Menu
2019-07-23T11:24:42+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Um novo mundo

Selic em 4,75% no fim de 2019 e ao longo de 2020 é a projeção do Bank of America Merrill Lynch

Banco revisou sua estimativa para o ciclo de corte de 1 ponto para 1,75 ponto. Cortes começam no dia 31 com Selic saindo de 6,5% para 6% ao ano

23 de julho de 2019
10:58 - atualizado às 11:24
Copom
Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) - Imagem: Raphael Ribeiro/ BCB

O Bank of America Merrill Lynch divulgou um relatório intitulado “Brasil – Um mundo totalmente novo” no qual estima Selic de 4,75% no fim de 2019 e manutenção nesse patamar ao longo de 2020. Para dar um parâmetro a mediana do mercado captada pelo Focus é de 5,5% neste ano, ante os atuais 6,5%, e juro de 5,75% em 2020.

“Importantes mudanças nos bancos centrais mundiais, progresso concreto na reforma da Previdência, um cenário estrutural benigno para a inflação e decepção com o crescimento devem permitir ao Banco Central reduzir os juros em meio ponto percentual já na reunião deste mês”, diz o relatório.

Até então, a instituição trabalhava com um ciclo de corte da Selic de um ponto percentual. Agora, o prognóstico está em 1,75 ponto. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece no dia 31 de julho.

Também foi revisado para baixo o prognóstico de crescimento da economia, de 1,2% para 0,7% em 2019 e de 2,2% para 1,9% em 2020.

Ainda assim, diz o banco, a visão de longo prazo para o Brasil continua construtiva já que reformas estruturais como Previdência, tributária e autonomia do Banco Central são discutidas pelo Congresso.

“Isso deve reduzir a percepção de risco fiscal no médio prazo, pavimentando o caminho para melhores condições financeiras e crescimento sustentável.”

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Câmbio

Também foi revisada a projeção para a taxa de câmbio, com dólar a R$ 3,70 em 2019 e também 2020, contra R$ 3,80 e 3,90, respectivamente. Menor incerteza doméstica, política monetária internacional mais frouxa e uma esperada emissão de ativos devem elevar o fluxo de dólares no Brasil. Movimento que pode ser acomodado pelo BC via eliminando sua posição em swap cambial.

Para o banco, a aprovação da reforma da Previdência já está precificada largamente na taxa de câmbio atual e seria necessário progresso substancial em outras iniciativas para vermos um novo rali de valorização do real.

O ciclo de corte

Além do corte de meio ponto na semana que vem, a instituição também passou a estimar duas reduções do mesmo tamanho para as reuniões de setembro e outubro do Copom e um ajuste final de 0,25 ponto em dezembro. Selic de 4,75% deve prevalecer ao longo de 2020.

A inflação segue estruturalmente benigna já que as pressões de alta vistas ao longo da primeira metade de 2019 decorrem de fatores exógenos, como fatores climáticos e safras. Além disso, diz o banco, a pressão de administrados refletiu maior preço do petróleo. Mas essas pressões já se dissiparam, a atividade segue fraca e as medidas de núcleo (que capta a tendência da inflação) desaceleraram.

Para o BofAML, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerra o ano em 3,8% (3,9% anteriormente) e repete tal leitura também em 2020.

“O atual impulso monetário é mais fraco que o antecipado e o juros pode cair agora. Além disso, as reformas fiscais que estão sendo discutidas no Congresso devem continuar reduzindo a taxa neutra”, diz o banco.

PIB para baixo

Segundo o banco, os indicadores de atividade continuaram decepcionando e os índices de confiança recuaram para os patamares de meados de 2018.

O que explica esse fraco desempenhos são fatores exógenos e estruturais. O banco cita a crise na Argentina, o colapso da barragem da Vale em Brumadinho, quebras de safra e menor crescimento mundial.

Também impactam o crescimento, o fim dos estímulos para-fiscais, o maior desemprego estrutural, um impulso monetário menor que o previsto e uma recuperação mais lenta nas condições de crédito.

“A economia deve ganhar tração junto com o progresso da agenda de reformas no Congresso, mas essa retomada será gradual, já que as reformas estruturais levam tempo para ter impacto na economia.”

FGTS e crescimento

O banco também tece comentários sobre a esperada liberação de parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), medida que pode injetar cerca de R$ 30 bilhões na economia, algo como 0,4% do PIB, segundo estimativas do próprio governo.

Essa liberação, ainda a ser confirmada, é um “risco de alta” à projeção do banco de aumento de 0,7% do PIB, mas os analistas da instituição avaliam que é preciso, ainda, avaliar o momento da liberação, bem como que fatia dos recursos será utilizada para pagamento de dívidas, o que limita o impacto sobre a economia.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Seu Dinheiro no domingo

Liberais não fazem pacotes

Dentro de mais alguns dias conheceremos o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O resultado será magro e há quem fale em recessão técnica. Na sequência veremos uma nova onda de críticas e demandas na linha: “o governo tem quem fazer alguma coisa! Tem que impulsionar a demanda! Esse BC está errado!”. Sinto desapontar […]

Trilhando caminhos

Jovens precisam ter resiliência e iniciativa, dizem executivos sobre ser um novo empresário

Executivos falam sobre os comportamentos que um jovem ingressante numa grande empresa deve ter para trilhar um caminho profissional de sucesso

Crise partidária

Pedro Simon, ex-governador do RS: ‘existe o risco de o MDB desaparecer’

Em entrevista ao Estadão, o filiado ao MDB desde 1965 diz que seu partido precisa fazer uma “profunda reflexão”

Barrado na embaixada?

Consultoria do Senado diz que indicação de Eduardo Bolsonaro configura nepotismo e senadores se articulam para rejeitar seu nome

Parecer foi embasado no entendimento da Súmula Vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal, que trata sobre nepotismo

Analisando a situação dos hermanos

Crise Argentina, feitiço do tempo

Os grandes desafios econômicos de Maurício Macri também parecem reimpressões de velhos e bem conhecidos problemas argentinos

O HOMEM MAIS RICO

Jeff Bezos: paciência para esperar o lucro da Amazon fez o maior bilionário do mundo

Como o empresário transformou uma pequena livraria online em uma das maiores varejistas do mundo e desbancou Bill Gates da lista da Forbes com uma fortuna estimada em US$ 148 bilhões.

Demissão anunciada

Ministro da Fazenda da Argentina renuncia ao cargo e traz novas turbulências ao mercado internacional

Anúncio foi feito por meio de uma carta enviada a Mauricio Macri em que Nicolás Dujóvne justifica a necessidade de uma renovação na área econômica

Bandeira branca no radar?

EUA devem estender licença da chinesa Huawei para atender clientes do país

Movimento dos EUA pode ser visto como positivo para o fim da guerra comercial com a China já que a companhia foi um dos focos de tensões entre os gigantes

Governador de Minas

‘Governo entra em pautas minúsculas’, avalia Romeu Zema

Em entrevista, governador de MG nega que esteja sendo “tutelado” pelo partido Novo e avaliou que o presidente Jair Bolsonaro deveria “focar em coisas maiores, grandiosas”

Corrida contra o tempo

Tarifa de importação do Mercosul pode cair já em 2020

Com receio de que o grupo político da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner volte ao poder, o governo brasileiro tem pressa

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements