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Em abril, foi a vez de as debêntures incentivadas de infraestrutura verem abertura de spreads e resgates, num movimento de normalização do crédito privado; onde investir neste mercado agora?

Depois de meses de spreads apertados, o mercado de crédito privado agora passa por uma normalização. Iniciado em março, o processo de abertura dos prêmios de risco — diferença entre as taxas pagas pelos títulos de renda fixa privada e os títulos públicos de prazo e indexador equivalentes — ampliou-se em abril, especialmente no segmento de debêntures de infraestrutura.
A pressão apareceu com força no IDA-IPCA Infra, índice que acompanha as debêntures incentivadas atreladas à inflação. O spread saiu de cerca de +5 pontos-base em março para perto de +45 pontos-base em abril, em uma reprecificação mais intensa desse mercado.
No IDA-DI, que acompanha os títulos indexados ao CDI, o fechamento do mês foi mais estável, ao redor de CDI + 1,58%, praticamente em linha com março. Ainda assim, abril esteve longe de ser um mês tranquilo: ao longo do período, o índice chegou a tocar CDI + 1,71%, mostrando que também houve momentos de maior pressão.
Vale lembrar que, no mercado de crédito privado, quando as taxas prefixadas e atreladas à inflação sobem, os preços dos títulos caem, o que se reflete em desvalorização dos papéis e das cotas dos fundos que neles investem. Em abril, por exemplo, o IDA-IPCA Infra recuou 0,62%.
Na prática, o recado do mercado foi claro: o investidor ficou mais cauteloso e voltou a pedir mais retorno para correr risco no crédito privado. Se, por um lado, isso reflete um ambiente mais seletivo, por outro pode começar a abrir espaço para oportunidades mais atraentes em determinados papéis.
O movimento de abertura, a maior seletividade e o aumento da aversão a risco foi influenciado tanto por eventos de crédito pontuais, como recuperações judiciais e extrajudiciais, quanto por resgates relevantes em fundos de crédito.
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Ainda assim, como o ajuste foi relativamente disseminado entre diferentes setores e perfis de risco, entendo que o principal vetor da abertura dos spreads permaneceu sendo o componente técnico de fluxo. Em outras palavras, o movimento dos recursos para fora deste mercado.
A dinâmica de fluxos permaneceu como um dos principais vetores para o comportamento do mercado ao longo de abril.
A combinação de performance mais pressionada dos fundos de crédito privado contribuiu para um ambiente mais sensível à liquidez e à diferenciação entre emissores.
Abril evidenciou uma recomposição mais clara dos prêmios no segmento de infraestrutura, enquanto o mercado tradicional de debêntures, aquelas que não contam com isenção de imposto de renda, apresentou maior estabilidade no fechamento do mês.
Mesmo assim, a dinâmica de fluxos e a maior aversão a risco devem continuar influenciando o comportamento do mercado de crédito privado nos próximos meses.
O fluxo positivo que levou os spreads a negociarem em patamares historicamente comprimidos agora passa a exercer o efeito contrário, somando-se à piora na percepção de risco sobre o mercado de crédito privado de forma geral.
Esse movimento começa a gerar oportunidades atrativas de alocação em ativos de elevada qualidade de crédito e liquidez, que, em momentos de resgates, costumam ser os primeiros papéis vendidos pelos gestores para pagamento de resgates.
Com isso, observamos uma abertura relevante de spreads mesmo em bons emissores, incluindo companhias de setores resilientes, com serviços essenciais, fundamentos sólidos e estrutura de capital saudável, em alguns casos chegando a até 100 bps de abertura. Comentamos mais sobre essa dinâmica ao longo deste relatório: Atualização do Cenário de Crédito.
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