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Com receita mais diversificada e aposta em Wealth, banco tenta reduzir volatilidade enquanto espera queda dos juros, afirma Vinicius Carmona ao Seu Dinheiro
O BR Partners (BRBI11) até começou 2026 no campo positivo. Mas, na visão de Vinicius Carmona, sócio e diretor de relações com investidores (DRI) do banco, o primeiro trimestre deixou uma sensação difícil de ignorar: a de que havia espaço para terminar o jogo com um placar mais favorável.
"O trimestre foi positivo, mas poderia ter sido melhor. É aquela sensação de estar ganhando de dois a zero, mas podia estar três ou quatro", afirmou Carmona, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro.
A analogia resume bem o tom do 1T26: um balanço misto, em que as receitas avançam, mas um resultado que esbarra em um ambiente macroeconômico que mudou no meio do jogo — e, com isso, limitou a potência de conversão de negócios.
Em termos de resultados, o banco encerrou os primeiros três meses do ano com lucro líquido de R$ 37,7 milhões, queda de 12,5% na comparação anual e de 15,3% frente ao trimestre anterior.
Já a rentabilidade seguiu em patamar ainda elevado, mas abaixo dos níveis que o banco se acostumou a entregar desde o IPO. O retorno sobre o patrimônio (ROAE) ficou em 19,1%, contração de 2,4 pontos percentuais (p.p) frente ao 1T25 e de 3,2 p.p na base sequencial.
Por outro lado, a receita contou uma história mais positiva. O faturamento com clientes avançou 7,7% em 12 meses, para R$ 106,7 milhões, enquanto a receita total atingiu R$ 134,8 milhões, alta de 5,7% no ano.
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Apesar da performance mais forte em receitas, o BR Partners operou no campo negativo da bolsa na sessão desta sexta-feira (8). As ações BRBI11 fecharam o pregão em queda de 3,47%, cotadas a R$ 17,53. Desde o início do ano, a desvalorização acumulada beira os 12%.
Segundo o diretor, parte dessa diferença entre receita e lucro é explicada por uma decisão estratégica — e que vai na contramão de boa parte do mercado: o aumento das despesas com pessoal.
“Nossa prioridade absoluta é ter times sólidos, bem formados e sócios comprometidos. Assim, ao longo do tempo, usufruímos dos resultados. Nossa média de ROE desde o IPO é acima de 20%. Mesmo nos anos difíceis, conseguimos manter esse patamar. Temos a disciplina de não crescer a qualquer custo para não cometer erros”, afirmou o executivo.
O investimento, que pressionou o resultado no trimestre, não é visto pelo banco como um desvio, mas como pilar estratégico para o futuro.
“Se não tivéssemos investido, poderíamos mostrar um lucro maior agora. Mas qual seria a sustentabilidade disso?”, questiona Carmona.
A estratégia é reforçar equipes, ampliar frentes de negócio e preparar a casa para capturar um ciclo mais favorável à frente — mesmo que isso custe rentabilidade no curto prazo.
É uma aposta que exige convicção, sobretudo em um momento em que outros bancos seguem na direção oposta, enxugando estruturas e reduzindo custos.
No BR Partners, o racional é outro. A expansão do time está diretamente ligada ao pipeline — o rol de negócios — que o banco diz estar construindo.
"Se estamos expandindo o time, é porque acreditamos que temos um horizonte benigno para crescer receita neste ano e no próximo”, afirma o executivo.
Segundo ele, o risco existe, como em qualquer investimento. “Pode ser que o pipeline não se materialize como esperado”, afirma.
Ainda assim, na visão do banco, o maior risco seria não investir e comprometer o crescimento futuro.
Ainda assim, o BR Partners avança na tentativa de mudar esse jogo.
Além disso, na visão do sócio, o problema não foi a execução ao longo do trimestre, mas sim o cenário de fundo.
Uma combinação de juros persistentemente elevados, ruído geopolítico e um mercado mais seletivo travou parte do ímpeto — especialmente em um banco cuja receita ainda responde, em boa medida, ao humor do ciclo econômico.
“Já estamos no terceiro ano com juros acima de 10%. Tem muita empresa que não aguenta mais pagar esse custo”, diz.
O impacto aparece de duas formas nos resultados. De um lado, decisões estratégicas são adiadas — fusões e aquisições (M&As), emissões de dívida e movimentos de mercado de capitais ficam mais lentos. De outro, aumenta a imprevisibilidade na conversão dos negócios.
“O pipeline está muito bom, mas a conversão ficou mais incerta. Tem deal que sai, tem outros que ficam pelo caminho. Depende muito do cenário”, afirma Carmona.
É nesse ponto que entra a principal aposta estratégica do banco: reduzir a dependência do ciclo.
Desde 2020, o BR Partners vem diversificando as fontes de receita, e o resultado já começou a aparecer nos números.
Enquanto o lucro de Investment Banking cresceu cerca de 10% no período, os negócios não cíclicos avançaram mais de 300% de lá para cá, levando a receita total a crescer 142% desde então.
Nesse processo, o segmento de Wealth Management, de gestão de fortunas, surge como peça-chave. O banco encerrou o trimestre com R$ 6,1 bilhões sob assessoria, ampliando uma base de receita recorrente e menos sensível aos solavancos do mercado.
“Quanto mais crescermos em Wealth, mais previsível ficará a receita”, diz Carmona.
Se parte do negócio sofre com a volatilidade, outra começa a se beneficiar diretamente dele.
A área de Capital Solutions, voltada para reestruturações de companhias, vem ganhando protagonismo à medida que empresas mais alavancadas sentem o peso dos juros elevados.
“O pipeline de reestruturação está enchendo de novo”, diz Carmona.
O executivo afirma que o banco já conquistou negócios relevantes recentemente, como a assessoria financeira da Oncoclínicas (ONCO3), e vê novas oportunidades surgindo à medida que companhias pressionadas pelo custo das dívidas buscam alternativas para reorganizar seus balanços.
“As empresas que não estão mais aguentando juros nesse patamar. Para nós pode ser bom no curto prazo, mas no longo prazo é ruim. Se o juro não cair, chega uma hora em que nem sobra empresa com caixa para reestruturar”, afirma.
Apesar do ruído neste trimestre, o tom da administração segue construtivo para 2026.
A expectativa do banco é de crescimento de lucro neste ano, ainda que com solavancos ao longo do caminho. Para o curto prazo, o segundo trimestre já deve mostrar melhora, de acordo com o diretor.
No horizonte mais amplo, o objetivo permanece o mesmo: sustentar a rentabilidade histórica entre 20% e 25%.
Mas o ritmo do otimismo depende de um fator-chave: o ciclo de juros no Brasil. “Esse juro precisa cair. Abaixo de 10%, o cenário muda completamente”, afirma Carmona.
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