A riqueza mudou de endereço? A aposta do Grupo 3P para sair de R$ 1 bilhão a R$ 5 bilhões até 2029 – e ela passa longe da Faria Lima
Enquanto concorrentes disputam espaço nos grandes centros, assessoria ligada ao grupo BTG Pactual mira o interior para destravar expansão patrimonial

A próxima onda de riqueza do Brasil pode estar longe da Faria Lima. Esta é a aposta que sustenta o plano de crescimento do Grupo 3P, que prevê multiplicar por cinco o patrimônio sob custódia em três anos, de R$ 1 bilhão para R$ 5 bilhões até 2029.
Na visão do sócio-fundador do grupo, Felipe Chad, o principal motor dessa expansão está em um público ainda pouco explorado por boa parte do mercado: o investidor do interior.
“Existe uma geração relevante de riqueza acontecendo fora dos grandes centros, e ela ainda é subatendida”, disse Chad, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Para o executivo, regiões como o interior paulista concentram empresas sofisticadas, com atuação global, forte geração de caixa e exposição a setores como agro, indústria e logística.
Ainda assim, o nível de assessoria patrimonial disponível historicamente não acompanhou essa complexidade. “O problema nunca foi capacidade financeira. Foi acesso”, afirma.
É nesse descompasso que o Grupo 3P, assessoria ligada ao BTG Pactual, enxerga sua principal avenida de crescimento, não só pela oferta de mais produtos, mas pela capacidade de estruturar uma visão integrada de patrimônio.
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A proposta é levar para fora dos grandes centros um modelo que conecta investimento, crédito, proteção, sucessão e alocação internacional dentro de uma mesma estratégia.
Grupo 3P quer crescer — mas não a qualquer custo
A meta do Grupo 3P de sair de R$ 1 bilhão para R$ 5 bilhões em custódia está ancorada em duas alavancas principais: conquistar novos clientes e, ao mesmo tempo, aprofundar a relação com a base atual.
Na prática, isso significa ampliar o escopo de atuação sobre o cliente. Ao incorporar frentes como crédito, seguros, planejamento sucessório e investimentos internacionais, a 3P passa a capturar mais dimensões da vida financeira — e não apenas a alocação de portfólio.
O objetivo da estratégia é aumentar o “share of wallet” sem depender exclusivamente de conquistar novos clientes. “O cliente não quer mais uma relação fragmentada. Ele quer alguém que entenda o todo”, afirma Chad.
Interior no centro do mapa da 3P
A estratégia geográfica também está alinhada à estratégia da 3P. Em vez de uma expansão acelerada para novas praças, o grupo quer ganhar densidade onde já está, especialmente no interior paulista.
“Existe muito espaço para crescer onde já estamos. Antes de expandir, queremos aprofundar relacionamento e presença.”
Na visão do executivo, o mercado ainda associa sofisticação financeira à geografia, como se soluções mais complexas estivessem restritas aos grandes centros.
Mas, para ele, esse argumento já não se sustenta. “O empresário do interior exporta, opera cadeias produtivas complexas, faz gestão em escala global. Não faz sentido oferecer uma solução simplificada para esse perfil.”
O que esse investidor busca, segundo ele, é uma combinação de proximidade, confiança e profundidade técnica.
A aposta em tecnologia
O grupo também aposta em investimentos em tecnologia como diferencial competitivo.
A nova inteligência artificial da companhia, batizada de 3P One, reduz em até 95% o tempo necessário para estruturar uma análise patrimonial completa.
Na visão de Chad, o impacto vai além da eficiência. Ao automatizar a parte operacional, a tecnologia libera o assessor para atuar onde, de fato, gera valor: na estratégia e na tomada de decisão junto com o cliente.
“A IA organiza, projeta e aponta caminhos. Mas a decisão continua sendo humana. Já o assessor deixa de ser operador e passa a ser estrategista”, disse.
De olho nos riscos
Apesar da ambição acelerada, o próprio sócio da 3P reconhece que o principal risco de um plano de crescimento desta proporção não está só em encontrar demanda, mas em sustentar a qualidade ao longo do caminho.
“O maior risco é perder cultura, qualidade de atendimento e consistência”, avalia o executivo.
Por isso, embora aquisições e fusões (M&As) possam acontecer de forma pontual, o crescimento tende a ser majoritariamente orgânico.
“Mais do que crescer patrimônio, queremos crescer mantendo qualidade e profundidade”, afirma Chad.
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