Fim da “lua de mel” entre Lira e Guedes e piora em NY cortam fôlego do Ibovespa; dólar sobe
Após as quedas dos últimos dias, a bolsa brasileira busca uma recuperação. No entanto, troca de farpas entre Lira e Guedes mexem com o câmbio

Depois de emplacar três pregões seguidos de queda, puxado principalmente pela tensão política em torno do financiamento de uma nova rodada do auxílio emergencial, o Ibovespa parecia pronto para tentar uma recuperação expressiva nesta quinta-feira (11).
Mas faltou combinar lá em Brasília. Os ruídos políticos voltam a atrapalhar os negócios e, na última hora, limitam os ganhos do índice. Além disso, o clima em Nova York também piorou, repercutindo também por aqui. Por volta das 17h40, o principal índice da bolsa brasileira operava em alta de 0,66%, aos 119.221,85 pontos.
[captacao]
Os últimos dias deixaram as notícias positivas em segundo plano, mas hoje elas ajudaram parcialmente a melhorar o clima dos negócios. A aprovação da autonomia do Banco Central, sem o aceite dos destaques propostos, é uma delas.
Por aqui, temos também a continuidade da temporada de balanços, que segue trazendo números melhores do que o esperado e que hoje deve encontrar um ambiente favorável para repercutir de forma positiva.
Eles estão de volta
No entanto, a preocupação com a retomada do auxílio emergencial segue. Depois de pouco mais de uma semana, a "lua de mel" do novo presidente da Câmara, Arthur Lira, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, parece ter chegado ao fim.
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Ruídos em torno da prorrogação do benefício já vinham pesando nos últimos dias, mas Lira optou por um ataque mais direto. Na noite de ontem, ele defendeu mais uma vez uma excepcionalização do teto de gastos e agora pela manhã cobrou diretamente o ministro Paulo Guedes, lembrando da urgência da pauta do auxílio emergencial.
A retomada do benefício é dada quase como certa após os dados fracos do varejo e do setor de serviços, este último divulgado agora pela manhã. O presidente Jair Bolsonaro também se pronunciou, falando em uma retomada a partir de março, por três ou quatro meses. A incerteza recai sobre a origem dos recursos.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento de serviços registrou leve queda em dezembro, na comparação com novembro, de 0,2%, interrompendo seis meses seguidos de alta.
Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, cobrou responsabilidade dos congressistas, quase em um apelo para que a medida não seja aprovada sem contrapartidas fiscais. Também tivemos declarações que negaram a possível criação de um imposto temporário como forma de viabilizar o benefício.
A situação frustra os investidores que tinham expectativas de "tempos de paz" e uma maior segurança fiscal com a eleição dos candidatos apoiados pelo governo.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tentou aliviar o clima dizendo que será encontrada uma "saída técnica" para a situação, mas a pressão sobre os ativos segue.
Após a fala de Lira, o dólar à vista inverteu o sinal e passou o a subir mais de 0,42% e desde então tem se mantido instável, oscilando entre altas e baixas. Há pouco, a moeda americana avançava 0,51%, a R$ 5,3983. A instabilidade também tem influência do fluxo positivo de entrada de investimentos estrangeiros no país.
O dia também começa com o mercado de juros exibindo uma tendência de queda. Confira as taxas do dia:
- Janeiro/2022: de 3,38% para 3,36%
- Janeiro/2023: de 4,89% para 4,87%
- Janeiro/2025: de 6,41% para 6,39%
- Janeiro/2027: de 7,10% para 7,08%
Raio-X
No exterior, os negócios também perderam a força ao longo da sessão. As bolsas em Wall Street, que operavam em alta desde o início do dia e bateram novas máximas, viraram para queda.
O cenário, no entanto, não teve grandes mudanças. Ainda há a repercussão da possibilidade de manutenção dos estímulos fiscais e monetários no país. Dados nos EUA mostram uma queda no número de pedidos de auxílio desemprego, mas ainda assim o número veio acima do esperado.
Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, declarou que espera que o pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão seja aprovado ainda neste mês.
Na Europa, as bolsas também operam em movimento semelhante, ainda que a zona do euro apresente uma recessão técnica no primeiro trimestre de 2021. A temporada de balanços ajuda o viés positivo dos negócios.
Sobe e desce
A Totvs lidera os ganhos do dia após divulgar o seu balanço do quarto trimestre de 2020. Confira as maiores altas do Ibovespa nesta tarde:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| TOTS3 | Totvs ON | R$ 33,38 | 6,27% |
| TIMS3 | Tim ON | R$ 14,50 | 5,00% |
| BTOW3 | B2W ON | R$ 85,81 | 3,96% |
| CRFB3 | Carrefour Brasil ON | R$ 20,11 | 3,61% |
| NTCO3 | Natura ON | R$ 52,43 | 3,37% |
Com a piora do quadro no Ibovespa, mais empresas passaram a ceder. Confira as principais quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 76,70 | -3,44% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 33,32 | -3,11% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | R$ 23,10 | -2,57% |
| RAIL3 | Rumo ON | R$ 19,66 | -2,33% |
| LCAM3 | Locamérica ON | R$ 26,19 | -2,31% |
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