O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
A história de um banco digital que cresceu fora do eixo da Faria Lima, atraiu grandes investidores e terminou liquidado pelo Banco Central
O último elo que ainda se mantinha firme na cadeia do Banco Master acaba de se romper. Três meses depois de o Banco Central decretar o fim do Master, o regulador decidiu também pela liquidação extrajudicial do will bank, o banco digital amarelo que havia escapado — ao menos temporariamente — do colapso do grupo comandado por Daniel Vorcaro.
A decisão encerra uma trajetória que começou longe dos holofotes da Faria Lima, passou por um crescimento acelerado no varejo popular e terminou sob o peso de uma combinação conhecida no sistema financeiro: expansão agressiva, crédito de alto risco e capital escasso.
Mas, afinal, quem era o will bank — e como ele foi parar nas mãos do Banco Master?
O will bank não nasceu em berço de ouro no Itaim Bibi ou nos prédios espelhados da Faria Lima. Ele surgiu em Vitória (ES), no fim de 2016, ainda com o nome pag!, como um emissor de cartões voltado às classes C, D e E.
O projeto era liderado por Felipe Felix, atual CEO da fintech, ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana.
Desde o início, a narrativa do will foi a de emergir como uma espécie de “salvador dos desbancarizados”.
Leia Também
Enquanto outros bancos digitais focavam em usuários insatisfeitos da elite bancária, o will mergulhou no varejo popular, oferecendo serviços simples a quem historicamente ficou à margem do sistema financeiro tradicional.
O Nordeste virou seu principal território. Cerca de 60% da base de clientes se concentrou na região, muitos deles em cidades pequenas, onde o “boca a boca” funcionou como base para a expansão acelerada.
Em poucos anos, a fintech acumulou 6 milhões de clientes, apoiada na promessa de descomplicar o que os “bancões” tornavam inacessível.
Mas o crescimento apresentava uma fragilidade: o modelo dependia de crédito de alto risco para uma base de baixa renda, um equilíbrio fino que exigia aportes frequentes para se manter de pé.
Em 2021, o mercado comprou a história. A um fundo de private equity da XP e a Atmos Capital lideraram um aporte de R$ 250 milhões, em um momento em que o will já era apontado como a segunda maior instituição de pagamento do país, atrás apenas do Nubank.
A empresa acelerou. Fechou parcerias com a Mastercard, ampliou o portfólio e, em 2022, adquiriu a startup de cashback Getmore para dar os primeiros passos na construção de um marketplace próprio.
Em 2023, os números reforçavam a sensação de sucesso: R$ 2,8 bilhões em receitas e uma base consolidada de milhões de clientes. À época, o will bank até cogitava a possibilidade de um IPO na bolsa brasileira.
Foi em fevereiro de 2024 que a história do “banco digital amarelo” mudou de rumo. O Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, anunciou a compra do controle do will Bank.
Para Vorcaro, a fintech era a peça que faltava para montar um ecossistema digital completo. A ideia era usar a capilaridade do will para distribuir crédito, seguros e outros produtos financeiros. Com a aquisição, o grupo passou a atender mais de 10,5 milhões de clientes.
Sob o guarda-chuva do Master, o will passou a operar como Banco Master Múltiplo — e adotou uma estratégia que logo passou a chamar a atenção dos reguladores: a venda de investimentos ancorada na exploração da proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Na prática, o discurso de proteção do FGC passou a ser usado como argumento central para captar recursos — o que vai na contramão do objetivo original do fundo, que foi criado para proteger o sistema, e não para substituir a confiança na saúde financeira das instituições.
Com o cerco se fechando, o Master tentou salvar o que restava do grupo, colocando o will bank à venda. Circularam na imprensa rumores de interesse do apresentador Luciano Huck e do Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, com mais de US$ 100 bilhões sob gestão. Nada foi adiante, contudo.
Segundo o colunista Lauro Jardim, d’O Globo, a EB Capital — gestora de Eduardo Melzer, que levou Huck à mesa de negociação — desistiu do negócio ainda em outubro.
Em novembro de 2025, veio o golpe decisivo: o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, e Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, acusado de gestão fraudulenta, organização criminosa e falsificação de carteiras de crédito na operação envolvendo o BRB. As investigações seguem em andamento.
Naquele momento, o will bank escapou. Como ainda havia negociações em curso com o Mubadala, o banco digital foi colocado em Regime de Administração Especial Temporário (Raet), ficando fora da liquidação imediata do Master.
A sobrevida, porém, durou pouco. Três meses, para ser exata.
Com o avanço das investigações, a pressão dos reguladores e as suspeitas que passaram a cercar todo o grupo, a venda desandou.
