Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Entrevista

Cruzar a linha da guerra comercial para guerra cambial é muito assustador, diz Volpon do UBS

Para economista-chefe do UBS para o Brasil, Tony Volpon, estamos tendo o azar de ter andado com a agenda doméstica, mas em um momento global muito ruim

Eduardo Campos
Eduardo Campos
6 de agosto de 2019
5:15 - atualizado às 9:44
Tony Volpon
Tony Volpon - Imagem: Divulgação

Na última conversa que tive com Tony Volpon, na turbulenta primeira quinzena de maio, o economista-chefe do UBS para o Brasil tinha comentado que o cenário seria de “game over” para nós se a instabilidade política continuasse naquele patamar e tivéssemos uma crise na China. Deste então, o lado político melhorou. Mas agora estamos vendo um acirramento das tensões entre EUA e China e a moeda chinesa ultrapassando os 7 yuans por dólar, patamar mencionado por ele na conversa de então.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Voltei a procurar Volpon, que nos explica que cruzar essa linha entre a guerra comercial e a guerra cambial é algo muito assustador, como estar em um pântano sem bússola. Ainda de acordo com o economista, demos azar de ter andado com nossa agenda de reformas dentro de um ambiente global muito ruim.

“Se olharmos o passado de outras guerras cambiais, elas nunca acabam bem. Guerras cambiais geram volatilidade em todos os mercados. Não é um evento limitado a tarifas. A questão cambial passa para o mercado de juros, para as bolsas, gerando muita volatilidade. Então, mexeu-se em um vespeiro complicado de controlar”, explica.

Volpon lembra que enquanto as disputas se limitavam a tarifas, os efeitos sobre as projeções de crescimento eram limitados, coisa de 0,2 ou 0,3 ponto percentual de PIB global. Agora, com uma guerra cambial se desenhando, os efeitos podem ser muito maiores e disseminados.

A linha dos 7 e o caminho do pântano

Segundo Volpon, uma forma de interpretar esse rompimento da linha dos 7 yuans por dólar é entender que a China já fez o que poderia fazer em termos de imposição de tarifas aos produtos americanos. O país asiático importa muito menos que exporta aos EUA, então há uma limitação natural ao uso retaliatório das tarifas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Não tinha mais o que a China taxar. Então, uma forma de interpretar o rompimento dos 7 yuans é: olha, não consigo retaliar mais fazendo tarifa, mas tem essa coisinha chamada câmbio, que eu controlo. Então, está aqui, querido”, explica.

Leia Também

Volpon também chama atenção para as declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de fazer intervenções cambiais para desvalorizar o dólar de forma unilateral, algo inédito.

O economista cita um trabalho de seus colegas do UBS de Londres, que avaliaram outros movimentos de desvalorização de moedas por economias desenvolvidas. O que se observou em eventos históricos, como os Acordos do Plaza, de 1985, de desvalorização do dólar, bem como de atuação para estabilizar o iene, em 2011, depois do tsunami, foram ações pontuais e coordenadas.

“Não tem um histórico de um país do tamanho e da importância dos EUA de fazer atuação unilateral no mercado. Estamos entrando em território jamais visto. Trump pode ligar para o Tesouro e ordenar intervenção. Mas como isso será feito? Vão vender dólares e comprar o quê? Vai fazer dólar conta euro, iene? O que os europeus vão fazer? O que o Banco do Japão vai fazer? Você entra em um pântano sem bússola”, exemplifica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Trump e a bolsa

Segundo Volpon, o presidente americano leva a sério a questão do comportamento das bolsas. Então, essa disposição de ficar batendo na China decorria do fato de que a bolsa americana não caia por causa disso. Ela se alavancava na expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), banco central americano.

No entanto, o Fed, como vimos na semana passada, entregou um corte de 0,25 ponto e acenou que não pretendia fazer muito mais.

Como resposta, Trump foi lá e anunciou novas tarifas contra a China, em uma espécie de reação ao Fed.

“Só que agora, a bolsa está no pior dos mundos. Não tem corte de juro pelo Fed e temos esse prenúncio de guerra cambial, que é algo que a bolsa não gostaria de ver de forma alguma”, diz.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para Volpon, Trump faz um jogo destrutivo e muito complicado para o Fed. Se o BC americano reduzir a taxa em função do jogo de Trump, há um risco moral enorme (de justificar ou se dobrar ao presidente). Mas se o Fed não voltar a cortar o juro, a situação pode piorar bastante. A situação do Fed é "impossível".

Além disso, os chineses já sacaram o “bate e assopra” do Trump. Podendo não reagir a eventual distensionamento que o presidente americano venha a fazer. Volpon lembra que a decisão de impor novas tarifas aos chineses foi tomada por Trump à revelia de seus conselheiros, e olha que eles não são amigáveis aos chineses.

Falta de sorte e a Selic

Segundo Volpon, mais uma vez, estamos tendo o azar de ter andado para frente com a agenda doméstica, como a reforma da Previdência, mas em um  momento global muito ruim.

