Fed corta juro, mas fala de presidente não agrada e bolsas caem
Redução é a primeira desde a grande crise financeira de 2007/2008. Presidente Jerome Powell fala que ciclo não será longo, pois não enxerga risco de recessão ou severa crise econômica. Em tese boa notícia, mas mercados não gostaram

O Federal Reserve (Fed), banco central americano, cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual para o intervalo de 2% a 2,25% ao ano, ante o range anterior de 2,25% a 2,5%, que perdurava desde o fim do ano passado. A decisão não foi unânime, com dois diretores votando pela manutenção.
No comunicado, o colegiado presidido por Jerome Powell fala que decidiu cortar os juros em função das implicações do cenário global sobre a economia americana em um ambiente sem pressões inflacionárias. O Fed também reafirma que atuará de forma apropriada para sustentar a expansão da economia americana.
A redução veio dentro do esperado pelo mercado e a primeira reação nas bolsas foi negativa. Antes da decisão, os índices operavam próximos da estabilidade, caíram um pouco após a divulgação e aprofundaram queda depois que Powell deixou claro que não se trata de um longo ciclo de cortes de juros. No fim do pregão, o Dow Jones caiu 1,23%, enquanto o Nasdaq recuou 1,19% e o S&P 500 perdeu 1,09%.
Outra forma de enxergar tal postura do Fed é que a economia não está tão fraca como se antecipava (em tese, seria boa notícia). De fato, Powell deixou isso claro, ao dizer que o colegiado não vê a economia em recessão ou forte retração que justifique um longo ciclo de redução. "O que estamos vendo é que é apropriado ajustar a política para uma instância mais acomodativa ao longo do tempo", afirmou.
Por aqui, o Ibovespa, que recuava cerca de 0,70%, passou a cair cerca de 1%, perdendo a linha dos 102 mil pontos, e até fechar com queda de 1,09% aos 101.812 potnos. O dólar, que chegou a cair mais de 1%, fechou com alta de 0,75%, a R$ 3,8199. A decisão e os acenos do Fed também têm reflexos na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que por voltas das 18 horas apresenta sua decisão para a taxa Selic, atualmente fixada em 6,5% ao ano. Há firme divisão no mercado com relação a uma redução de 0,25 ponto ou meio ponto percentual.
Essa é a primeira redução de juros feita pelo Fed desde a crise de 2007/2008 e acontece depois de um período de acenos do BC americano que passou a enxergar riscos à expansão da atividade econômica decorrentes da guerra comercial e ambiente de menor crescimento global. Vetores que podem impactar uma inflação que segue rodando abaixo da meta de 2%.
Leia Também

A decisão foi dividida, com Esther George e Eric Rosengren votando pela estabilidade do juro entre 2,25% e 2,5%. Na reunião passada, o dissidente entre os 10 membros do colegiado do Fed tinha sido James Bullard, votando por redução.
No comunicado, o Fed volta a falar que o mercado de trabalho permanece forte, com crescimento moderado da atividade. Apesar da melhora nos gastos do consumidor, os investimentos têm sido fracos. No lado da inflação, os índices permanecem "baixos".
Corte de segurança
Na entrevista que concede após a decisão, Jerome Powell, disse que o cenário para a economia permanece positivo e que a ação de hoje foi tomada para manter esse quadro. Além disso, o corte de juro também busca acelerar o retorno da inflação à meta de 2%.
Perguntado se o corte de 0,25 ponto será suficiente para atingir os objetivos de crescimento e inflação nas metas. Powell disse que a ação pode ser vista como uma forma de ajustar a política monetária para algo mais acomodativo, garantido proteção contra os riscos de baixa que ameaçam a economia.
Segundo Powell, o colegiado vai monitorar os desdobramento da guerra comercial, menor crescimento mundial e dados domésticos para tomar as próximas decisões.
Powell foi perguntado se o Fed fez um "corte de segurança" na reunião de hoje, tendo em vista que os dados da economia não garantiram, em tese, uma redução imediata. O presidente respondeu que sim, há um pouco dessa visão na atuação, pois há um "gerenciamento de riscos". Mas que o colegiado acredita que as questões globais e comercial estão sim impactando a economia americana.
"Acreditamos que esse é o movimento certo para o momento e que vai atender aos nossos objetivos [garantir proteção contra o risco de baixa da atividade proveniente da guerra comercial e menor crescimento global]", disse.
Novamente perguntado sobre a possível extensão do ciclo de cortes, Powell reafirmou que os próximos passos vão depender dos dados e dos riscos que se apresentam à economia. "A situação que vemos, agora, é que é apropriado ajustar a política para uma instância mais acomodativa."
Perguntado sobre pressões políticas ou se o Fed teria se dobrado aos pedidos de Donald Trump, Powell disse que o colegiado não leva em conta considerações políticas na sua tomada de decisão. “E não fazemos política monetária para provar nossa independência. Temos um mandato e sempre vamos atuar assim e usar nossas ferramentas para isso”, disse.
