Mercado Livre (MELI34) tem lucro menor no 4T25, mas frete grátis ‘mostra a que veio’ no Brasil; veja os números
A plataforma registrou lucro líquido de US$ 559 milhões, abaixo das expectativas do mercado e 12,5% menor do que o mesmo período de 2024. No entanto, frete gratis impulsionou vendas no Brasil, diante das preocupações do mercado, mas fantasma não foi embora

Diante de investimentos cada vez mais robustos para defender a liderança no Brasil — com destaque para a redução do valor mínimo elegível a frete grátis —, a pergunta que pairava sobre o balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) do Mercado Livre (MELI34): a estratégia está valendo a pena?
A plataforma divulgou os resultados nesta terça-feira (24) e o mercado foi com sede ao pote para saber a reposta. A companhia registrou um lucro líquido 12,5% menor no período, de US$ 559 milhões, abaixo das expectativas de analistas que apontavam para US$587 milhões segundo compilado Lseg.
Mas o real termômetro dos investidores em relação aos resultados da ofensiva do Meli no Brasil está nas vendas. Entre outubro e dezembro do ano passado, a companhia registrou um Volume Bruto de Mercadorias (GMV, na sigla em inglês) 37% maior na comparação anual, de US$ 19,9 bilhões.
Frete grátis: vendas subiram, mas pressão não foi embora
A companhia destacou o papel do Brasil na aceleração das vendas, onde o indicador avançou 35% em câmbio neutro no trimestre, impulsionado pela redução do valor mínimo de compra elegível para frete grátis.
Nos três meses finais de 2025, a Argentina registrou avanço de 42% em câmbio neutro, enquanto o México apresentou crescimento de 35% no mesmo comparativo.
No entanto, junto com as vendas, os investidores também esperavam atentos pelo take rate — isto é, o valor médio que a plataforma retém sobre cada venda realizada por terceiros (3P) dentro do marketplace. Entre outubro e dezembro do ano passado, esse indicador bateu caiu 30 pontos-base (bp) na comparação anual, para 20,5%.
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Essa linha do balanço foi impactada justamente pela nova política de frete, movimento que o mercado já antecipava com preocupação. O efeito foi parcialmente compensado pelo crescimento das receitas de publicidade e de assinaturas do programa de fidelidade.
No ano, o volume de vendas foi de US$ 65 bilhões, alta de 26% em relação a 2024.
Mais destaques do balanço
Nos últimos três meses do ano passado, o Mercado Livre obteve uma receita líquida de US$ 8,8 bilhões, um aumento de 45% na base anual.
O lucro operacional, ou Ebit (lucro antes de juros e impostos), ficou em US$ 889 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 8% ano a ano, com margem de 10,1% — frente os 13,5% nos três meses finais de 2024.
A plataforma argentina de berço e brasileira de coração também encerrou o trimestre com 83 milhões de compradores únicos, salto de 24% ano a ano.
Segundo o Mercado Livre, o dado reforça a leitura de que os investimentos em frete grátis, experiência do usuário e logística estão conseguindo atrair novos consumidores e elevar o engajamento dentro do ecossistema.
Já o Mercado Ads, braço de publicidade da companhia, manteve ritmo acelerado e registrou crescimento de 67% na comparação anual, desconsiderando os efeitos cambiais.
O Mercado Pago
A fintech manteve trajetória de forte expansão no quarto trimestre. A receita líquida somou US$ 3,8 bilhões, alta de 61% neutralizando os efeitos do câmbio, refletindo o avanço da base de usuários e da oferta de crédito.
O número de usuários ativos mensais atingiu cerca de 78 milhões, crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os ativos sob gestão (AUM) avançaram 78%, para US$ 18,8 bilhões.
Já o volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês) alcançou US$ 83,7 bilhões, alta de 42%, indicando maior penetração tanto dentro quanto fora do marketplace, segundo o Meli. A carteira de crédito chegou a US$ 12,5 bilhões, um salto de 90% ano contra ano, com destaque para a carteira de cartões, que cresceu 114% e atingiu US$ 5,7 bilhões.
A inadimplência entre 15 e 90 dias recuou para 4,4%, o menor nível histórico, sinalizando equilíbrio entre crescimento e gestão de risco.
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