Acionista da Aliansce vai ao “shopping” da bolsa e compra 5,76% da BR Malls após empresa rejeitar fusão
Fundo canadense CPPIB, que integra o bloco de controle da Aliansce Sonae, agora também é acionista relevante da brMalls

Quem não vem pelo amor vem pela dor? Uma semana depois de a brMalls (BRML3) recusar uma proposta de “fusão de iguais” lançada pela Aliansce Sonae (ALSO3), um dos principais acionistas da empresa de shopping centers decidiu comprar ações da rival na bolsa.
O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), que integra o bloco de controle da Aliansce Sonae, foi direto ao "shopping" da B3 e agora detém uma participação de 5,76% na brMalls.
A notícia, é claro, aumenta a expectativa para os próximos lances que podem levar a uma combinação entre as companhias. Mas quem for atrás de alguma pista no comunicado encaminhado pelo CPPIB sobre a compra das ações pode se decepcionar.
O fundo canadense se limita a informar que a participação tem por objetivo o investimento na brMalls “sem a intenção de alterar sua composição de controle ou sua estrutura administrativa”, o tipo de declaração-padrão redigida por advogados.
Mas é claro que a presença de um dos principais sócios da Aliansce com uma participação relevante no capital da brMalls desperta especulações de que se trata de um movimento estratégico no plano de união entre as companhias.
A brMalls tem hoje como principais acionistas as gestoras Squadra, Velt, Atmos e Capital International, mas nenhuma delas detém individualmente mais de 10% do capital. O CPPIB é o maior acionista individual da Aliansce, com 23% das ações.
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Juntas, Aliansce Sonae e brMalls formariam a maior administradora de shoppings da América Latina, com quase 70 centros de compras e lojistas que faturam R$ 38,5 milhões por ano.
No pregão de hoje, as ações da Aliansce (ALSO3) eram negociadas em queda de 1,46% por volta das 11h50. No mesmo horário, brMalls (BRML3) recuava 2,39%.
[captacao]
Aliansce e brMalls: cantada recusada e insistência
Para quem não acompanhou os capítulos anteriores da aproximação entre as empresas, a Aliansce Sonae começou a flertar com a brMalls no fim do ano passado.
As conversas evoluíram para uma cantada mais "formal" no dia 4 de janeiro, quando a Aliansce enviou uma proposta ao conselho de administração da rival.
A tal "fusão de iguais" previa o pagamento de R$ 1,35 bilhão em dinheiro mais ações da Aliansce aos acionistas da brMalls, que ficariam com 50% da empresa originada pela fusão.
Nas contas da Aliansce, a relação de troca reflete um prêmio de aproximadamente 13% aos acionistas da concorrente.
Mas a cantada não impressionou a brMalls, que negou a oferta logo de cara "por entender que a referida proposta subavalia, consideravelmente, o valor econômico justo" da companhia e do seu portfólio de ativos "e, portanto, não atende aos melhores interesses dos acionistas da brMalls".
A Aliansce, porém, não se fez de rogada e informou que ia insistir na relação. Desde então o mercado aguarda por uma nova proposta, o que ainda não aconteceu.
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