“Então, não conseguimos colher o benefício para a economia de ter andando com essa agenda. Pois uma coisa anula a outra”, avalia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O contraponto é lembrar de 2017. Tínhamos globalmente o exato contrário: um ano excelente para economia global, forte crescimento e Trump não estava brigando com a China.

Naquele momento, tivemos a chance de fazer a reforma da Previdência. Acabamos não fazendo por causa do "evento JBS" (Joesley Day). Mas o mercado melhorou, ainda assim, lembra Volpon, pois o global tende a ser mais potente como força motora dos mercados.

“Mas imagina o que teria sido o crescimento de 2018 e 2019 se em 2017 tivéssemos feito a reforma? Daria aquela arrancada fenomenal. É uma pena. Estamos tendo esse azar.”

Essa maré ruim no lado doméstico pode vir a limitar o que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá entregar em termos de cortes da Selic, que saiu de 6,5% para 6% ao ano na semana passada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Estamos aprovando uma reforma da Previdência relevante e isso dá um pouco de fôlego para o BC continuar a entregar cortes apesar dessa volatilidade. Agora, se o câmbio for para R$ 4 e alguma coisa, acho que o BC, infelizmente, não vai conseguir entregar o orçamento de cortes que o mercado tinha na cabeça. Pois era um orçamento com câmbio a R$ 3,80, R$ 3,70 e até R$ 3,60. Agora, com câmbio a R$ 4,30?” questiona.

No mercado, a mediana do Focus reduziu a previsão de Selic no fim do ano de 5,5% para 5,25%, e já relatamos projeções de até 4,75%. É esse orçamento que entra em dúvida.

“Que bom que o BC acabou fazendo o corte na semana passada. Imagina se temos esse problema dois dias antes da reunião? Agora, temos um tempo até o próximo Copom”, ponderou.

Ainda de acordo com Volpon, tivemos episódio semelhante a esse em maio/junho do ano passado. Quando uma forte crise na Turquia e Argentina se espalhou por emergentes e, por aqui, tivemos a greve dos caminhoneiros. Naquela época, chegamos a ver conversas de que o BC teria de subir a Selic para conter a alta do dólar. Algo prontamente tirado de cena pelo próprio BC.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em tempo: Pouco depois da nossa conversa, na tarde de ontem, os Estados Unidos listou a China como um dos países que manipulam taxa de câmbio. O efeito prático não é grande, mas o aceno político é forte, já que a China não fazia parte dessa lista desde a administração de Bill Clinton (1994). De maneira genérica, o Tesouro americano fala que vai trabalhar junto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para "eliminar vantagens injustas".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
REAÇÃO AO BALANÇO

Grupo Mateus (GMAT3) desaba na bolsa: o que explica a queda de quase 17% em um dia e como ficam os papéis agora?

19 de março de 2026 - 18:01

O desempenho do 4T25 frustrou as expectativas, com queda nas vendas, pressão sobre margens e aumento de despesas, reforçando a leitura de desaceleração operacional

HORA DE INVESTIR?

Lojas Renner (LREN3) pode subir até 50%: mesmo com ‘críticas’ dos investidores, XP cita 4 motivos para a varejista ser a favorita do setor

19 de março de 2026 - 14:31

XP tem recomendação de compra para Lojas Renner (LREN3) com potencial de valorização de até 50%; veja por que a ação é a preferida do varejo

OS PROBLEMAS DE SEMPRE

Hapvida (HAPV3) tem trimestre ainda pior do que a tragédia do 3T25, e futuro CEO reconhece frustração — mas traça plano para virar o jogo

19 de março de 2026 - 12:40

Mais um resultado muito fraco no 4T25, com queda de rentabilidade, queima de caixa e perda de beneficiários, expõe desafios estruturais e leva a companhia a reforçar plano focado em execução, eficiência e preservação de capital

ALÉM DO SOL E DO VENTO

Oportunidade atômica: expansão da energia nuclear no mundo abre janela para o investidor brasileiro — e BTG diz por onde você pode começar

18 de março de 2026 - 18:15

Com retornos acima de 110% desde 2024, os ETFs de energia nuclear superam o S&P 500; demanda por inteligência artificial impulsiona a tese de investimento

COMMODITIES EM ALTA

Petróleo no topo: o ETF que já sobe quase 15% no ano e deixa o Ibovespa para trás

18 de março de 2026 - 14:29

Com uma carteira composta por cerca de 40% em ações de óleo e gás, o ETF acumula uma alta de 14,94% no ano, superando o desempenho do Ibovespa, que avança 11,64% no mesmo período

TOUROS E URSOS #263

O ‘rali mais odiado’ e a escassez de ações: o que esperar do Ibovespa em meio à guerra e às eleições no segundo semestre

18 de março de 2026 - 13:48

Christian Keleti, sócio-fundador e CEO da Alphakey, avalia que o Ibovespa tem espaço para subir mais com o fluxo estrangeiro, mesmo diante do conflito no Irã

AS PREFERIDAS

Com mudanças do governo no MCMV, essas duas construtoras devem se destacar, segundo BBI

18 de março de 2026 - 11:15

Em relatório, o banco destacou que, nesse nicho, Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) são as principais beneficiadas pelas eventuais mudanças no programa governamental

HORA DE ENCHER O CARRINHO

Queda dos papéis do Nubank (ROXO34) é música para os ouvidos do Itaú BBA: por que o banco recomenda investir nas ações do roxinho?

