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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

MENOS DRAMÁTICO, MAS AINDA TENSO

O Fed seguiu o roteiro e manteve os juros nos EUA. Para onde olhar agora para proteger seus investimentos? 

A decisão de política monetária desta quarta-feira (28) está longe de ser o clímax da temporada, que tem pela frente a substituição de Powell no comando do BC norte-americano

Camille Lima
29 de janeiro de 2026
7:05 - atualizado às 17:50
O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump. - Imagem: Flicker/FOMC / Canva PRO / Montagem Seu Dinheiro

Se os holofotes de Hollywood estão em Wagner Moura e no Agente Secreto — indicados ao Oscar de Melhor Ator e Melhor Filme —, em Washington o roteiro é muito menos dramático, mas igualmente tenso. Diferente do thriller político que conquistou a Academia, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. 

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Mas não se engane: se havia spoiler para a decisão desta quarta-feira (28), o clímax da temporada está justamente no que vem a seguir. São os próximos passos do banco central norte-americano que realmente importam para os investidores.  

“A decisão desta quarta já estava precificada pelo mercado. Os próximos movimentos é que serão realmente importantes. O investidor, a partir de agora, tem que olhar para as chances de haver ou não a politização do Fed”, disse Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.  

O plot twist que o mercado espera 

Se na ficção o personagem de Wagner Moura lida com sombras e disfarces, Jerome Powell lida com dados claros, mas de interpretação difícil — são os sinais do Fed sobre o que pode acontecer daqui para frente que dão o tom da trama.  

O primeiro deles veio da própria decisão, que não foi unânime. Stephen Miran e Christopher Waller defenderam um novo corte de 25 pontos-base (pb) nesta quarta-feira (28).  

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Para a Capital Economics, a decisão de Waller de votar por uma redução da taxa agora alimenta especulações sobre uma possível tentativa de se credenciar para a presidência do Fed. Powell deixa o comando do BC dos EUA em maio.  

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A consultoria britânica destaca ainda que Miran, indicado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que anteriormente defendia um corte maior, desta vez apoiou uma redução mais moderada, o que pode sinalizar uma tentativa de se alinhar ao restante do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês). 

Mas o plot twist que o mercado espera não veio agora.  

De acordo com a consultoria britânica, as mudanças no comunicado do Fomc após a manutenção dos juros reforçam a avaliação de que o Fed “provavelmente não voltará a cortar as taxas por pelo menos mais algumas reuniões”. 

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Durante a coletiva desta quarta-feira (28), Powell disse o que pode levar o BC norte-americano a voltar a cortar os juros no curto prazo: a queda dos preços nos EUA.  

Ele espera ver “os efeitos das tarifas sobre os preços das mercadorias atingirem o pico e, em seguida, começarem a cair, assumindo que não haja novos aumentos tarifários significativos”.  

“É isso que esperamos ver ao longo deste ano. Se isso acontecer, será um sinal de que podemos afrouxar a política monetária”, afirmou Powell. 

Por que isso importa para o seu bolso? 

Para o investidor brasileiro, o Oscar da política monetária dita o ritmo do câmbio, da atratividade da renda fixa e também da bolsa brasileira. 

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Enquanto os juros lá fora permanecerem em nível elevado, o dólar tende a manter sua força global, pressionando os ativos emergentes. Na contramão, o afrouxamento nos EUA enfraquece a moeda norte-americana e aumenta o apetite do gringo por ativos de países como o Brasil.  

Mas, nessa conta, entra um novo elemento: a pressão que Trump tem feito pela substituição de Powell no comando do Fed. 

“A polarização política do Fed é muito prejudicial aos EUA. Como efeito colateral da interferência de Trump no banco central norte-americano temos a desvalorização do dólar, que beneficia ativos globais de maneira mais geral”, afirma Spiess.  

Felipe Guerra, fundador e CIO da Legacy, acredita que toda essa pressão de Trump sobre o Fed não passa de ruído.  

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“Há um board, então a decisão de juros nos EUA não depende de uma só pessoa. Dificilmente o Fed sairá do prumo com a mudança de um membro. Para isso, seria necessário algo mais radical, como uma mudança total do board, o que não é o cenário base”, disse ele durante evento do UBS nesta quarta-feira (28).  

Como proteger seus investimentos 

Powell deixará a presidência do Fed em maio deste ano, mas antes mesmo da janela para a troca do comando do Fed, Trump já vinha intimidando o chefe do BC dos EUA a cortar os juros — e essa pressão pode ser favorável aos seus investimentos.  

Entre os favoritos a ocupar a vaga de Powell estão Rick Rieder, diretor de investimentos da BlackRock, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed.  

Na Polymarket, uma plataforma de apostas, Rieder aparece em primeiro lugar com 41%, seguido de Wash, com 27%.  

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Ambos são nomes bem-vistos por Trump. Mas a interferência política no Fed é considerada perigosa porque mina a credibilidade do banco central, o que pode levar a decisões focadas no curto prazo eleitoral em detrimento da estabilidade econômica de longo prazo.  

Além disso, a independência do Fed é crucial para controlar a inflação e o emprego via taxas de juros com base em dados técnicos, e não em pressões políticas. 

“O que está acontecendo com os EUA, Fed e Trump é muito similar com os regimes populistas na América Latina, ou com o que aconteceu na Turquia, onde [Recep Tayyip] Erdogan acabou se tornando, na prática, o presidente do banco central”, afirma Spiess, da Empiricus.  

Neste cenário turbulento, o analista da Empiricus recomenda que os investidores busquem proteção no ouro — o metal vem renovando recordes em meio às tensões geopolíticas, ao maior apetite dos bancos centrais ao redor do mundo, que buscam alternativas ao dólar, e às incertezas ligadas ao Fed.  

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“Recomendamos uma exposição de 2,5% a 5%, sendo 2,5% para os investidores mais arrojados e 5% para os mais conservadores, isso considerando exposição também às mineradoras”, diz Spiess, acrescentando que o ouro, embora seja uma reserva de valor, é muito volátil.  

Seu Dinheiro fez uma matéria especial sobre os investimentos em ouro, prata e outros metais que têm subido desde o fim do ano passado e você pode conferir aqui os detalhes.  

Spiess também reforça a necessidade de diversificação geográfica dos investimentos em um momento de indecisão sobre o comando do maior banco central do mundo.  

“Vale a pena ter dinheiro no Brasil, mas recomendo internacionalizar uma parte da carteira com Europa e até mesmo com China”, afirma o analista da Empiricus.  

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Ulrike Hoffmann, head global de equities e CIO para as Américas no UBS Global Wealth Management, também vê a China como uma boa opção de diversificação para o investidor brasileiro. 

“Vemos a China como uma forma de diversificar qualquer risco, e o investidor se beneficia ainda mais se surgir um algoritmo de IA [inteligência artificial] mais eficiente, que pode vir da China e não dos EUA”, disse.  

Rodrigo Azevedo, fundador da Ibiuna Investimentos, lembra, no entanto, que isso não significa acabar com a exposição ao mercado norte-americano.  

“Um dos pontos mais importantes de se investir nos EUA é a previsibilidade. Quando as políticas de Trump começam a quebrar essa previsibilidade, essa regra é testada”, afirmou.  

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“A ideia de interferência no Fed, que pode gerar inflação, tem feito com que o dólar perca o status de reserva de valor absoluta, e isso faz com que as pessoas reduzam o tamanho de sua alocação nos EUA. Mas esse movimento não significa que os EUA não são bons, e sim que é preciso sair de uma posição overweight [de sobrealocação]”, acrescenta Azevedo. 

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