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CARTEIRA RECOMENDADA

Além do Tesouro Selic e do CDI: recomendações de renda fixa para abril reafirmam atratividade de títulos IPCA+

A guerra no Oriente Médio mexeu com a renda fixa em março; analistas indicam cautela e confiança no longo prazo para investir em meio às incertezas

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Imagem: Freepik/Montagem: Julia Shikota

Nem a renda fixa resistiu à incerteza e à volatilidade do mercado financeiro em março. A guerra no Oriente Médio mudou as projeções econômicas ao redor do mundo. O que se esperava para juros e inflação em todos os países entrou em xeque. Com isso, preços e taxas de títulos de renda fixa passaram por revisões ao longo de todo o mês.

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Somente os investimentos que nunca perdem foram capazes de registrar marcação positiva. Mais especificamente, o Tesouro Selic e pós-fixados atrelados ao CDI.

Acontece que uma carteira de investimentos não se faz só de Tesouro Selic e CDI. Até porque, em meio à guerra e todos os conflitos que ela impõe, o Banco Central do Brasil cortou a taxa Selic em março.

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Foi um corte menor do que o esperado anteriormente, de 0,25 ponto percentual, mas foi feito e levou a Selic para 14,75% ao ano. Com isso, o retorno do Tesouro Selic e dos pós-fixados já diminuiu.

E vai continuar diminuindo, porque o BC já sinalizou que vai manter o ciclo de cortes nos juros.

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Diversificar e investir em outros ativos se faz ainda mais necessário diante de momentos voláteis como o atual. Na carteira recomendada de renda fixa de abril, o Itaú BBA destaca:

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Tesouro Selic continua sendo o porto seguro

Mesmo após um primeiro corte na Selic pelo Banco Central, o título público pós-fixado continua sendo o porto seguro da carteira. A baixa oscilação e alta liquidez do papel serve como um pilar defensivo para atravessar momentos de maior incerteza.

A XP recomenda uma exposição acima da neutra neste momento. Mesmo com a sinalização de corte dos juros pelo BC, as taxas devem se manter acima de 12% ao ano (ou seja, acima de 1% ao mês) por bons meses.

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A indicação da casa é o Tesouro Selic 2029, enquanto o Itaú BBA recomenda o Tesouro Selic 2031.

Tesouro IPCA+ e a oportunidade de longo prazo

A tese para os títulos atrelados à inflação foi reforçada pela volatilidade de março, de acordo com os relatórios dos bancos.

A revisão para cima nas projeções de inflação ao redor do mundo teve dois impactos:

  1. Aumentou a necessidade de proteção do poder de compra, de modo que títulos indexados ao IPCA ganham mais relevância;
  2. Elevou os retornos reais (taxa acima da inflação) que já estavam em patamares históricos, acima de 7% ao ano.

A questão é: renda fixa atrelada à inflação tem muita oscilação de preço, principalmente os títulos com vencimentos mais longos. Em março, todos os papéis Tesouro IPCA+, do Tesouro Direto, registraram queda no preço de mercado.

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Quem consegue segurar o título até o vencimento não tem motivo para se preocupar: a correção da inflação e a taxa são pagas integralmente, nos termos contratados. Porém, papéis longos exigem mais planejamento.

Na hipótese de um imprevisto que exija a venda antecipada, a marcação de preço pode se converter em prejuízo.

A XP sugere uma duração média de cerca de seis anos para capturar os prêmios reais atrativos. Os dois títulos indicados são Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2032 e Tesouro IPCA + 2035.

Já o Itaú BBA também olha para a oportunidade de proteção de patrimônio e aposentadoria, destacando que as taxas atuais estão significativamente acima da média. A recomendação vai para o Tesouro IPCA+ 2032 e o Tesouro IPCA+ 2040.

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Tesouro Prefixado e a falta de consenso

Os prefixados continuam sendo o principal ponto de discordância entre os analistas.

A XP adota uma postura mais arrojada, com exposição acima do neutro. A casa afirma que, apesar da volatilidade nos vencimentos curtos, o prêmio nas taxas atuais é atrativo, principalmente se os cortes na Selic forem consistentes. A recomendação é do Tesouro Prefixado 2031 com juros semestrais.

O Itaú BBA é mais conservador e não incluiu os títulos públicos prefixados em sua seleção de abril. O banco prefere não travar retornos fixos enquanto o cenário de inflação e o ritmo de cortes da Selic pelo Banco Central apresentarem tamanha incerteza.

Seletividade no crédito privado

Após os eventos com pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen e do GPA, o cenário de abril exige maior seletividade no crédito privado.

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Nesse contexto, as instituições financeiras estão priorizando emissores de altíssima qualidade, os chamados high grade, com foco em setores resilientes e receitas protegidas da inflação.

A Energisa Paraíba é um destaque nas recomendações de abril, tendo sido selecionada como uma das principais escolhas do BTG Pactual.

