O Ibovespa ficou caro demais? Gestores se mostram cautelosos e passam longe de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4); saiba onde eles estão investindo
Relatório do BTG mostra a mudança na percepção dos gestores sobre o Ibovespa de novembro para fevereiro

A essa altura, a entrada massiva de capital estrangeiro na bolsa brasileira deixou de ser novidade: R$ 26 bilhões em um mês, que igualou todo o volume financeiro que os gringos aportaram em 2025. No entanto, essa festa — que fez o Ibovespa disparar 13% em janeiro — acabou com um sabor agridoce para os gestores de fundos brasileiros.
Os estrangeiros escolheram as maiores empresas do país para colocar seus dólares: Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), que disparam 17% e 22,5%, respectivamente. Juntas, as empresas foram responsáveis por 36,7% (4,5 pontos percentuais) da alta do Ibovespa no primeiro mês do ano.
O problema é que a maioria dos fundos locais não acreditava nessas ações. Eles estavam subponderados ou não alocados nos papéis antes do rali dos estrangeiros.
Como resultado, enquanto o índice geral da bolsa brasileira disparava, muitos fundos profissionais ficaram para trás: renderam entre 5 e 7 pontos percentuais abaixo da média do mercado, segundo levantamento do BTG Pactual.
Agora não adianta correr atrás. A percepção dos gestores sobre o Ibovespa piorou, de acordo com o relatório do BTG “Bússola de sentimento do gestor”, que traça um paralelo entre o humor dos especialistas em novembro do ano passado e agora.
Se no final de 2025 apenas 11% dos gestores entrevistados se diziam pessimistas (esperando queda das ações), esse número saltou para 24% em fevereiro. Atualmente, o grupo mais numeroso, 40% dos gestores, se declara neutro em relação às expectativas sobre a bolsa.
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O Ibovespa ficou caro?
Um dos pontos de maior atenção no relatório do BTG é a mudança na percepção sobre o preço das ações.
Quando os especialistas dizem que uma ação está com o "preço justo" ou "sobrevalorizada", eles estão avaliando se o valor atual do papel na bolsa reflete a realidade da empresa ou está caro demais.
Em novembro, quase ninguém achava que o Ibovespa estava caro: apenas 5% dos gestores viam os preços como excessivos.
Agora, após o rali de janeiro, esse sentimento deu um salto: 31% dos profissionais acreditam que as ações estão sobrevalorizadas.
Essa mudança indica que o "desconto" que existia nas ações brasileiras parece ter sido corrigido, segundo a avaliação de uma parcela dos investidores profissionais.
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Quase metade dos entrevistados (49%) agora acredita que o Ibovespa atingiu o seu "valor justo", o que significa que não há mais tanta margem para lucros volumosos baseados apenas em preços baixos.
Até mesmo a expectativa de faixa de pontuação do Ibovespa ao final deste ano já está no nível esperado pela maioria dos gestores.
Nesta terça-feira (24), o principal índice da bolsa negocia a 189 mil pontos, depois de atingir a máxima história dos 190 mil pontos no fechamento de sexta-feira (20), enquanto as expectativas dos gestores se concentram em 180 mil e 200 mil pontos.
Expectativa para o Ibovespa (fevereiro/2026)
| Faixa de pontuação | Percentual de respostas |
|---|---|
| Abaixo de 170.000 pontos | 10% |
| Entre 170.000 e 180.000 pontos | 8% |
| Entre 180.000 e 190.000 pontos | 29% |
| Entre 190.000 e 200.000 pontos | 31% |
| Acima de 200.000 pontos | 22% |
Por conta disso, a empolgação de comprar ações simplesmente porque estão "baratas" foi substituída por uma análise muito mais rigorosa de quais empresas ainda conseguem crescer.
Onde os gestores estão colocando dinheiro?
Compra
Com os preços mais altos, os gestores que responderam ao BTG afirmaram estar mais seletivos. A escolha agora é por ações de setores "defensivos" e do financeiro.
Utilidade pública, como empresas de energia elétrica e saneamento, e bancos são as grandes favoritas, recebendo 32% dos votos de preferência cada uma. O motivo é básico: são setores que pagam bons dividendos e sofrem menos com crises econômicas bruscas.
Entre as ações preferidas para compra (estratégia chamada de long), os nomes que lideram as recomendações são Axia (AXIA3), BTG Pactual (BPAC11)* e Copel (CPLE3).
Essas empresas são vistas como porto seguro em um momento em que o otimismo com o rali estrangeiro começa a dar sinais de cansaço entre os brasileiros.
Os gestores preferem apostar em negócios sólidos e com receitas previsíveis do que continuar perseguindo as altas voláteis das empresas de commodities.
Venda
Por outro lado, existe uma forte resistência ao setor de commodities e varejo.
As ações da Vale e da Petrobras, apesar de terem subido com o dinheiro estrangeiro, continuam sendo as favoritas para a estratégia de venda (conhecida como short) dos gestores. Além delas, a Ambev (ABEV3) também aparece na lista das "menos queridas".
Os investidores locais parecem estar dobrando a aposta de que o rali nessas gigantes foi exagerado e que, cedo ou tarde, os preços devem voltar a cair, permitindo que eles recuperem o prejuízo acumulado no início do ano ao sustentar a posição vendida.
*As respostas dos gestores sobre as ações preferidas para compra e venda foram espontâneas.
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