O novo teste do Nubank: banco digital entrega 1T26 sob nova cobrança dos investidores. O que esperar do balanço?
Para analistas, balanço deve trazer lucro em alta e crédito avançando, enquanto investidores se questionam se expansão segue “limpa” em 2026

O Nubank entrega o resultado do primeiro trimestre de 2026 (1T26) sob um novo tipo de teste. Depois de anos sendo cobrado pelo crescimento acelerado, o banco digital agora precisa provar algo mais difícil: que consegue expandir mantendo qualidade e rentabilidade.
Em meio às oscilações do setor e às preocupações crescentes dos investidores sobre inadimplência, a régua subiu — e a tolerância do mercado diminuiu.
Ainda assim, as projeções indicam que a fintech deve entregar mais um trimestre robusto, com lucro líquido estimado em US$ 879 milhões — o que representaria alta de 57,7% na comparação anual, segundo o consenso da Bloomberg.
A rentabilidade também deve seguir elevada, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) próximo de 31%, de acordo com estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro.
Mas, desta vez, os números sozinhos não contam toda a história. Agora, a pergunta que começa a dominar o debate entre investidores é quanto custa crescer nesse ritmo — e até que ponto esse crescimento continua vindo “limpo”, sem corroer margens ou elevar riscos.
Nubank no 1T26: crescimento forte, mas sob pressão
Na visão dos analistas, o Nubank chega a 2026 tentando equilibrar duas forças que nem sempre caminham juntas: manter o crescimento acelerado e, ao mesmo tempo, preservar eficiência em um ambiente mais difícil para o setor financeiro.
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A expectativa é de avanço consistente em receitas e crédito, sustentado por um mix mais favorável e maior monetização da base de clientes. Por outro lado, a estrutura de custos deve começar a pesar mais no curto prazo.
“2026 deve ser um ano de investimentos, com eficiência mais lateral”, prevê o JP Morgan.
A conta inclui expansão internacional, reforço em tecnologia — com destaque para inteligência artificial —, gastos com marketing para consolidação da marca global e até custos operacionais associados ao retorno aos escritórios.
Ainda assim, o fato de o Nubank sustentar um ROE próximo de 30% mesmo em meio a esse ciclo mais pesado de investimentos reforça, na leitura do JP Morgan, que o banco começa a operar com maior previsibilidade de retorno.
Para o Itaú BBA, o trimestre deve ser “misto” do ponto de vista de lucro, mas com sinais mais encorajadores na qualidade dos ativos.
“Os investidores precisam ter paciência com o fato de a Nu estar investindo mais em crescimento. A eficiência deve atingir seu pior nível no primeiro trimestre e, em seguida, começar a melhorar”, avaliam os analistas.
Enquanto isso, o Bank of America (BofA) chama atenção para a ausência de efeitos extraordinários que ajudaram resultados anteriores — ao mesmo tempo em que as despesas seguem elevadas no Nubank.
Do lado positivo, o UBS BB aponta um possível amortecedor dos resultados do Nubank no 1T26: a tributação.
Segundo os analistas, há sinais de que a alíquota efetiva pode se estabilizar em um patamar estruturalmente mais baixo do que o mercado costuma projetar, abrindo espaço para surpresas positivas recorrentes no lucro.
Crédito como motor — e teste de resistência
Para os analistas, o principal vetor de crescimento do Nubank continua sendo o crédito.
A expectativa é de expansão relevante da carteira, puxada principalmente pelo cartão de crédito — com limites mais altos sustentados por modelos mais robustos de análise de risco.
Até aqui, essa estratégia tem permitido ao banco crescer receita sem uma deterioração significativa da qualidade. Mas manter esse equilíbrio fica mais difícil em um ambiente de juros elevados.
Ao mesmo tempo, a operação internacional ganha mais tração. No México, os indicadores seguem avançando, com inadimplência ainda sob controle — um sinal relevante para uma frente que, até pouco tempo, era vista mais como opcional do que como vetor de resultado.
O próprio Nubank já deixou claro que Brasil e México continuam no centro da estratégia, com avanço no processo de obtenção de licença bancária no mercado mexicano — movimento que pode destravar novas avenidas de crescimento, segundo a administração.
Para o Goldman Sachs, esse conjunto de fatores mantém o Nubank como o “nome preferido” entre os bancos digitais no curto prazo, com receitas acima do consenso e espaço para novas alavancas operacionais.
“Apesar do aumento dos gastos, a companhia ainda colhe ganhos relevantes de eficiência”, dizem os analistas, que projetam crescimento da receita de crédito entre 25% e 43% ao ano nos próximos três anos.
Inadimplência pode começar a preocupar?
Nesta temporada de resultados, um ponto de atenção recorrente entre os bancos é a inadimplência.
O cenário macro mais apertado, com juros ainda elevados na casa dos 14%, trouxe de volta o debate sobre a qualidade do crédito, especialmente após sinais de deterioração em alguns pares do setor.
O Inter, por exemplo, chegou a despencar mais de 14% após o balanço do 1T26 trazer sinais de piora nos indicadores de qualidade, reacendendo o alerta no setor.
Mas, até aqui, os sinais vindos dos grandes bancos tradicionais ajudam a calibrar esse risco.
Os resultados de Itaú, Bradesco e Santander indicaram que, apesar de um aumento pontual nos atrasos — em grande parte por fatores sazonais —, a formação de créditos problemáticos permaneceu relativamente estável.
Na média do sistema, o índice de inadimplência entre 15 e 90 dias subiu cerca de 20 pontos-base no trimestre, para 3,66% — um movimento visto como controlado dentro do contexto atual para o setor.
“Com Itaú, Bradesco e Santander apresentando indicadores iniciais de inadimplência majoritariamente positivos, tendemos a interpretar esse resultado como positivo para o Nubank”, avalia o JP Morgan.
Conteúdo Empiricus
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