Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+? O que dizem as recomendações de renda fixa e Tesouro Direto para janeiro
Itaú BBA e XP divergem em suas recomendações de títulos públicos no início deste ano; corretoras e bancos também indicam CRI, CRA, debêntures e CDB

Os títulos de renda fixa prefixados brilharam em 2025. Os maiores rendimentos foram dos papéis com vencimento acima de um ano, que registraram alta de 20% no ano — bastante acima dos 14% do CDI. A performance garantiu ao índice correspondente da Anbima, o IRF-M 1+, a liderança na renda fixa pela primeira vez desde 2017.
Esse resultado não é por acaso. Títulos prefixados são muito sensíveis às expectativas do mercado financeiro em relação à taxa de juros e à inflação.
2025 começou com a sinalização do Banco Central de que aumentaria a taxa Selic em 300 pontos-base (bps), para 15% ao ano. Além disso, a curva de juros — que condensa as apostas do mercado para os juros em diferentes vencimentos e é referência para as taxas dos títulos de renda fixa — precificava uma inflação de 7% para o ano.
Em dezembro, o cenário era completamente outro. O aumento da Selic para 15% ao ano aconteceu, mas ficou para trás. O ano acabou com os agentes financeiros embutindo na curva de juros cortes de 300 bps na Selic em 2026. A projeção da inflação em 7% ao ano passou longe: fechou em 4,3% — e deve continuar próxima desse nível ao longo deste ano.
Essa reviravolta em 2025 foi o que garantiu esse desempenho dos prefixados. A expectativa de aumento de juros se converteu em perspectiva de queda, e a projeção de inflação nas alturas mudou para inflação controlada.
Com isso, prefixados que ofereciam 15% ou 14% de taxa anual diante do caos nos primeiros meses do ano diminuíram os retornos quando a situação assentou. Na tela, essa queda nas taxas vira aumento de preço diante de novos títulos com prêmios menores.
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Tesouro Direto: prefixados ainda valem a pena?
O Tesouro Prefixado 2028 pagava, em fevereiro de 2025, 14,99% de retorno anual, ao preço de R$ 669,45 por título. Em dezembro, o mesmo papel era oferecido por R$ 780,33, a uma taxa de 12,7% — bastante próximo da oferta atual: 12,95% de retorno, a R$ 788,39.
A questão é: ainda vale a pena investir em Tesouro Prefixado depois de tanta valorização no preço e queda na taxa?
Para o Itaú BBA a resposta é não, enquanto a XP afirma que sim.
Na carteira recomendada de renda fixa de janeiro, o BBA afirma que os prefixados perderam a atratividade para 2026. O relatório destaca a projeção em linha para a inflação — 4% no ano, com pouco espaço para um resultado melhor que o esperado — e o corte de juros já precificado na curva.
Com isso, a avaliação é que, diante da valorização do preço e fechamento da taxa, o ganho com prefixados não vale mais o risco de o cenário desandar. O risco está na volatilidade de um ano eleitoral e no ambiente global mais incerto.
Já para a XP, o cenário atual é de queda consistente dos juros correntes e da expectativa futura na curva de juros. Os analistas acreditam que o corte total da Selic ainda não foi precificado, com espaço para mais valorização dos prefixados.
A carteira recomenda o Tesouro Prefixado 2031, com taxa anual de 13%. Esse título, entretanto, não está disponível no Tesouro Direto, apenas no mercado secundário, na plataforma da corretora ou via mesa de operações.
Valorização vs. vencimento
Aqui, vale destacar que a valorização no preço da qual banco e corretora falam só vale para quem não vai levar o título do Tesouro Direto até o vencimento. Dessa forma, ao vender o papel por um preço mais alto, antes do vencimento, o investidor embolsa o lucro.
No entanto, para quem quer ficar com o título até o vencimento, a volatilidade no preço é indiferente. Ao final do prazo, o Tesouro Direto irá pagar a taxa prefixada contratada.
No caso de um Tesouro Prefixado 2028 que o investidor comprou quando a taxa ainda era de 14,99%, a valorização desse papel foi significativa. Porém, essa é uma taxa que dificilmente o título público voltará a oferecer no curto prazo, principalmente diante da queda dos juros.
O investidor deve ponderar a possibilidade de lucro via venda antecipada (lucro no preço) ou o ganho com o carrego, levando o título até o vencimento e recebendo a taxa contratada de 15% ao ano.
Tesouro IPCA+ no curto e no longo prazo
Para o Itaú BBA, dentre as opções do Tesouro Direto, a oportunidade em 2026 está nos títulos indexados à inflação — seja no curto ou no longo prazo.
Enquanto os prefixados andaram bastante, os IPCA+ quase não se valorizaram— tiveram volatilidade, sim, mas pouca mudança nas taxas.
Os títulos com vencimento acima de cinco anos (acompanhados pelo índice da Anbima IMA-B 5+) renderam 14,20%, enquanto os papéis de curto prazo (até cinco anos) fecharam com alta de 11,65%, segundo o IMA-B 5.