A tese baseia-se no prêmio de retorno atrativo diante de concessões maduras e com prazos alongados. Além disso, a empresa conta com a segurança adicional de fazer parte da holding Energisa, um dos maiores grupos do setor elétrico nacional.

O destaque do BB Investimentos é a Klabin. O banco justifica a escolha pela liderança da companhia no mercado de papéis de embalagem e por sua oferta única de três tipos de celulose. Para o banco, isso confere robustez operacional para atravessar momentos de crise.

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No setor de infraestrutura, a Rumo ganha protagonismo no relatório do Itaú BBA. Os analistas ressaltam o sólido perfil de crédito da companhia e sua conservadora posição de caixa, que é suficiente para cobrir quase integralmente suas dívidas dos próximos cinco anos.

Todos esses ativos compartilham a vantagem da isenção de imposto de renda para pessoas físicas. Contudo, é sempre importante lembrar que títulos de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, não contam com o seguro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Esses papéis dependem exclusivamente da capacidade de pagamento e da solidez financeira das empresas que emitiram as dívidas.

Veja a carteira de renda fixa de cada instituição para abril:

Itaú BBA 

Título Retorno Vencimento Rating local 
Tesouro Selic 2031 SELIC + 0,0872% 01/03/2031 – 
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 7,65% 15/08/2032 – 
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,23% 15/08/2040 – 
DEB Rumo Malha Paulista (GASC23) IPCA + 7,9% 15/10/2033 AAA 
DEB Cosern (CSRNA3) 12,75% a.a. 15/11/2032 AAA 
CRI JHSF (24J2539865) IPCA + 8,4% 16/10/2034 – 
CRI Brasil Terrenos (25H0243071) 14,7% 16/08/2032 AA+ 
CRI Multiplan (25I0014209) 97% do CDI 19/09/2035 AAA 
CRI Construtora Pacaembu (25L2398303) 102% do CDI 28/12/2032 AAA 
CRA Neomille (CRA025008C1) 14,7% 15/12/2032 AA 
Retorno indicado pelo Itaú em relatório.   
Fonte: Itaú BBA. 
  

 BTG Pactual 

Título RetornoVencimento Rating Local 
DEB Energisa Paraíba (SAELB7)* IPCA + 7,03% 15/10/2040 AAA 
DEB MetrôRio (MGPRA0) IPCA + 7,94% 15/03/2042 AAA 
DEB Rialma Energia (RALM11) IPCA + 7,59% 15/12/2046 AAA 
DEB Vero (VERO15)* 14,83% a.a. 15/07/2032 A+ 
CRA Eldorado Celulose (CRA0250080X) IPCA + 8,09% 17/09/2035 AA+ 
CRA 3tentos (CRA025008N8)* 103% do CDI 15/10/2030 AA 
CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) CDI + 0,65% 22/09/2033 AA 
CRA Eldorado (CRA025007KK) 14,06% a.a. 15/09/2032 AA+ 
(*) Título para investidor qualificado. 
Retorno verificado no aplicativo do BTG em 09/04/2026.   
Fonte: BTG Pactual. 

XP Investimentos 

TítuloRetorno Vencimento Rating local/ Perspectiva 
Tesouro Selic 2029 Selic + 0,01% 01/03/2029 – 
Tesouro IPCA + 2032 com Juros Semestrais IPCA + 7,30% 15/08/2032 – 
Tesouro Prefixado 2031 com Juros Semestrais 13,51% 01/01/2031 – 
Tesouro IPCA + 2035 IPCA + 7,03% 15/05/2035 – 
CDB BMG IPCA + 8,51% 24/03/2029 A/ Positiva 
CDB Banco C6 14,6% 24/03/2030 AA-/ Estável 
LCA Banco Original 91% do CDI  24/03/2028 BBB+/ Positiva 
DEB Eletrobras/Axia (ELET14) IPCA + 6,60% 15/09/2034 AAA/ Estável  
DEB ER Ativo J&F (VERTL6)* CDI + 1,75% 21/02/2028 AAA 
CRI SuccessPar/Assaí (25L3723350)* IPCA + 8,85% 17/12/2040 AAA 
Retorno indicado pela XP em relatório.   
(*) Título para investidor qualificado.   
Fonte: XP Research.   

BB Investimentos 

Título Vencimento Rating local 
DEB Coelba (CEEBB7) 15/11/2033 AAA 
DEB Celpe (CEPEB7) 15/08/2040 AAA 
DEB Equatorial Maranhão (EQMAA2) 15/09/2036 AAA 
DEB Equatorial Goiás (CGOSB0) 15/08/2037 AA+ 
DEB Klabin (KLBNA5) 15/08/2039 AAA 
DEB Sabesp (SBSPF3) 15/01/2040 AAA 
DEB Vale (VALED1) 15/05/2037 AAA 
Fonte: BB Investimentos.

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31 de março de 2026 - 19:40
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