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Companhia de IA criada há dois anos defende que pode reduzir tarefas de trabalho tediosas e navega neste mercado com gigantes da tecnologia
“Eu quero que a inteligência artificial lave minhas roupas e a louça para que eu possa fazer arte e escrever, não o contrário”. Essa frase de Joanna Maciejewska, uma usuária do X – antigo Twitter –, chamou a atenção da internet quando foi publicada, em 2024. Mas o que foi postado como uma brincadeira se assemelha ao objetivo de uma empresa de IA que não costuma ocupar os mesmos holofotes de gigantes como Google, Microsoft e OpenAI.
Ainda não é possível usar a tecnologia para obrigações domésticas, claro.
Mas a Genspark, uma companhia criada no Vale do Silício há dois anos, tem a missão de ajudar um bilhão de trabalhadores de atividades intelectuais ao redor do mundo a reduzir a semana de trabalho para três dias com a eliminação de tarefas mais operacionais.
Durante o evento AI Festival 2026, organizado pela StartSe, o cofundador da empresa de IA norte-americana, Justin Liu, conversou com o Seu Dinheiro sobre o papel da companhia no tabuleiro da inteligência artificial e os diferenciais em relação a outros players do mercado.

Segundo Liu, a Genspark nasceu de olho em uma oportunidade: o potencial de crescimento da inteligência artificial, que já estava a todo vapor em 2024.
Criada em Palo Alto, no estado da Califórnia, a empresa foi fundada por uma equipe de ex-funcionários de empresas grandes do setor como Meta, Google, Youtube e Pinterest.
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Inicialmente, o objetivo era criar um chatbot para pesquisas usando IA. Porém, os executivos perceberam um espaço além disso.
“As pessoas procuram pela informação e depois querem alguma demanda já pronta. Por isso, ano passado migramos de uma ferramenta de busca para uma iniciativa de agentes de inteligência artificial”, explicou o executivo.
Um agente de IA funciona como um funcionário virtual do usuário. Diferente de um chatbot, que só oferece respostas a perguntas específicas, os agentes têm a capacidade de resolver tarefas complexas a partir de capacidades que simulam a inteligência humana, como percepção do ambiente, raciocínio e aprendizado, por exemplo.
Com os agentes de inteligência artificial, o princípio da Genspark é oferecer um espaço de trabalho de IA “tudo-em-um”, chamado AI Workspace, que transforma a ideia do usuário em um projeto final.
De forma geral, o executivo defende que a IA deve remover o trabalho “tedioso” do dia a dia, como pesquisas e formatações de apresentações, para que os humanos foquem no que é exclusivo de pessoas reais, como a inovação.
Liu comenta que, entre as possibilidades da Genspark, está a criação completa de slides a partir de um comando do usuário, a triagem de reclamação de clientes e correção de bugs, anotação de pontos importantes de reuniões e gestão de problemas técnicos, por exemplo.
A ideia é funcionar como um “superagente” que atua em toda a camada de produção.
E isso já foi aplicado pela empresa na própria operação. “Quase 100% do nosso código hoje é escrito por agentes. Temos apenas algumas dezenas de engenheiros, mas conseguimos lançar um produto no ritmo de uma equipe de mil pessoas”, afirmou o executivo.
Segundo o cofundador da Genspark, a empresa tem um foco mais corporativo, diferente de outras ferramentas de inteligência artificial que são usadas de forma geral.
Ele explica que missão da companhia com essas iniciativas de redução de tarefas corporativas é ajudar trabalhadores a diminuírem a quantidade de dias de expediente na semana para somente três.
A companhia navega em um ambiente de concorrentes gigantes, como o Gemini, do Google, o Copilot, da Microsoft, e o ChatGPT, da OpenAI. Porém, Liu se sente confiante nesse mercado graças aos diferenciais da Genspark.
O executivo explica que, enquanto essas outras companhias focam em criar diferentes modelos de IA, a Genspark funciona como uma “orquestradora”.
O usuário descreve o resultado que quer e o sistema orquestra mais de 70 modelos de IA para entregar o produto final.
Cada gigante da IA tem uma especialidade, diz Liu. O Gemini, por exemplo, é o melhor em processar simultaneamente diferentes tipos de dados, como imagens, textos e áudios, enquanto o ChatGPT é conhecido por ter um raciocínio lógico melhor que os demais.
“Na Genspark, nossa missão é saber qual modelo funciona melhor para determinada tarefa. Nós temos uma forte parceria com todos esses players. Quando o usuário diz qual é a demanda, a nossa ferramenta escolhe o modelo certo e entrega o resultado de ponta a ponta.”
Após 12 meses do lançamento do AI Workspace, Liu destaca que a empresa atingiu uma receita anualizada de US$ 250 milhões — cerca de R$ 1,2 bilhão na cotação atual.
Além disso, a companhia é avaliada em US$ 1,6 bilhão (R$ 8 bilhões) e já recebeu investimentos de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões), tendo como principal investidor a empresa Emergence Capital, que está por trás de outras companhias de peso da tecnologia, como Salesforce e Zoom.
Em relação a outras empresas de inteligência artificial, a Genspark ainda tem indicadores financeiros pouco expressivos. Porém, o cofundador acredita que o cenário pode ser positivo daqui para frente.
“Muitas vezes é uma equipe pequena que consegue fazer uma inovação revolucionária, Pense no ChatGPT, por exemplo. Não surgiu do Google ou da Meta. Grandes empresas são ótimas na execução, mas quando se trata de inovar, uma companhia enxuta leva vantagem”, afirma.
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