Petrobras (PETR4) deve entregar trimestre forte e dividendos robustos, diz BTG; preço-alvo do ADR sobe para US$ 25
Produção recorde, petróleo mais caro e geração de caixa elevada sustentam expectativa de proventos no 1T26

A Petrobras (PETR4) deve começar 2026 com resultados fortes e mais uma rodada relevante de dividendos. A avaliação é do BTG Pactual, que revisou para cima as estimativas e elevou o preço-alvo da estatal após a divulgação dos dados operacionais do primeiro trimestre.
“A Petrobras combina valor de escassez com momentum robusto”, diz o banco, ao destacar o posicionamento da companhia entre empresas globais de energia.
O BTG projeta Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de US$ 13 bilhões no 1T26, com dividendos de aproximadamente US$ 2,1 bilhões, o que representa um rendimento (dividend yield) de 1,5% no trimestre.
O preço-alvo dos ADRs, negociados em Nova York, foi elevado para US$ 25 (de US$ 22,03), com recomendação de compra mantida.
Por volta das 15h40 (de Brasília), o ADR da Petrobras (PBR) subia 0,30% na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), cotado a US$ 21,97.
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No mesmo horário, as ações PETR4 tinham alta de 0,63% no Ibovespa, a R$ 49,38, enquanto a ação ordinária (PETR3) caía 0,2%, a R$ 54,61.
Geração de caixa sustenta dividendos elevados
Com investimentos (capex) estimados em US$ 4,9 bilhões e impacto de capital de giro no primeiro trimestre, o BTG projeta fluxo de caixa livre de US$ 4,8 bilhões no trimestre.
Esse nível de geração de caixa reforça a expectativa de distribuição relevante de proventos ao longo do ano. Para 2026, o banco estima dividend yield próximo de 9% e rendimento de fluxo de caixa ao acionista (FCFE) em torno de 11%.
“Essa geração excessiva de caixa, que esperamos persistir em 2027, pode permitir dividendos extraordinários”, diz o banco.
Produção recorde e Brent mais alto impulsionam Petrobras
A produção doméstica de petróleo atingiu 2,58 milhões de barris por dia no primeiro trimestre, superando o guidance anual e avançando na comparação com os períodos anterior e anual.
Segundo o BTG, o período foi marcado por “forte desempenho operacional, com produção recorde de petróleo”, refletindo o avanço de plataformas no pré-sal, como nos campos de Búzios e Mero.
Além do crescimento operacional, o ambiente externo também contribuiu. A alta de cerca de 23% nos preços do Brent em relação ao trimestre anterior deve impulsionar os resultados, enquanto o aumento da produção ajuda a diluir custos.
A estimativa é de queda no lifting cost, indicador que mede o custo de extração do petróleo, para US$ 8,9 por barril.
Refino pressiona margens, mas cenário é menos negativo
O segmento de refino deve apresentar compressão de margens no trimestre, impactado por spreads mais fracos ao longo de março.
Ainda assim, a leitura do banco é mais construtiva. “A unidade de refino poderia estar melhor, mas não está tão ruim quanto se temia”, diz o BTG.
Parte relevante dos derivados acompanha os preços internacionais, mesmo com defasagem, e a subvenção ao diesel contribui para sustentar a rentabilidade. Além disso, a Petrobras tem conseguido preços favoráveis nas exportações de petróleo, o que ajuda a compensar a taxação sobre os embarques.
Valor de escassez e potencial de reprecificação
Na avaliação do BTG, a Petrobras segue como um ativo raro no mercado global. A companhia combina crescimento de produção com baixo custo de extração, especialmente no pré-sal, e ocupa uma posição diferenciada entre empresas de mercados emergentes.
Além disso, o banco destaca o potencial de reprecificação das ações diante do cenário político. “Uma compressão de 200 pontos-base no custo de capital poderia adicionar cerca de US$ 5 por ADR ao preço-alvo”, diz.
A revisão das estimativas também incorpora preços mais altos para o petróleo, com Brent projetado em US$ 82 por barril em 2026, além de ajustes na curva de produção e na subvenção ao diesel.
Com isso, o BTG mantém a Petrobras entre suas principais apostas, apoiada em valuation atrativo, forte geração de caixa e potencial de distribuição adicional de dividendos.
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