Para os analistas do banco, as taxas reais (juro prefixado acima da inflação) não fecharam em 2025 como as dos prefixados por estarem atreladas a outras preocupações: persistência da inflação de serviços (que está relacionada à baixa taxa de desemprego), incertezas político-eleitorais e fiscais.
Sem uma resolução para esses fatores, as taxas reais devem continuar estacionadas em níveis próximos de 7% também neste ano.
Os analistas trocaram a recomendação em prefixados para prazos de até três anos por títulos Tesouro IPCA+, justificado pelo nível histórico da taxa real em 7%. Nos prazos mais longos, acima de cinco anos, a recomendação também é IPCA+.
“Seguem como principal forma de proteger o poder de compra e, ao mesmo tempo, capturar o processo de desinflação”, diz o relatório do Itaú BBA.
Os títulos escolhidos são Tesouro IPCA+ 2029 e Tesouro IPCA+ 2040 — ambos disponíveis no Tesouro Direto.
Para a XP, os prazos intermediários, de até seis anos, são uma escolha melhor. Os títulos selecionados para janeiro foram Tesouro IPCA+ 2032 e 2033 — ambos disponíveis na plataforma da corretora.
Até o vencimento...
No caso dos títulos IPCA+, tanto o Itaú BBA quanto a XP não esperam uma valorização significativa no preço dos títulos. A recomendação é levar o papel até o vencimento para capturar ganho com a taxa histórica, de 7% de juro real acima da inflação.
O lucro com o preço desses títulos é possível, mas não está claro.
A trava que está prendendo as taxas nesses níveis históricos deve perdurar até a definição eleitoral, em outubro. Como o BBA mencionou em relatório, são questões de endereçamento da dívida pública e compromisso fiscal.
Sem a definição do próximo presidente e suas propostas para a economia nos próximos anos, agentes financeiros devem manter o prêmio de risco desses papéis indexados à inflação nas alturas.
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Crédito privado: Minerva e Suzano são destaque em títulos isentos
Minerva está no destaque das recomendações dos bancos e corretoras desde o final do ano passado, assim como a Suzano. Neste começo de ano, os títulos de ambas as empresas seguem na carteira recomendada do Itaú BBA e da XP.
Trata-se do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Minerva, com vencimento em julho de 2029 (CRA0220073P) e de duas versões da Cédula de Produto Rural – Financeira (CPR-F) da Suzano: a de vencimento em 2035 (25I02597637) e a de vencimento em 2037 (25I02598074).
No caso da Minerva, o BBA destaca a diversificação geográfica da companhia na América do Sul como fator de mitigação de riscos para a receita, enquanto a XP complementa ao reforçar a posição do frigorífico como maior exportador de carne bovina da região.
Já para a Suzano, as carteiras ressaltam que a empresa é a maior produtora mundial de celulose de eucalipto e possui uma estrutura de custos altamente eficiente.
Veja a carteira de renda fixa de cada instituição:
Itaú BBA
| Título | Vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,048% | – |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 15/05/2029 | IPCA + 7,73% | – |
| Tesouro IPCA+ 2040 | 15/08/2040 | IPCA + 7,20% | – |
| Rumo (RUMOA2) | 15/02/2029 | IPCA + 6,6% | AAA |
| Klabin (25H04002165) | 15/08/2035 | IPCA + 6,7% | AAA |
| Suzano (25I02598074) | 15/09/2037 | IPCA + 6,8% | AAA |
| CRA Minerva (CRA0220073P)* | 16/07/2029 | IPCA + 8,2% | AAA |
| CRA BRF (CRA0220079D)* | 15/07/2032 | IPCA + 7,6% | AAA |
| Debênture Rumo (GASC28)* | 15/03/2040 | IPCA + 6,7% | AAA |
* Título para investidor qualificado.
Fonte: Itaú BBA.
XP Investimentos
| Título | Vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,01% | – |
| Tesouro IPCA+ 2032 | 15/08/2032 | IPCA + 7,2% | – |
| Tesouro IPCA+ 2033 | 15/05/2033 | IPCA + 7,1% | – |
| Tesouro Prefixado 2031 | 01/01/2031 | 13,0% a.a. | – |
| CRI Lavvi (25J3017471)* | 15/10/2032 | 100% do CDI | AA+ |
| CRA Minerva (CRA0220073P) | 16/07/2029 | IPCA + 8,3% | AAA |
| CPR‑F Suzano (25I02597637) | 15/09/2035 | IPCA + 6,6% | AAA |
| Debênture Taesa (TAEEB0) | 15/12/2040 | IPCA + 6,4% | AAA |
* Título para investidor qualificado.
Fonte: XP Research.
BB Investimentos
| Título | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|
| Debênture Neoenergia – Celpe (CEPEB7) | 15/08/2040 | AAA |
| Debênture CPFL Energia – Piratininga Paulista (PALFB3) | 15/10/2035 | AAA |
| Debênture Sabesp (SBSPF3) | 15/01/2040 | AAA |
| Debênture Isa Energia (TRPLB4) | 15/10/2038 | AAA |
| CRA MBRF (CRA0250018K) | 16/04/2040 | AAA |
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