Tesouro Selic e CDI: só ganharam em março os investimentos que nunca perdem
Bitcoin e dólar também fecharam o mês no azul, mas com um caminho bem mais tortuoso do que o rentismo garantido de um juro em 15% ao ano

Nada como contar com um juro que paga 1,23% ao mês para deixar o dinheiro lá, parado, enquanto o mundo inteiro pega fogo. Em momentos de alta volatilidade e aversão ao risco como o atual, o CDI e o Tesouro Selic dão provas de como são um refúgio bastante rentável.
Neste março para se esquecer, a classe de ativos que ganhou foi a que perdeu menos.
Não se salvou Ibovespa, Tesouro Direto, crédito privado. Todos sangraram — alguns mais do que outros, mas todos saem deste mês com cicatrizes.
O dólar e o bitcoin (BTC) conseguiram fechar no azul. A criptomoeda até registrou um resultado bastante positivo, de 5% de retorno no mês — bem mais do que o 1,37% de ganho do dólar frente ao real em março.
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Mas essa é uma vitória difícil de enaltecer, já que o caminho para esse resultado foi bastante tortuoso e quase não aconteceu. Na última semana, por exemplo, o bitcoin perdeu 2% de valor.
Da renda fixa às ações, março não poupou nada
Renda fixa no vermelho
Tirando o Tesouro Selic, nenhum título público do Tesouro Direto conseguiu marcar positivo neste mês para contar a história. O melhor saldo foi o –0,79% do Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037. Daí para a frente os retornos só pioraram, chegando nos –6,49% do Tesouro IPCA + 2050.
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Tanto os títulos indexados à inflação quanto os títulos prefixados sofreram muito com a marcação negativa de preços. O índice IDA – Geral, que acompanha as debêntures (crédito privado de empresas), passou pela mesma situação e fechou 0,71% no negativo neste mês.
- A rentabilidade apresentada no ranking do Seu Dinheiro corresponde ao retorno com a variação do preço dos títulos de renda fixa. Taxas e preços têm correlação negativa, de modo que, quando as taxas sobem, os preços caem — e o inverso também é verdadeiro.
O conflito no Oriente Médio está mexendo todos os dias com as expectativas de inflação e juros no Brasil e no mundo — e esses dois indicadores são cruciais para a precificação dos títulos de renda fixa.
Um título prefixado ou indexado a inflação depende da expectativa de juros e inflação no momento do seu vencimento para sua precificação. Se todos os dias essa expectativa muda, a renda fixa experimenta uma volatilidade mais intensa do que o habitual.
Até fevereiro essa volatilidade passava despercebida porque estava resultando saldos positivos. As expectativas de inflação e juros para o futuro estavam caindo. O Tesouro IPCA + 2050, por exemplo, em dois meses registrou um retorno de 5,07% na valorização do preço.
Então veio a guerra, que mudou as expectativas e virou a rentabilidade do título para o negativo: -6,49% somente em fevereiro. No ano, o retorno zerou.
- No entanto, vale o lembrete: todas essas oscilações acontecem na marcação de preço e taxa dos títulos públicos. Para o investidor que levar os papéis até o vencimento, a taxa contratada na compra será paga integralmente, como se o preço e a taxa nunca tivessem mudado no meio do caminho.
Confira o ranking de investimentos em março
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|
| Bitcoin | 5,22% | -26,82% |
| Dólar PTAX | 1,37% | -5,13% |
| Tesouro Selic 2031 | 1,23% | 3,51% |
| CDI* | 1,10% | 3,41% |
| Dólar à vista | 0,87% | -5,65% |
| Poupança** | 0,67% | 2,03% |
| Ibovespa | -0,70% | 16,35% |
| IDA - Geral* | -0,71% | 2,01% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2037*** | -0,79% | - |
| IFIX | -1,06% | 2,52% |
| Tesouro IPCA+ 2032*** | -1,09% | - |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 | -2,06% | 1,05% |
| Tesouro Prefixado 2029 | -2,43% | 1,23% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -2,50% | 0,73% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 | -2,68% | 1,08% |
| Tesouro Prefixado c/ JS 2037*** | -3,03% | - |
| Tesouro Prefixado 2032 | -3,82% | 0,82% |
| Tesouro IPCA+ 2050 | -6,49% | 0,06% |
| Ouro (GOLD11) | -10,03% | 2,10% |
(**) Poupança com aniversário no dia 27.
