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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Esquenta dos Mercados

Bolsa deve reagir a discurso mais duro do BC contra inflação e ameaça à “regra de ouro”

A ressaca pós Super Quarta deve contaminar os mercados e já está mantendo as bolsas pelo mundo no vermelho

Renan Sousa
Renan Sousa
17 de junho de 2021
8:06 - atualizado às 8:15
gavião voando para presa, representa os Bancos Centrais mais agressivos contra a inflação, o que afeta as bolsas
Política monetária mais dura afeta os mercados hoje - Imagem: Shutterstock

O Banco Central brasileiro deixou a águia mostrar suas garras. Depois da decisão hawkish (mais agressiva, no jargão do mercado) de elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, o BC ainda se mostrou preocupado com a alta da inflação e pode elevar ainda mais a taxa básica de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). 

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De acordo com o comunicado divulgado pelo BC, a Selic pode passar de 4,25% para 5,0% já no próximo encontro do Copom. Especialistas do mercado não descartam que a taxa básica de juros possa chegar a 7,0% até o final do ano, acompanhando a pressão inflacionária.

Além disso, o Fomc, o Copom americano, também anunciou a decisão de manter sua política monetária em linha com o esperado pelo mercado. Em sua coletiva após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a falar que só subiria as taxas a partir de 2023.

A instituição ainda destacou uma piora nos índices inflacionários, o que fez os mercados reagirem mal na tarde de ontem, durante a coletiva de Powell.

Por aqui, o Ibovespa fechou o dia com um recuo de 0,64%, aos 129.259 pontos. O dólar à vista, que chegou a operar abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez no ano, encerrou o pregão com avanço de 0,34%, a R$ 5,060.

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Para a sessão de hoje, a bolsa brasileira deve repercutir a decisão do Banco Central brasileiro. Somado a isso, a votação da Medida Provisória (MP) da Eletrobras também está marcada para hoje, além da participação de Paulo Guedes, Ministro da Economia, em evento da Associação Brasileira de Supermercados.

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Regra de ouro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que autoriza o governo a “contornar” a regra de ouro do Orçamento e ganhar um crédito de R$ 164 bilhões em despesas com pessoal, previdências e outros encargos sociais por meio de títulos de dívida

A chamada regra de ouro é um dispositivo legal que proíbe que as dívidas (ingressos financeiros oriundos de endividamento, como a tomada de crédito) sejam superiores aos investimentos, inversões financeiras e amortização da dívida. Essa é uma forma de garantir a saúde financeira das contas públicas.

Uma quebra da regra de ouro é mal vista pelo mercado, porque colocaria o país, que já está com as contas apertadas, em uma rota ainda pior. 

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Bolsas pelo mundo

Os principais índices asiáticos fecharam o pregão desta quinta-feira (17) de maneira mista, repercutindo a decisão de manutenção da política de ativos do Fed.

Na mesma direção, as bolsas europeias operam majoritariamente em baixa durante a manhã. Além do BC americano, a Europa reflete dados de inflação da Zona do Euro, que superaram as expectativas do BCE. 

Por fim, os futuros de Nova York amargam uma manhã de queda, apontando para uma sessão no vermelho.

Agenda do dia

Confira os principais eventos e indicadores para esta quinta-feira (17)

  • Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa di 1º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) (8h30)
  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio desemprego (9h30)
  • Congresso Nacional: Senado tem sessão para votar Medida Provisória (MP) da Eletrobras (10h)
  • Estados Unidos: Secretária do Tesouro, Janet Yellen, testemunha na Câmara dos Representantes sobre orçamento (11h)

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