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Após um 1T26 pressionado, Ricardo Moura aposta em melhora gradual da rentabilidade — sem abrir mão do conservadorismo
O primeiro trimestre ainda nem tinha engatado quando o cenário macroeconômico mudou — e isso impactou diretamente o resultado do Banco ABC Brasil (ABCB4) no 1T26.
Para um banco que já convive com a sazonalidade mais fraca do início do ano, 2026 trouxe um componente extra: juros que devem permanecer elevados por mais tempo e um ambiente global mais instável do que o previsto poucos meses antes.
“É um trimestre mais suave por natureza, mas, desta vez, tivemos fatores adicionais. 2026 começou com uma variável nova: um ambiente global mais incerto e juros que devem ficar altos por mais tempo”, afirmou o diretor de relações com investidores (DRI) do banco, Ricardo Moura, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A combinação ajuda a explicar um resultado que, embora tecnicamente sólido, ficou aquém do potencial que o próprio banco enxerga para o negócio.
O lucro líquido recorrente chegou a R$ 230,2 milhões no 1T26, crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período de 2025, mas queda de 16,4% na comparação trimestral.
Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que há anos ronda a casa dos 15% e 16%, caiu para 13,5%, um recuo de 0,54 ponto percentual (p.p) na base anual e de 2,83 p.p na comparação trimestral.
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Na visão de Moura, a rentabilidade carrega mais do que apenas a sazonalidade típica do início do ano: embute pressão de crédito, impacto de marcação a mercado e um pano de fundo macro que exige cautela redobrada.
Ainda assim, na leitura da gestão, o trimestre diz menos sobre uma perda de fôlego estrutural e mais sobre um ponto de partida, com vetores claros de melhora ao longo de 2026.
“O melhor momento de rentabilidade ainda está por vir”, afirma Moura.
No ABC Brasil, o primeiro trimestre costuma ser o mais fraco do ano. Menos dias úteis, menor atividade econômica e um ritmo mais lento de negócios fazem parte do padrão histórico.
Mas, em 2026, houve um ingrediente adicional: a mudança no cenário global. Segundo o CFO, o conflito no Oriente Médio alterou expectativas relevantes, especialmente em relação à trajetória de juros no Brasil.
A mudança no cenário global — com destaque para o conflito no Oriente Médio — alterou expectativas importantes, especialmente em relação à trajetória de juros no Brasil, segundo o CFO.
Com isso, o que antes parecia um ciclo mais claro de queda da Selic passou a ser visto como um processo mais lento, gradual e incerto. Isso também sinaliza um ambiente de crédito mais pressionado por mais tempo.
“A gente trabalha com queda de juros, mas uma queda mais comedida”, projeta Moura.
De acordo com o executivo, esse ajuste de cenário tem efeitos diretos sobre o negócio: pressiona o fluxo de caixa das empresas, aumenta o nível de atrasos e eleva o custo do crédito.
A despesa com provisões passou de 0,5% da carteira no primeiro trimestre de 2025 para 0,8% agora. Ainda assim, houve melhora em relação ao quarto trimestre, quando o índice estava em 0,9%.
Mesmo com esse pano de fundo mais apertado, o banco ABC Brasil conseguiu entregar crescimento de carteira de crédito dentro do planejado.
A expansão foi de pouco mais de 6,3% em um ano, em linha com o guidance (projeção) do banco, de crescimento entre 6% e 10% em 2026.
O segmento Middle Market avançou mais de 24% na comparação anual e ganhou participação no portfólio. É um movimento estratégico, mas conduzido com cautela, segundo o diretor.
“Qualquer aumento de participação do Middle é sempre gradual”, afirma Moura, que relembra que médias empresas tendem a ser mais sensíveis a ciclos de juros altos.
Por isso, o crescimento vem acompanhado de uma mudança de postura na originação. Colateralização elevada, garantias robustas e estruturas mais seguras passaram a ser prioridade.
“A gente está focado em operações com bons colaterais. Esse é o padrão para um ambiente mais defensivo. São níveis que mostram uma carteira bastante protegida”, diz Moura.
A avaliação do CFO é de que a inadimplência começa a se estabilizar — um “platô”, ainda dependente da trajetória dos juros, mas sem sinais de deterioração mais aguda até o momento.
Para o diretor, o ROE de 13,5% do 1T26 está abaixo do potencial que o banco acredita ser sustentável. “A gente trabalha para níveis maiores do que esse. E já estivemos nesses níveis antes.”
A melhora ao longo do ano deve vir de três frentes principais: a retomada da atividade após o primeiro trimestre, a queda — ainda que gradual — dos juros e a normalização das receitas de banco de investimento.
Além disso, há vetores estruturais em curso, como ganhos de eficiência e diversificação de receitas.
“São pequenos incrementos que vão se compondo ao longo do tempo”, diz o diretor.
Se o plano original do ABC Brasil previa alguma flexibilização na concessão de crédito ao longo de 2026, ele foi recalibrado.
O banco já operava com uma postura conservadora — e agora prevê manter esse perfil por mais tempo.
“O cenário nos fez entender que o cuidado precisa durar mais”, afirma Moura. “O principal risco sempre foi e continua sendo o risco de crédito. Temos que estar sempre com a guarda alta.”
No ABC Brasil, isso significa uma concessão mais seletiva, com foco em garantias, análise mais rigorosa de alavancagem e atenção redobrada à geração de caixa dos clientes.
Em um ambiente mais volátil, a estratégia passa também por diversificação de receitas. Produtos como derivativos, que se beneficiam de volatilidade, têm ganhado espaço. Outros, como consórcios, começam a ser explorados como alternativas em um cenário de juros elevados.
“Não é uma bala de prata”, diz o CFO. “Mas é mais um produto para ampliar nossa grade.”
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