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Investidores relatam dificuldade na validação dos dados e ineficiência na comunicação com o Fundo Garantidor de Créditos

Depois de dois meses de espera pelo início dos pagamentos da garantia dos CDBs do Banco Master, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) finalmente começou o processo em 17 de janeiro. No entanto, mais de dez dias depois, uma parte significativa dos investidores ainda não viu o dinheiro cair na conta.
“Estou impedido de seguir com a solicitação de pagamento por um erro do sistema de vocês e pela falta de um canal de suporte que funcione”, escreve um investidor de Brasília (DF) no site ReclameAqui.
“O meu CPF está regular, a minha conta bancária é de minha titularidade, e não houve nenhuma alteração dos dados que justifique o bloqueio. Solicitei diversas vezes atendimento, mas disseram desde o dia 20/01 que a validação seria feita manualmente. Por favor, me ajudem”, escreve outro do Rio de Janeiro.
“Em 12 dias corridos eles ainda não conseguiram fazer essa tal validação. Vários outros credores que fizeram a solicitação após o dia 17/01/2026 já receberam, o que demonstra total descaso e falta de critérios do FGC para atender aos pedidos”, mais um, esse de Niterói.
Os registros no site de reclamações são dos últimos dias — e os relatos se repetem:
Segundo o FGC, mais de 800 mil CPFs e CNPJs constam na lista de credores com direito a receber o ressarcimento dos CDBs do Master. Em volume financeiro, a garantia será de R$ 41 bilhões — uma distribuição recorde para o fundo.
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Ao Seu Dinheiro, o fundo afirmou que pagou R$ 32,5 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master até hoje, 29 de janeiro de 2026, às 9h30. O valor representa 80% do montante total.
Em número de beneficiários, aproximadamente 580 mil credores já receberam os valores, correspondente a 75% do total de credores.
No entanto, cerca de 20 mil pedidos estão na etapa de processamento. O FGC afirma que esses pedidos aguardam “uma ação do credor”.
“É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo”, diz a nota.
Entretanto, o fundo não esclarece se o aplicativo ou o sistema estão com problemas de processamento, nem dá qualquer orientação para o investidor que está tentando reaver seu dinheiro.
De acordo com o site E-Investidor, o FGC terceirizou parte do processo de validação de identidade dos credores para a empresa de tecnologia idwall, especializada em verificação de documentos e prevenção a fraudes.
A entrada de um intermediário acabou gerando uma terceirização da responsabilidade. Investidores afirmaram ao portal que, ao entrarem em contato com o FGC, receberam a orientação de procurar a idwall, que, por sua vez, os orientou a aguardar ou retornar ao próprio FGC.
Os pagamentos pelos CDBs do Master tiveram início, de fato, em 19 de janeiro. Naquele dia, o FGC chegou a registrar 3,9 mil pedidos por hora.
Em nota à imprensa após a liquidação do will bank, o fundo afirmou que sua infraestrutura tecnológica é escalável “e capaz de absorver a demanda por serviços verificada”.
O FGC estima mais R$ 6,3 bilhões em pagamentos de garantias do will bank, somando R$ 47 bilhões em ressarcimento total do conglomerado Master. No entanto, o fundo ainda não recebeu a base de credores do will, de modo que apenas os pagamentos dos CDBs do Master estão em processamento.
O Seu Dinheiro questionou sobre a possibilidade de sobrecarga do sistema com os dois processos em andamento ao mesmo tempo, mas o fundo não respondeu.
Em uma nota publicada na segunda-feira (26), o fundo afirma que está verificando as “situações reportadas” e que testes para a solução estão sendo implementados. “Algumas ocorrências acabam sendo concluídas mais rapidamente do que outras”, diz a nota.
Enquanto isso, o problema “demora na execução” no ReclameAqui soma 2.604 ocorrências, enquanto “qualidade do serviço” e “mau atendimento” somam 314.
O FGC é uma instituição privada, alimentada pelas principais instituições financeiras do país. Bancos, fintechs, sociedades de crédito e outras financeiras usam parte de seus depósitos para abastecer o fundo.
Com esse dinheiro, o FGC garante o ressarcimento de determinados investimentos em caso de falência e problema de liquidez das entidades associadas.
O Banco Master era uma associada do FGC. Desse modo, diante da liquidação do Master e do will bank, o fundo foi acionado para ressarcir os investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) — um investimento elegível à garantia, assim como LCI, LCA, conta corrente, conta poupança e outros.
A garantia é de R$ 250 mil, por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro, incluindo o valor aplicado mais os juros acumulados até a data da liquidação da instituição. Valores superiores a R$ 250 mil devem ser cobrados na Justiça.
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