17 de março de 2026 - 19:51

Itaú BBA explica os três fatores que derrubaram as ações do Nubank, mas recomendam aproveitar a queda para se expor aos papéis; entenda

HORA DE COMPRAR

Usiminas (USIM5) está prestes a deslanchar? UBS BB eleva recomendação e vê espaço para alta de quase 40%

17 de março de 2026 - 19:08

Banco vê mudança estrutural no setor com medidas protecionistas e avalia que o mercado ainda não precificou totalmente o potencial de alta da siderúrgica

AÇÃO EM ALTA

Vale a pena investir? Sabesp (SBSP3) aprova R$ 583 milhões em JCP após lucro de quase R$ 2 bilhões no 4º trimestre

17 de março de 2026 - 14:00

Ações da ex-estatal de saneamento sobem após a divulgação do balanço do 4º trimestre, aumento de capital e renda extra para os acionistas

RETORNOS SUSTENTÁVEIS

Carteira ESG: B3 (B3SA3) e Motiva (MOTV3) são as favoritas dos analistas para investir agora e buscar lucros com sustentabilidade

16 de março de 2026 - 14:03

Ações da Motiva podem valorizar mais de 31%, segundo analistas do BTG Pactual; confira as indicações dos bancos e corretoras para buscar ganhos com ações ligadas a ESG

NO RADAR DO INVESTIDOR

Petróleo em alta no mundo e diesel mais caro no Brasil: a semana que pressionou bolsa, dólar e juros

14 de março de 2026 - 12:48

Temores sobre o Estreito de Ormuz, aumento do petróleo e incertezas geopolíticas pressionam ativos; mercado agora aguarda decisão do Copom

GLOBAL MONEY WEEK

B3 oferece aulas gratuitas sobre investimentos e educação financeira; veja como participar

14 de março de 2026 - 9:21

Programação faz parte da Global Money Week e inclui cinco aulas on-line sobre organização financeira, Tesouro Direto, proteção de investimentos e diversificação de carteira

RENDA COM IMÓVEIS

Fundos imobiliários batem recorde de investidores e Ifix está nas máximas históricas: há espaço para mais?

13 de março de 2026 - 19:45

Fundos imobiliários estão descontados e podem gerar retornos atrativos em 2026, mas Itaú BBA indica que é preciso se atentar a indicadores para evitar ciladas; XP também tem visão positiva para a indústria no ano

KIT GEOPOLÍTICO

Petróleo nas alturas: CMDB11, ETF de commodities, ganha força como estratégia de proteção das carteiras

13 de março de 2026 - 16:17

Fundo do BTG listado na B3 reúne empresas brasileiras ligadas a setores como petróleo, mineração e agronegócio, oferecendo exposição diversificada ao ciclo de commodities

REAÇÃO AO BALANÇO

Magalu (MGLU3) passou no ‘teste de fogo da Selic’ enquanto outras sucumbiram, diz Fred Trajano

13 de março de 2026 - 13:39

CEO destaca que Magalu teve lucro em ambiente de juros altos, enquanto analistas veem desempenho misto e pressão no e-commerce

FATIA MAIOR

Vale (VALE3) cancela quase 100 milhões de ações mantidas em tesouraria; entenda a vantagem para o acionista

13 de março de 2026 - 11:15

Quando a companhia decide cancelar as ações em tesouraria, o acionista acaba, proporcionalmente, com uma fatia maior da empresa, uma vez que parte dos papéis não existe mais

O MOTIVO DA QUEDA

Ouro naufraga na tempestade do Oriente Médio. É o fim da linha para o porto seguro dos investidores?

12 de março de 2026 - 16:14

O metal precioso fechou em baixa de 1% e levou com ele a prata, que recuou menos, mas acompanhou o movimento de perdas

MERCADOS

Sem colete à prova de balas, Ibovespa cai mais de 2% e dólar vai às máximas do dia; bolsa sangra com Irã-EUA e fogo amigo do IPCA 

12 de março de 2026 - 12:47

Bolsas ao redor do mundo sentiram os efeitos do novo capítulo do conflito no Oriente Médio, enquanto o barril do Brent voltou a ser cotado aos US$ 100

PEGOU UM SHAPE

Smart Fit (SMFT3) dá salto de 6% na bolsa. Para o BTG, a era fitness pode gerar lucro de 56% aos investidores

11 de março de 2026 - 16:41

A rede teve um salto de quase 20% no lucro líquido recorrente do 4º trimestre de 2025 e planeja abrir até 350 de academias neste ano

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar