Americanas vende 10 lojas do Natural da Terra para o Oba na busca de estrutura mais magra, enquanto corta prejuízo em 24,8% no 1T26
A melhora do resultado ocorreu em meio ao avanço das vendas, à redução das despesas operacionais e à evolução da estratégia de integração entre lojas físicas e digital

A Americanas (AMER3), que ainda tenta digerir o banquete indigesto da recuperação judicial, anunciou nesta quarta-feira (13) uma limpeza da gôndola: fechou a venda de 10 lojas deficitárias da rede Hortifruti Natural da Terra (HNT) localizadas no Estado de São Paulo para o grupo Oba Hortifruti a R$ 69,3 milhões.
Para quem olha de fora, pode parecer o preço de um cacho de uvas premium em época de entressafra, mas para a Americanas, o foco não é o ganho de capital imediato, e sim estancar o azedume dessas operações no balanço.
Junto com o negócio, a varejista anunciou um prejuízo líquido de R$ 336 milhões nas operações continuadas no primeiro trimestre de 2026, o que significa uma redução das perdas em 24,8% na comparação com o prejuízo de R$ 447 milhões apurado em igual período do ano anterior.
A melhora do resultado ocorreu em meio ao avanço das vendas, à redução das despesas operacionais e à evolução da estratégia de integração entre lojas físicas e digital.
A receita líquida da Americanas cresceu 20,2% no trimestre encerrado em março, para R$ 3,1 bilhões, enquanto o lucro bruto avançou 16,6%, para R$ 834 milhões. A margem bruta, porém, recuou 0,8 ponto porcentual, para 27,0%.
A venda das lojas do Natural da Terra
Assim como é possível fazer em um caixa do supermercado, o Oba optou por pagar a conta do negócio com a Americanas em prestações. O acordo prevê um desembolso inicial à vista de R$ 10,395 milhões na data de fechamento.
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O saldo remanescente será quitado em 24 parcelas mensais e sucessivas. E como ninguém quer ver o dinheiro murchar na prateleira, o montante será corrigido pela variação positiva do CDI.
Desde que o escândalo contábil de R$ 20 bilhões veio à tona, a Americanas tem sido obrigada a fazer uma dieta rigorosa. Vender essas 10 lojas é, na prática, separar o joio do trigo: a empresa mantém o que é rentável e passa adiante os ativos que estavam drenando o seu caixa.
Segundo o fato relevante, o contrato foi celebrado no "curso normal dos negócios", em mais uma tentativa da Americanas de mostrar ao mercado que ainda sabe selecionar as melhores frutas do cesto, focando no que realmente traz retorno.
Para o Oba, a aquisição é uma oportunidade de abocanhar pontos comerciais já estabelecidos, apostando que, sob uma nova gestão e com uma logística diferente, essas unidades possam finalmente amadurecer e dar bons frutos financeiros.
A transição será gradual e, como toda boa receita de mercado, ainda precisa do tempero final: o carimbo do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
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