados Unidos e a forte queda de margem reportada pela Pilgrim’s.
Desde o início do ano, a ação JBSS32 valoriza 8%. Na avaliação do BTG, o papel tem espaço para uma alta de até 32%.
MBRF
Para a MBRF, fruto da fusão entre a Marfrig e a BRF, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla projetam um Ebitda de R$ 3,4 bilhões, queda de 9% em um ano e recuo de 3% contra o trimestre passado, com margem de 8%. O BTG tem recomendação neutra para ação, com preço-alvo de R$ 26.
As margens devem cair em todos os segmentos tanto na comparação anual quanto trimestral, com a sazonalidade positiva na BRF ajudando o número sequencial.
Começando pela BRF, os resultados devem permanecer fortes. Tanto os volumes domésticos quanto de exportação devem continuar apresentando boa tendência, com volumes 7% maiores no comparativo anual.
Embora os preços domésticos devam subir, eles não esperam o mesmo para os internacionais, onde os preços médios devem cair em linha com a indústria.
“Acreditamos que as exportações para China e União Europeia representam uma parcela maior dos resultados da Seara do que da BRF, o que ajuda a explicar as dinâmicas relativas. Além disso, as vendas de fim de ano da BRF aparentemente foram fortes, embora não tão fortes quanto no ano passado”, explicam.
Eles projetam um Ebitda de R$ 2,6 bilhões para a BRF, ligeiramente acima na comparação trimestral, mas com margens um pouco menores (14,7%; -0,6 p.p. t/t), já que os custos unitários devem subir na comparação trimestral.
Para Marfrig, a expectativa é de que a rentabilidade na América do Norte enfraqueça, em linha com os pares, com margem Ebitda de 1,2% e Ebitda de R$ 230 milhões. Na América do Sul, o BTG estima Ebitda de R$ 670 milhões e margem de 10,5%, queda de 0,6 p.p. na comparação trimestral.
Em 2026, o papel MBRF3 registra um desempenho positivo de 2,95% até esta quarta-feira (25).
Minerva
O frigorífico deve reportar um bom trimestre, com volumes fortes em outubro, e embora seja esperada uma desaceleração em novembro e dezembro, os volumes ainda devem ser saudáveis no trimestre como um todo. A recomendação do banco é neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 8,50.
Os preços médios caíram levemente na comparação trimestral, mas permaneceram acima dos níveis do ano passado em dólares.
O BTG estima receita líquida de R$ 14 bilhões no 4T25 (levando o ano de 2025 a R$ 54,7 bilhões) e Ebitda de R$ 1,29 bilhão (margem de 9,2%), com Ebitda anual de R$ 4,9 bilhões.
Apesar disso, o trimestre pode parecer um pouco decepcionante se não for ajustado pelo efeito pontual relacionado aos estoques no 3T25. A Minerva monetizou R$ 1,6 bilhão em estoques no 3T25, um movimento incomum para um frigorífico.
Assumindo a mesma margem desses estoques que a companhia reportou para o trimestre como um todo, isso implicaria receita incremental de aproximadamente R$ 1,8 bilhão e Ebitda incremental de cerca de R$ 160 milhões.
Em base ajustada, a receita líquida do 3T25 teria sido de aproximadamente R$ 13,8 bilhões e o Ebitda de aproximadamente R$ 1,23 bilhão, o que significa que o 4T25 representaria aumento sequencial.
"Acreditamos que o mercado esperava melhora sequencial mesmo considerando essa monetização de estoques, o que pode ajudar a explicar parte do desempenho mais fraco recente da ação".
Na contramão das outras ações de frigoríficos, o ativo BEEF3 recua 1,5% desde o início de 2026.
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