Na noite anterior à decisão do Banco Central, a Mastercard anunciou a interrupção das transações dos cartões do will, alegando descumprimento das regras de pagamento. A execução da dívida com a bandeira foi o gatilho final.
Sem liquidez e sem comprador, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do will bank.
Segundo estimativas da imprensa, o desfecho deixa cerca de 5 milhões de clientes dependentes do ressarcimento do FGC, com um custo total que pode chegar a R$ 50 bilhões para o fundo garantidor.
“O will bank era um natimorto. Não é uma operação de fôlego muito grande. Para operar, tem custos fixos elevados, por isso geralmente os bancos pequenos têm taxas mais altas. Além disso, esse público tem inadimplência muito alta. E, em ciclos de crédito, todo mundo começa a emprestar; mas, quando esse ciclo começa a apertar, a inadimplência aumenta. Quando você analisa as demonstrações financeiras, o will bank era bem alavancado”, avaliou Roberto Luis Troster, sócio da consultoria Troster & Associados e ex-economista-chefe da Febraban e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
Na avaliação de Charles Nasrallah, advogado especialista em direito empresarial, a trajetória de deterioração do will bank não começou no momento em que a crise se tornou pública, mas sim nos "sinais silenciosos que costumam anteceder rupturas em instituições financeiras: desequilíbrios de capital, dependência crescente de funding sensível à confiança do mercado e um modelo de crescimento que exige aportes constantes para se sustentar".
Segundo o advogado, em bancos digitais, esses sintomas podem permanecer invisíveis por longos períodos, encobertos por métricas sedutoras como número de clientes, expansão territorial e engajamento em aplicativos.
"O arco narrativo do Will Bank não é o de uma instituição saudável destruída subitamente por uma troca de controle. É o de um banco que já carregava fragilidades, que muda de ambiente ao ser incorporado a um grupo em crise e que sucumbe quando um evento operacional rompe a última camada de normalidade", disse Nasrallah.
Procurada pela reportagem, a assessoria do will bank disse que não se manifestaria sobre o tema. O espaço segue aberto.
Com lucros e rentabilidade ainda pressionados, o mercado começa a discutir se o BB deixou o pior para trás ou apenas ganhou tempo
A operação acabou saindo no piso do intervalo reduzido horas antes pelo banco, a US$ 12, de acordo com a Bloomberg
Dados do quarto trimestre de 2025 servem de termômetro para o desempenho financeiro da petroleira; que será divulgado em 5 de março após o fechamento do mercado
Banco revisou estimativas para oito construtoras de média e alta renda e recomenda mais seletividade diante de juros altos e crédito restrito
A faixa indicativa, que antes oscilava entre US$ 15 e US$ 18, caiu para um intervalo entre US$ 12 e US$ 13; a expectativa atual é de uma precificação no piso
O motivo é a aprovação de urgência para a votação de um projeto que pode elevar o Ebitda da gigante petroquímica em cerca de US$ 290 milhões em 2026 — cerca de 50% do Ebitda dos últimos 12 meses
Operação em libras pode ser a primeira de uma empresa de tecnologia com prazo tão longo desde os anos 1990
Atualmente, o menino divulga os produtos na rede social Instagram, monitorada pela sua mãe
Entre as exigências está a apresentação de uma relação de credores mais completa, organizada por empresa, com os respectivos valores e a natureza dos créditos
O anúncio da contratação dos escritórios vem após a empresa ter tido suas notas de crédito rebaixadas por três empresas empresas de rating
A decisão foi motivada pelo vazamento de água e sedimentos que atingiu cursos d’água e áreas industriais da região há algumas semanas.
A Anac define regras específicas para as baterias de lítio, que são comuns em celulares, notebooks e powerbanks
Saída de Mariana de Oliveira se soma às mudanças na diretoria executiva da construtora; entenda o movimento
Aumento de capital acontece enquanto mercado anseia por IPO e empresa avalia novos ativos de saneamento
Agora, Fitch, S&P Global e Moody’s — as três principais agências de rating — rebaixaram a companhia para nível especulativo
Segundo a companhia, esses pagamentos serão realizados a título de antecipação do dividendo obrigatório do exercício de 2026
Na prática, cada papel BBSE3 vai receber R$ 2,54996501627 por ação, valor que será corrigido pela taxa Selic desde 31 de dezembro de 2025 até a data do pagamento
Para o maior banco de investimentos do país, o problema não está na distribuição — mas no uso excessivo do FGC como motor de crescimento
Mudança veio após a Raízen contratar assessores financeiros e legais para estudar saídas para o endividamento crescente e a falta de caixa; Fitch também cortou recomendação da companhia
Banco de Brasília apresentou na sexta (6) o plano para capitalizar a instituição após perdas com ativos do Banco Master; veja o que explica a queda da ação nesta segunda (9)