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc..
Ibovespa e dólar comportados
Enquanto a renda fixa sofreu com a volatilidade, as ações, tão acostumadas com o sobe-e-desce, se comportaram razoavelmente bem às incertezas da guerra.
Não que o Ibovespa não tenha tido dias de luta e dias de glória ao longo do mês, mas a percepção dos gestores e analistas é de que o principal índice de ações do Brasil está se mostrando bastante resiliente.
Nesta terça-feira (31), o Ibovespa subiu 2,71% e fechou aos 187.461,84 pontos. Com isso, o saldo do mês ficou 0,7% negativo — muito melhor que a maior parte dos ativos de renda fixa.
A avaliação é que o Brasil está bem-posicionado para minimizar os impactos da guerra no Oriente Médio. O país é exportador líquido de petróleo, está com a taxa de juros nas alturas e fisicamente bastante distante do conflito.
De um lado, os juros altos devem ajudar a refrear o impulso inflacionário, enquanto continua atraindo investidores estrangeiros pela alta rentabilidade. Do outro, a exportação de petróleo deve aumentar a arrecadação do governo e compensar os subsídios aos combustíveis.
Não se trata de uma conta com resultado zero, claro. Mas o que prevalece é a leitura de impactos minimizados diante de um cenário cada vez mais incerto, com mudanças diárias.
O câmbio, que também tem se mostrado comportado, reforça essa análise. O dólar, que há um ano estava em R$ 6, diante de todos os percalços de 2026 até aqui se mantém na faixa dos R$ 5,20.
Nesta terça-feira (31), a moeda norte-americana caiu 1,32%, para R$ 5,178. Com isso, registrou um saldo positivo de 0,87% no mês, mas mantém a balança negativa no ano: -5,65%.
Ouro na lanterna
Diante de tanta incerteza e volatilidade, era de se esperar que o ouro fosse brilhar em março. Mas não aconteceu.
O metal precioso teve a pior performance entre todos os ativos acompanhados pelo Seu Dinheiro. O saldo negativo no mês foi de 10%, considerando o principal ETF do metal precioso negociado na B3, o GOLD11.
Há alguns motivos, de acordo com agentes financeiros. O primeiro é a força da valorização dos meses anteriores. O ouro disparou 65% no ano passado e manteve esse desempenho positivo até o mês passado.
Para muitos analistas, o preço do metal precioso “esticou” demais e era natural esperar alguma correção e realização de lucros.
Além disso, há uma percepção geral no mercado financeiro globalmente de que a guerra será “temporária”. Não deve ser um conflito que irá se prolongar por muito tempo, dadas as consequências graves para a economia mundial com o petróleo em risco.
Com isso, a “fuga” para o ouro não seria necessária. Outros ativos de proteção entraram no radar, como os Treasurys dos Estados Unidos.
Nesta terça-feira (31), o mercado vive um dia de alívio. Estados Unidos e Irã deram sinais de que não querem prolongar o conflito. A ver os próximos dias.
Maiores altas do Ibovespa em março
| Ticker | Empresa | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|---|
| PETR3 | Petrobras ON | 26,21% | 65,58% |
| PETR4 | Petrobras PN | 23,75% | 57,92% |
| PRIO3 | Prio | 21,51% | 59,85% |
| ENEV3 | Eneva | 15,28% | 22,25% |
| NATU3 | Natura | 14,38% | 39,87% |
Maiores quedas do Ibovespa em março
| Ticker | Empresa | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|---|
| PCAR3 | GPA - Pão de Açúcar | -28,57% | -42,11% |
| CSNA3 | CSN | -26,57% | -29,19% |
| MRVE3 | MRV | -23,05% | 1,16% |
| DIRR3 | Direcional | -18,87% | -6,23% |
| BEEF3 | Minerva | -18,20% | -25,87% |
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