Os bastidores da crise na Ambipar (AMBP3): companhia confirma demissão de 35 diretores após detectar “falhas graves”
Reestruturação da Ambipar inclui cortes na diretoria e revisão dos controles internos. Veja o que muda até 2026

A Ambipar (AMBP3) atravessa um dos capítulos mais conturbados de sua história — e decidiu abrir a caixa-preta. Em meio a uma tempestade perfeita, marcada por perda de confiança, turbulência financeira e dúvidas crescentes sobre sua governança, a companhia revelou os bastidores da crise.
Na noite da última segunda-feira (1º), a empresa sacudiu o mercado ao confirmar a demissão de 35 diretores e gestores, após identificar “falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos”.
O comunicado jogou luz à reestruturação da companhia em meio ao pedido de proteção contra credores em setembro, que antecedeu a recuperação judicial.
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Em outras palavras, a empresa admitiu ao mercado que está diante de uma falha estrutural de governança — e apresentou um plano de reconstrução para os próximos meses.
Por trás da revelação
O anúncio veio em resposta a questionamentos da B3. A operadora da bolsa B3 havia cobrado que a companhia demonstrasse a efetividade de seus mecanismos de fiscalização e controle, diante do pedido de medida cautelar e, especialmente, após notícias que apontaram inconsistências no processo.
O questionamento da bolsa mirava um ponto específico: uma reportagem do Valor Econômico que revelou que diretores haviam sido demitidos ainda antes do pedido de proteção inicial contra os credores.
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Questionada, a Ambipar não só confirmou a notícia, como também detalhou o que encontrou ao revisar sua política de gerenciamento de riscos.
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A estrutura antiga da Ambipar, sob o ex-CFO
Segundo a Ambipar, as irregularidades foram identificadas por meio do “monitoramento contínuo e avaliações periódicas” das estruturas de risco.
O diagnóstico levou à demissão quase completa da área responsável pelos controles internos: 35 profissionais foram desligados, incluindo diretores globais e gestores-chave.
“A Ambipar demitiu os diretores e gestores, em um total de 35 posições, ao constatar falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos”, escreveu a empresa.
Segundo o organograma apresentado pela empresa, as demissões atingiram o departamento jurídico, RH, área tributária, financeira, relações com investidores, integração e controladoria corporativa. Veja abaixo:

A empresa também destacou um ponto que já vinha reforçando: a estrutura onde as falhas foram detectadas estava sob responsabilidade direta do ex-diretor financeiro (CFO), João de Arruda.
Pouco após o início da crise na Ambipar, a empresa passou a apontar Arruda como a figura central que levou à deterioração financeira da companhia. Entenda os detalhes nesta reportagem especial.
O plano de reconstrução: uma Ambipar “enxuta e eficiente”
Com a estrutura antiga agora desmanchada, a Ambipar tenta traçar o futuro. A companhia anunciou que está implementando um conjunto de “mudanças faseadas” para reconstruir suas estruturas de governança, risco e compliance.
O objetivo geral deste plano de reestruturação é tornar a governança “mais enxuta e eficiente, adequada à realidade operacional da companhia” — uma mudança considerável, dado o tamanho que ela chegou a ter em meio ao período de intensa aquisição de ativos.
Confira a estrutura proposta:

A Ambipar espera concluir toda a implementação das mudanças até fevereiro de 2026.
"A companhia reitera seu compromisso com a manutenção e o contínuo aperfeiçoamento de suas estruturas de governança, fiscalização e controles internos, em conformidade com o regulamento do Novo Mercado e com as melhores práticas de mercado”, escreveu a empresa, em comunicado ao mercado.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a Ambipar afirmou que não iria comentar.
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