Novamente questionado sobre o ciclo de cortes Powell foi mais explícito: “Deixa eu ser claro. Eu disse que não é o começo de uma longa série de cortes. Também não disse que é apenas um corte ou qualquer coisa assim. Eu disse que quando pensamos em ciclos de corte, eles duram muito tempo. O comitê não está vendo isso. Você faria isso se visse uma fraqueza econômica real e pensasse que o juro teria de ser cortado muito. Não é isso que estamos vendo. O que estamos vendo é que é apropriado ajustar a política para uma postura mais acomodativa ao longo do tempo. E é assim que estamos olhando para a questão. O que eu disse foi que não é um longo ciclo de corte, referindo-se ao que fazemos quando há uma recessão ou uma crise muito severa. E isso é o que realmente estou descartando”, disse Powell.
Questionado sobre qual seria a postura do Fed diante de uma recessão, que invariavelmente vai ocorrer, Powell disse que "vamos usar todas as nossas ferramentas de forma agressiva" quando isso acontecer.
Demorou, mas não muito, para o presidente Trump dar seu pitaco sobre a decisão: "Como sempre, Powell nos decepcionou". Para o Trump, o que o mercado queria era o início de um longo e agressivo ciclo de corte de juros, que nos manteria alinhados com a China, União Europeia e outros países..."
....As usual, Powell let us down, but at least he is ending quantitative tightening, which shouldn’t have started in the first place - no inflation. We are winning anyway, but I am certainly not getting much help from the Federal Reserve!
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) July 31, 2019
UMA PARCERIA DE TRILHÕES
Ações da Coinbase disparam 22% após corretora firmar parceria para oferecer criptomoedas para maior gestora de ativos do mundo
4 de agosto de 2022 - 12:56MARKET MAKERS
Bitcoin deixa de ser ‘ilha’ e passa a se comportar como mercado tradicional — mas você não deve tratar criptomoedas como ações de tecnologia
3 de agosto de 2022 - 15:47SÓ O AMOR…
Entenda o que são as ‘pontes’ que ligam as blockchains das criptomoedas; elas já perderam US$ 2 bilhões em ataques hackers
3 de agosto de 2022 - 14:35DESVIANDO DO FOGO
Mesmo em dia de hack milionário, bitcoin (BTC) e criptomoedas sobem hoje; depois de ponte do ethereum (ETH), foi a vez da solana (SOL)
3 de agosto de 2022 - 11:36CRIPTO-GUERRA
Em 6 meses de guerra, doações em criptomoedas para Rússia somam US$ 2,2 milhões — mas dinheiro vai para grupos paramilitares; entenda
2 de agosto de 2022 - 15:48EXCLUSIVO
Bitcoin (BTC) na origem: Conheça o primeiro fundo que investe em mineração da principal criptomoeda do mercado
2 de agosto de 2022 - 11:41PONTES DESTRUTÍVEIS
Mais um roubo em criptomoedas: ponte do ethereum (ETH) perde US$ 190 milhões em ataque; porque hacks estão ficando mais frequentes?
2 de agosto de 2022 - 11:39DE OLHO NA BOLSA
Esquenta dos mercados: Bolsas preparam-se para brilhar no último pregão de julho; Ibovespa repercute hoje dados da Vale e Petrobras
29 de julho de 2022 - 8:03ESQUENTA DOS MERCADOS
Somente uma catástrofe desvia o Ibovespa de acumular alta na semana; veja o que pode atrapalhar essa perspectiva
22 de julho de 2022 - 7:24Esquenta dos mercados
Bolsas amanhecem sob pressão do BCE e da renúncia de Draghi na Itália; no Ibovespa, investidores monitoram Petrobras e Vale
21 de julho de 2022 - 7:21DE OLHO NA BOLSA
Esquenta dos mercados: Dirigente do Fed traz alívio aos mercados e bolsas sobem com expectativa por balanços de bancos
15 de julho de 2022 - 7:06DE OLHO NA BOLSA
Esquenta dos mercados: Bolsas internacionais tentam recuperação após corte de juros na China; Ibovespa acompanha reunião de Bolsonaro e Elon Musk
20 de maio de 2022 - 8:11DESTAQUE NEGATIVO DO DIA
Hapvida (HAPV3) decepciona e tomba 17% hoje, mas analistas creem que o pior já passou — e que as ações podem subir mais de 100%
17 de maio de 2022 - 13:29SEU DIA EM CRIPTO
Oscilando nos US$ 30 mil, bitcoin (BTC) mira novos patamares de preço após criar suporte; momento é positivo para comprar criptomoedas
17 de maio de 2022 - 11:49SEU DIA EM CRIPTO
Bitcoin (BTC) permanece abaixo dos US$ 30 mil e mercado de criptomoedas está em estado de pânico com stablecoins; entenda
16 de maio de 2022 - 11:16SEU DIA EM CRIPTO
Terra (LUNA) não acompanha recuperação do bitcoin (BTC) neste domingo; criptomoedas tentam começar semana com pé direito
15 de maio de 2022 - 10:20MERCADOS HOJE
Bolsas no exterior operam em alta com balanços melhores que o esperado; feriado no Brasil mantém mercados fechados
21 de abril de 2022 - 11:54BITCOIN (BTC) HOJE
Em recuperação, bitcoin (BTC) sobe mais de 4% hoje, mas Solana (SOL) é destaque entre criptomoedas e dispara 17% após anúncio do Solana Pay; entenda
1 de fevereiro de 2022 - 11:58BITCOIN (BTC) HOJE
Bitcoin (BTC) cai após um final de semana de recuperação e criptomoedas esperam ‘lei Biden’ esta semana, mas ethereum (ETH) se aproxima de ponto crítico
31 de janeiro de 2022 - 11:46semana em cripto