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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO RESULTADO

Nem o lucro acima do esperado salva o Bradesco (BBDC4) na bolsa hoje, e ação cai forte na B3. Mercado ainda não comprou a virada?  

Balanço do 1T26 veio sólido, mas dúvidas sobre crédito, provisões e consistência da recuperação continuam no radar; veja o que dizem os analistas

Camille Lima
Camille Lima
7 de maio de 2026
11:30 - atualizado às 11:31
Fachada de agência do Bradesco (BBDC4).
Fachada de agência do Bradesco (BBDC4). - Imagem: Divulgação

Mesmo após nove trimestres consecutivos de crescimento e com números acima do esperado no 1T26, o Bradesco (BBDC4) ainda não conseguiu assegurar a confiança do mercado. As ações do banco iniciaram o pregão desta quinta-feira (7) em forte queda. 

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Por volta das 11h10, os papéis caíam 3,48% e figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa, cotados a R$ 18,60. No ano, as ações BBDC4 ainda marcam alta de 4%. 

No primeiro trimestre, o Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 15,8% — ambos ligeiramente acima das expectativas.  

Em um ambiente macro ainda apertado e marcado por sazonalidade negativa, foi também o único entre os grandes bancos a apresentar crescimento sequencial de lucro. 

“À primeira vista, o primeiro trimestre parece bastante sólido”, resumiu o BTG Pactual. 

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A reação negativa do mercado, no entanto, ajuda a explicar o momento atual do banco: mais do que entregar, o Bradesco precisa convencer. E, neste estágio da recuperação, a régua ficou mais alta. 

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Na leitura dos analistas do BTG, parte da pressão sobre as ações reflete exatamente isso: expectativas elevadas para o turnaround

Para a XP, o trimestre foi “misto, mas amplamente construtivo”. Já o JP Morgan classificou o resultado como positivo, ainda que com ressalvas importantes sobre a sustentabilidade de algumas linhas do balanço. 

Confira os principais indicadores do Bradesco (BBDC4) no 1T26:  

IndicadorResultado 1T26ProjeçõesVariação (a/a)Evolução (t/t)
Lucro líquido   R$ 6,81 bilhões  R$ 6,652 bilhões +16,1%  +4,5%  
ROAE   15,8% 15,4% +1,4 p.p.   +0,6 p.p   
Margem financeira   R$ 20,05 bilhões —   +16,4% +4,2%   
Carteira de crédito ampliada   R$ 1,09 trilhão  —   +8,4% +0,1%   
Fonte: Balanço enviado à CVM, consenso Bloomberg e média de projeções compiladas pelo Seu Dinheiro.     

1T26 do Bradesco confirma retomada, mas sem eliminar dúvidas 

Para o JP Morgan, a principal surpresa positiva do balanço do Bradesco foi a combinação de crescimento de receitas com disciplina de custos, que ajudou a impulsionar a rentabilidade operacional.  

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A margem financeira avançou 16,4% em 12 meses, somando R$ 20,05 bilhões. O desempenho ficou acima das estimativas e superou, em alguns pontos, pares como Itaú Unibanco e Santander Brasil, segundo os analistas.  

Parte relevante desse resultado veio da margem com o mercado e, principalmente, da divisão de seguros — dois motores que voltaram a ganhar protagonismo. 

Mas o tom ainda está longe da euforia. "O que precisamos é entender se o Bradesco conseguirá sustentar essas tendências positivas”, afirmam os analistas do banco norte-americano. 

A cautela se repete na leitura do BTG Pactual sobre o balanço, que define o momento como uma “tendência favorável, com alguns alertas”. 

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“O 1T parece bastante sólido à primeira vista”, dizem os analistas. “Mas houve alguns pontos de atenção abaixo da superfície.” 

Um deles foi o impacto negativo de R$ 1,8 bilhão relacionado à adesão ao programa de transação tributária (PTI), envolvendo disputas fiscais antigas, além de outras provisões fiscais.  

“Embora concordemos que o impacto deva ser tratado como não recorrente, o reconhecimento da perda também indica que essas obrigações não estavam totalmente provisionadas no balanço anteriormente”, avaliam.  

Do lado da qualidade do crédito, o diagnóstico é misto. A inadimplência seguiu controlada, mas o avanço das provisões acima do esperado acendeu um sinal de alerta. 

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O mantra do “passo a passo” segue funcionando 

Se há um consenso entre analistas, é que a estratégia step by step da gestão começou a ganhar tração. 

O BTG destaca que o Bradesco foi o único grande banco a entregar crescimento sequencial de lucro no trimestre — o que reforça o discurso recorrente do CEO, Marcelo Noronha, de um turnaround feito “de degrau em degrau”. 

“Vemos o desempenho trimestral ligeiramente mais fraco como uma consequência natural da sazonalidade negativa, ainda deixando o Bradesco bem posicionado para entregar dentro do guidance de 2026”, avalia a XP. 

Para Maria Estela Ferraz de Campos, head de crédito da Integral Group, o resultado pode ser resumido como uma recuperação consistente, com foco na qualidade e na expansão da rentabilidade operacional. 

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“O Bradesco entregou seu nono trimestre consecutivo de crescimento, o que mostra que o plano de transformação está funcionando”, afirma. 

Segundo ela, o “motor operacional” do banco segue ganhando força, mesmo com impactos contábeis pontuais.  

De olho na carteira de crédito 

Se no passado recente o Bradesco foi criticado por crescer a carteira de crédito com qualidade questionável, a fotografia atual do portfólio indica uma mudança mais estrutural. 

Na leitura do mercado, o banco passou a priorizar a segurança do crescimento, ao mesmo tempo em que limpou ativos problemáticos herdados de ciclos anteriores. 

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O JP Morgan destaca que o Bradesco vem avançando acima dos pares em linhas como veículos, cartões e consignado privado — segmento em que entrou mais tarde, mas agora acelera. 

Ainda assim, o movimento exige cautela, segundo a XP, uma vez que esses produtos são historicamente mais sensíveis ao ciclo econômico, especialmente em um ambiente de juros elevados e renda pressionada. 

Para os analistas, o crescimento acima do mercado, combinado à maior exposição a clientes de renda mais baixa, pode pressionar a qualidade dos ativos do Bradesco daqui para frente caso o cenário macro continue a se deteriorar. 

Por isso, a XP avalia que o lucro acima do esperado no 1T26 não é suficiente para mudar a visão cautelosa para BBDC4. “Apesar do lucro acima do esperado, a pressão na qualidade de crédito e o NII abaixo do esperado reforçam a nossa visão neutra para as ações.”

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Apesar disso, a visão do mercado para as ações ainda é majoritariamente otimista. De sete recomendações compiladas pela Broadcast, seis são de compra e apenas uma é neutra.

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