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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

UM NOVO MOTOR?

A entrada de US$ 1,5 bilhão no caixa da Vale (VALE3) — e o potencial “escondido” que pode destravar ganhos extras

Companhia revisa projeções para 2026 após mudanças em combustíveis, câmbio e commodities; Banco Safra vê alívio para preocupações do mercado

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
12 de maio de 2026
17:13
Vale
Vale (VALE3) - Imagem: Divulgação

A Vale (VALE3) revisou as projeções para 2026 e passou a enxergar um reforço de cerca de US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre da operação de minério de ferro, em meio aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre commodities, combustíveis e câmbio.

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A mineradora atualizou nesta terça-feira (12) as estimativas para o negócio de minério de ferro e também para a divisão de níquel da Vale Base Metals (VBM), considerando novas premissas de mercado e mudanças nas sensibilidades de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e geração de caixa.

O movimento acontece em um dia de aversão a risco nos mercados globais. As ações da Vale oscilaram entre perdas e ganhos ao longo do pregão, e o sinal vermelho falou mais alta: VALE3 encerrou o dia em queda de 0,24%, a R$ 83,25.

Na mesma linha, o minério de ferro encerrou o dia em baixa de 0,98% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,57) por tonelada.

Vale vê reforço no caixa mesmo após guerra

Segundo a Vale, as novas projeções incorporam os efeitos observados nos mercados antes e depois da escalada das tensões no Oriente Médio.

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A mineradora estima que o fluxo de caixa livre da operação de minério de ferro deve ganhar um reforço de cerca de US$ 1,5 bilhão em 2026. Desse total, aproximadamente US$ 1,2 bilhão deve vir do aumento do Ebitda da divisão, enquanto os programas de hedge cambial e de combustível devem adicionar cerca de US$ 425 milhões.

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Por outro lado, a companhia também prevê um aumento de US$ 100 milhões nos investimentos de manutenção.

A Vale ainda revisou as sensibilidades de Ebitda e geração de caixa da divisão de Soluções de Minério de Ferro para 2026, comparando dois cenários distintos: o período anterior ao conflito entre Estados Unidos e Irã e o ambiente de mercado após a escalada das tensões.

No cenário pré-conflito, a companhia considera as médias registradas entre janeiro e fevereiro deste ano projetadas para todo 2026, com minério de ferro a US$ 102 por tonelada, petróleo Brent a US$ 67 por barril, bunker (óleo combustível) a US$ 490 por tonelada e câmbio de R$ 5,27 por dólar.

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Já o cenário pós-conflito leva em conta o desempenho realizado entre janeiro e abril e os preços atuais projetados para o restante do ano.

Nesse ambiente, as premissas sobem para US$ 112 por tonelada de minério de ferro, US$ 104 por barril do Brent e US$ 675 por tonelada de bunker, enquanto o dólar cai para R$ 4,90.

Níquel pode surpreender o mercado

A mineradora também revisou as projeções para o segmento de níquel da VBM.

A Vale apresentou diferentes cenários de Ebitda e fluxo de caixa considerando preços do níquel entre US$ 16 mil e US$ 20 mil por tonelada, além de premissas para subprodutos como cobre, cobalto, ouro e metais do grupo da platina.

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Para o Banco Safra, os números divulgados pela Vale são positivos porque o aumento da sensibilidade do fluxo de caixa livre da divisão de minério de ferro não fazia parte do cenário-base do banco.

Na visão dos analistas, a atualização ajuda a reduzir parte das preocupações do mercado com a pressão sobre rentabilidade causada pela alta dos custos de caixa e de frete desde o início do conflito no Oriente Médio, fator que vinha pesando sobre as ações após o balanço do primeiro trimestre de 2026.

O Safra também avalia que o Ebitda do negócio de níquel pode superar as projeções do mercado caso as premissas de preços adotadas pela Vale se confirmem.

O cenário atual do banco considera preços médios do níquel de US$ 17,3 mil por tonelada em 2026 e US$ 17,6 mil em 2027, o que implicaria Ebitda de US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão, respectivamente.

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Mas, segundo os cálculos do Safra, se o níquel atingir US$ 18 mil por tonelada — premissa usada pela Vale — o Ebitda da divisão poderia avançar para US$ 1,55 bilhão em 2026 e US$ 2 bilhões em 2027.

Com base nas sensibilidades divulgadas pela mineradora, cada alta de US$ 1 mil no preço médio anual do níquel adiciona cerca de US$ 225 milhões ao Ebitda do negócio, o equivalente a um avanço de aproximadamente 15%.

“Mais importante ainda, a sensibilidade do fluxo de caixa livre é significativa: uma operação que anteriormente víamos como abaixo do ponto de equilíbrio pode passar a gerar fluxo de caixa positivo caso os preços permaneçam próximos dos níveis spot”, afirmou o Safra.

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