Menu
2019-08-05T17:21:58+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Guerra comercial pega fogo

Dólar fica acima dos 7 yuans e Trump acusa a China de desvalorizar artificialmente a moeda

O dólar ficou acima do nível de sete yuan pela primeira vez em mais de 10 anos. Nesse cenário, o presidente americano, Donald Trump, fez duras acusações à China, aumentando ainda mais a tensão no front da guerra comercial

5 de agosto de 2019
12:00 - atualizado às 17:21
Cédulas de dólar e yuan
Cédulas de dólar e yuan - Imagem: Shutterstock

A guerra comercial entre Estados Unidos e China ganhou mais um episódio nesta segunda-feira (5). A moeda chinesa passou por uma forte desvalorização e, agora, o dólar vale mais de sete yuan, nível que não era rompido há mais de uma década. E o presidente americano, Donald Trump, não gostou nada disso.

Via Twitter, o republicano acusou o governo chinês de estar manipulando artificialmente o câmbio — uma "enorme violação" que, segundo ele, irá culminar num "grande enfraquecimento"da China ao longo do tempo.

"A China derrubou a cotação de sua moeda a um nível muito perto da mínima histórica. Isso se chama 'manipulação cambial'. Está ouvindo, Federal Reserve?", escreveu Trump, aproveitando para cutucar novamente o banco central americano — o presidente mostrou-se insatisfeito com a hesitação do BC local em relação ao corte de juros do país.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Em nota, o Banco Central da China atribui a desvalorização do yuan ante o dólar às medidas "unilaterais e protecionistas" adotadas pelo governo americano, mas sem confirmar oficialmente que o movimento ocorreu em função de uma determinação governamental.

Segundo as autoridades chinesas, o rompimento se deve às forças do mercado. No entanto, é sabido que o governo de Pequim pode interferir diretamente no preço da moeda — e, com o yuan mais fraco, as exportações chinesas tendem a ficar mais baratas, diminuindo o poder de fogo das medidas protecionistas adotadas recentemente por Trump.

Na última quinta-feira (1), o presidente americano anunciou a adoção de tarifas de 10% sobre outros US$ 300 bilhões em importações chinesas a partir do dia 1º de setembro — a medida não inclui os US$ 250 bilhões em produtos do país asiático que já sofrem com taxações de 25% para entrar nos EUA.

Mas, ao menos num primeiro momento, o governo da China não se mostrou abalado pelo anúncio: no fim de semana, a agência oficial de notícias do governo chinês afirmou que o país "nunca se curvará" ao "velho truque de bullying comercial" de Washington.

"Ao desvalorizar sua moeda para o menor nível em 11 anos, o governo chinês faz seus produtos ficarem mais baratos e mais competitivos, pegando em cheio a economia americana", explica Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset. "O stress dos mercados vem dos desdobramentos que essa guerra pode trazer".

Em maio, o economista-chefe do UBS para o Brasil, Tony Volpon, já apontava o acirramento na guerra comercial como um fator de risco importante para os mercados. Em entrevista ao Seu Dinheiro, Volpon alertou que o dólar rondava o nível de 7 yuans na crise chinesa de agosto de 2015 — e que a desvalorização da moeda do país asiático não ajudou o mercado brasileiro.

Mercados tensos

De fato, a segunda-feira é marcada por um enorme clima de cautela que contamina os mercados globais. Em meio à escalada nas tensões entre EUA e China e à incerteza quanto aos possíveis impactos para a economia global, os agentes financeiros adotam uma postura de extrema cautela.

Esse tom defensivo é refletido sobretudo no mercado de câmbio: há um movimento de fuga dos ativos mais arriscados como as divisas de países emergentes e exportadores de commodities. Nesse grupo, estão o peso mexicano, o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso chileno e o real brasileiro.

Por aqui, o dólar à vista operava em forte alta de 1,62% às 15h25, a R$ 3,9551 — na máxima do da, a moeda americana bateu os R$ 3,9621, maior cotação intradiária desde 31 de maio.

Os mercados acionários também são fortemente pressionados. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários caem mais de 2%, o que acaba influenciando o Ibovespa, que recua 2,73%, aos 99.915,95 pontos.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Luz no fim do túnel?

Trump: ‘estamos indo muito bem com a China, e conversando’

Membros da equipe econômica norte-americana afirmam que negociadores das duas maiores economias do mundo irão conversar na próxima semana

Tem que adiar isso daí

Vitorioso nas prévias eleitorais argentinas, Fernández defende renegociação de acordo com o FMI

Alberto Fernández afirmou que o acordo para o pagamento de dívidas junto ao Fundo Monetário Internacional é “impossível de cumprir”

Opinião polêmica

Senadora Simone Tebet: ‘Bolsonaro ainda não vestiu o terno de presidente’

Referindo-se ao presidente, senadora do MDB afirmou “jamais imaginei que pudéssemos chegar onde chegamos”

Na hora de prestar contas

Presidente do Senado briga na Justiça para manter sigilo de gastos parlamentares

Destinadas a cobrir despesas relativas ao exercício do mandato, as cotas variam entre R$ 30 mil e R$ 45 mil, a depender do Estado do congressista

Nem tão hermanos assim

Bolsonaro volta a falar sobre Argentina e diz que país está cada vez mais próximo da Venezuela

Presidente usou sua conta no Twitter para fazer novos comentários sobre o processo sucessório na Argentina

Seu Dinheiro no domingo

Liberais não fazem pacotes

Dentro de mais alguns dias conheceremos o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O resultado será magro e há quem fale em recessão técnica. Na sequência veremos uma nova onda de críticas e demandas na linha: “o governo tem quem fazer alguma coisa! Tem que impulsionar a demanda! Esse BC está errado!”. Sinto desapontar […]

Trilhando caminhos

Jovens precisam ter resiliência e iniciativa, dizem executivos sobre ser um novo empresário

Executivos falam sobre os comportamentos que um jovem ingressante numa grande empresa deve ter para trilhar um caminho profissional de sucesso

Crise partidária

Pedro Simon, ex-governador do RS: ‘existe o risco de o MDB desaparecer’

Em entrevista ao Estadão, o filiado ao MDB desde 1965 diz que seu partido precisa fazer uma “profunda reflexão”

Barrado na embaixada?

Consultoria do Senado diz que indicação de Eduardo Bolsonaro configura nepotismo e senadores se articulam para rejeitar seu nome

Parecer foi embasado no entendimento da Súmula Vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal, que trata sobre nepotismo

Analisando a situação dos hermanos

Crise Argentina, feitiço do tempo

Os grandes desafios econômicos de Maurício Macri também parecem reimpressões de velhos e bem conhecidos problemas argentinos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements