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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

ALÉM DO LUCRO FRACO

“Gostaríamos de entregar um lucro maior”, diz diretor do Banco do Brasil (BBAS3) — mas pede que investidor olhe além do resultado

Após tombo no lucro e ROE pressionado, Geovanne Tobias defende que mudanças na estratégia já aparecem no balanço; veja o que ele disse

Camille Lima
Camille Lima
13 de maio de 2026
20:17
Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e RI do Banco do Brasil (BBAS3).
Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e RI do Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: William Seixas/Banco do Brasil

“Gostaríamos de entregar um lucro maior.” A frase de Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do Banco do Brasil (BBAS3), resume o tom do primeiro trimestre de 2026: um resultado pressionado — com tombo de mais de 50% no lucro —, mas que, na visão da administração, esconde sinais mais estruturais de mudança dentro do banco. 

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Para Tobias, o investidor que olhar apenas para a queda do lucro irá perder parte importante da fotografia do BB no 1T26.  

“Se o investidor olhar só esse número, vai deixar de ver coisas muito relevantes que já refletem a mudança na estratégia do Banco do Brasil para enfrentar esse momento mais conturbado de risco, principalmente na carteira rural”, afirmou, em videocast publicado nesta quarta-feira (13). 

O que o investidor do Banco do Brasil deveria olhar no balanço do 1T26, segundo o CFO 

Apesar da queda na rentabilidade, o alto escalão do Banco do Brasil argumenta que há sinais operacionais mais positivos no balanço. 

Na visão de Tobias, o principal deles é o avanço “incontestável” da margem financeira bruta — indicador que reflete a expansão da atividade de crédito e o relacionamento com clientes. 

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O indicador, que mede o resultado com operações de crédito após o custo de captação, subiu 14,8% em relação aos últimos 12 meses, a R$ 27,4 bilhões no 1T26. 

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“Isso demonstra que estamos crescendo o nosso negócio e fazendo mais operações com os clientes. Esse movimento aparece nas receitas de crédito, e a tesouraria também tem se beneficiado do próprio cenário macroeconômico”, disse o executivo. 

Capital garante fôlego para o Banco do Brasil (BBAS3) crescer 

Outro ponto enfatizado pelo banco é a posição de capital do Banco do Brasil.  

O índice de capital principal encerrou o trimestre em 11,59%, patamar que, segundo Tobias, garante fôlego para sustentar a expansão da carteira e, ao mesmo tempo, preservar a capacidade de geração de resultados no médio prazo. 

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“Foi muito importante garantir esse nível de capital confortável para financiar o crescimento. A capacidade de continuar gerando negócios é o que vai permitir a retomada do lucro daqui para frente”, afirmou Tobias. 

Segundo Tobias, o recado ao mercado é que o Banco do Brasil ainda tem espaço para crescer mesmo em um ambiente mais negativo para o setor financeiro e para o próprio BB.  

Crédito mais seletivo: foco em qualidade e retorno 

Esse crescimento, no entanto, vem com mudanças importantes na estratégia.  

O Banco do Brasil afirma ter ajustado o perfil da carteira de crédito, priorizando operações com melhor qualidade de garantia e maior retorno ajustado ao risco. Nessa estratégia, o portfólio de pessoas físicas ganha mais espaço. 

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“Conseguimos expandir o crédito com foco em operações de melhor qualidade e retorno. O reflexo disso aparece na margem financeira bruta”, disse Tobias. 

Ainda assim, o executivo reconhece que o momento é de transição e que a melhora dos resultados não será imediata. 

“Em que pese o lucro, estamos nessa fase de recuperação. Gostaríamos de oferecer um resultado maior aos acionistas, mas, olhando os detalhes da formação desse resultado, consideramos os dados extremamente positivos”, afirmou. 

Agronegócio no centro do ajuste 

O ponto mais sensível para o BB segue sendo o agronegócio, principal vetor da recente deterioração da inadimplência. 

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Para conter o avanço dos calotes na carteira rural, o Banco do Brasil vem promovendo uma revisão mais estrutural na forma de conceder crédito ao setor. 

Entre as mudanças, está o reforço nas garantias. O banco passou a utilizar com mais frequência a alienação fiduciária, modalidade considerada mais robusta, em substituição a instrumentos tradicionais como hipoteca e penhor de safra.  

Segundo Tobias, esse avanço foi viabilizado após renegociações no âmbito da medida provisória 1314.  

“Era muito importante dar um salto qualitativo nas garantias. Desenvolvemos uma matriz de resiliência e passamos a alocar capital nos clientes com melhor retorno ajustado ao risco”, disse o executivo. 

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Banco do Brasil vive transição, não virada imediata 

Mesmo com os ajustes, a própria administração do Banco do Brasil reconhece que a melhora dos resultados não será instantânea. 

O momento é de transição: preservar capital, ajustar a carteira e preparar o terreno para a retomada da rentabilidade. 

“Estamos nessa fase de recuperação. Gostaríamos de entregar um lucro maior, mas, olhando os detalhes, os dados são positivos”, disse o executivo. 

A aposta do banco é que, com uma carteira mais saudável e uma alocação de capital mais eficiente, a rentabilidade volte a ganhar tração — ainda que de forma gradual. 

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“Isso não acontece da noite para o dia. Leva tempo. Mas já começamos a ver os primeiros sinais dessa mudança”, afirmou Tobias. 

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