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Dois meses depois do início dos ressarcimentos, o FGC já devolveu R$ 38,9 bilhões, mas parte dos investidores ainda não apareceu

Dois meses depois do início dos ressarcimentos do caso Banco Master, ainda há uma parcela relevante de investidores que não voltou para buscar o dinheiro. Bilhões já foram devolvidos, mas quase R$ 800 milhões seguem parados — à espera de um resgate que, até agora, não veio.
Desde que a liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro foi decretada pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou uma das maiores operações de ressarcimento do sistema financeiro brasileiro.
Os pagamentos começaram em 18 de janeiro e, até a última segunda-feira (16), já haviam somado R$ 38,9 bilhões devolvidos a cerca de 686 mil clientes — o equivalente a aproximadamente 96% do montante a ser pago para 88% dos investidores elegíveis.
"O processo de pagamento aos credores, pessoas físicas, do Banco Master, Banco Master de Investimentos e Letsbank segue pelo aplicativo do FGC. É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo", diz o FGC, em nota ao Seu Dinheiro.
Ainda assim, cerca de 70 mil pessoas sequer procuraram o FGC para reaver os valores a que têm direito. Juntas, elas deixam para trás R$ 793 milhões disponíveis para resgate no aplicativo do Fundo — aproximadamente 2% do total elegível.
Há também outros 26 mil investidores que estão no meio do caminho. Eles já iniciaram o processo de recuperação, mas ainda não concluíram o resgate de cerca de R$ 827 milhões, o equivalente a 3% do total.
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É preciso destacar que o prazo regulatório permite que o Fundo leve até cinco anos para concluir 100% dos reembolsos.
Além disso, relatos de dificuldades técnicas de credores também vêm se acumulando.
Em plataformas como o Reclame Aqui, investidores apontam problemas técnicos no processo de solicitação: falhas na verificação de identidade, inconsistência de dados e instabilidade no aplicativo estão entre as queixas mais recorrentes.
Embora uma parte relevante dos pagamentos do caso Master já tenha sido endereçada, outras frentes começam a ganhar peso — e a ampliar a fatura do FGC.
Ligado ao mesmo conglomerado, o will bank também teve sua liquidação decretada nos últimos meses, abrindo caminho para uma nova rodada de ressarcimentos.
A estimativa é de mais R$ 6,3 bilhões a serem devolvidos aos investidores.
Para acelerar o processo, o FGC optou por uma estratégia de antecipação: há pouco mais de um mês, começou a liberar valores de até R$ 1 mil.
Até agora, cerca de um milhão de clientes já receberam esses recursos, somando R$ 123 milhões em desembolsos, o que representa 69% do montante das antecipações a ser pago, de cerca de R$ 178 milhões.
O universo potencial, no entanto, é muito maior. Apenas 17% do total de credores já receberam os recursos antecipados. Aproximadamente seis milhões de pessoas são elegíveis para essa antecipação — o que indica que essa etapa ainda está longe de se esgotar.
Já para os investidores com valores acima de R$ 1 mil, o cronograma permanece indefinido. O FGC afirma que aguarda a consolidação da lista de credores pelo liquidante nomeado pelo Banco Central antes de avançar com essa fase dos pagamentos.
Uma dinâmica parecida se desenha no caso do Banco Pleno, outra instituição envolvida no processo de liquidação do conglomerado Master.
Assim como no will bank, o início dos pagamentos depende da finalização da lista de credores.
Até o momento, a estimativa é de um desembolso adicional de R$ 4,9 bilhões para mais de 160 mil pessoas.
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