Ouro ultrapassa os US$ 5.500 pela 1ª vez e faz BTG elevar preço-alvo da Aura (AURA33) para US$ 87; Ibovespa alcança inéditos 186 mil pontos
Apetite dos BC, fuga do dólar e incertezas no Japão impulsionaram os metais preciosos a recordes, enquanto por aqui, o principal índice da bolsa brasileira reverberou a sinalização do Copom, dados e balanços nos EUA

Virou passeio. Mas dessa vez o Brasil não está perdendo de 7x1, muito pelo contrário. Quem está dando uma goleada — e com uma forcinha dos gringos — é o Ibovespa, que alcançou na manhã desta quinta-feira (29) a marca inédita de 186 mil pontos. E o principal índice da bolsa brasileira não está sozinho: o ouro também voltou a renovar recorde ao ser cotado a US$ 5.500 por onça-troy mais cedo.
O resultado? Apenas oito ações operaram no vermelho no Ibovespa. Do lado dos metais preciosos, Aura Minerals (AURA33) segue como recomendação de compra do BTG Pactual, que elevou hoje o preço-alvo do papel de US$ 48 para US$ 87.
O dólar à vista, por sua vez, foi na contramão dos ganhos do dia, operando em baixa. Na mínima da sessão, a moeda norte-americana chegou em R$ 5,1659, pressionando as exportadoras na bolsa. Os papéis da Suzano (SUZB3), por exemplo, recuaram mais de 4,64%.
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A marca inédita do Ibovespa e o dólar em queda
Os 186 mil pontos do Ibovespa vêm de uma junção de fatores: indicadores econômicos, balanços positivos nos EUA e o sinal do corte da Selic em março enviado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na decisão da quarta-feira (28).
Além disso, o fluxo global segue menos concentrado nos EUA — ainda mais depois da decisão de ontem do Federal Reserve (Fed) de manter os juros inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano sem dar sinais de retomada do ciclo de afrouxamento monetário no curto prazo.
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O movimento acaba levando os investidores para a Europa e para mercados emergentes, entre eles, o Brasil, e enfranquece o dólar.
"Com o mercado alinhado e apontando para cima, fica a pergunta: o que fazer agora? A resposta é: mapear oportunidades prestes a romper resistências, alocar com riscos calculados e seguir a
tendência", dissem Fabio Perina e Lucas Piza, do Itaú BBA.
Apesar do recorde intradia, o Ibovespa perdeu um pouco da força e recuou 0,84%, aos 183133,75 pontos. Em janeiro, o principal índice da bolsa brasileira acumula alta de 13,6%. O dólar à vista, por sua vez, recuou 0,25%, cotado a R$ 5,1936. No mês, a moeda norte-americana acumula perda de 5,4%.
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O ouro em novo recorde
Embalado pela busca dos investidores pela diversificação além do dólar e pelo apetite dos bancos centrais, o ouro bateu um novo recorde nesta quinta-feira (29) ao ultrapassar os US$ 5.500 por onça-troy, uma alta de quase 3,8%.
Na máxima, a commodity chegou a US$ 5.625, mas acabou fechando o dia valendo US$ 5.354,80, um aumento de 0,27%.
Em relatório, o Goldman Sachs aponta um outro fator que impulsiona o metal precioso: as preocupações com a trajetória fiscal e incerteza política do Japão.
“Uma resolução desses fatores poderia provocar uma correção temporária, enquanto qualquer novo aumento dos riscos geopolíticos ou fiscais poderia sustentar uma consolidação ou até preços mais altos”, afirmam os analistas Lina Thomas e Daan Struyven no relatório.
No longo prazo, o Goldman tem expectativa de continuidade na trajetória favorável para o ouro, impulsionada pela força estrutural das compras de bancos centrais de mercados emergentes.
O cenário-base do banco é de que o ouro esteja em US$ 5.400 por onça-troy até dezembro de 2026. No entanto, a estimativa tem risco altista, uma vez que ela não incorpora a possível diversificação adicional do setor privado — uma fonte extra de demanda.
A prata também acompanhou o movimento do ouro e seguiu em trajetória de alta, batendo máxima histórica: +0,78%, a US$ 121,78 a onça-troy.
“Esperamos que oscilações extremas de preços continuem — tanto para cima quanto para baixo — e aconselhamos clientes avessos à volatilidade a permanecerem cautelosos”, diz o banco.
Aura Mineral brilha como ouro
No embalo da disparada do ouro, o BTG Pactual voltou a aumentar o preço-alvo da Aura Minerals (AURA33), desta vez de US$ 48 para US$ 87 por ação, mantendo recomendação de compra. Com o papel a US$ 69,25, o banco calcula um potencial de valorização de 25,6% em 12 meses (além de dividendos).
Na leitura dos analistas Leonardo Corrêa e Marcelo Arazi, o rali do ouro está mudando a fotografia do setor — e o banco não vê o movimento como “apenas mais um ciclo”.
“Não achamos que seja apenas mais um ciclo do ouro; acreditamos que a alta atual tem características de ‘mudança de regime’, dada a importância estratégica crescente do ouro em um mundo com déficits fiscais elevados, tensões geopolíticas e diversificação do dólar”, diz a dupla.
Ainda assim, os analistas alertam que a alta “vem ao custo de maior volatilidade” e que não seria surpresa ver “pullbacks violentos” no caminho.
*Com informações do Money Times
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