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No câmbio, o dólar à vista fechou em alta, voltando a ficar acima dos R$ 5,00; confira o que mexeu com os mercados nesta quarta-feira (29)

O mercado financeiro viveu nesta quarta-feira (29) um daqueles pregões que testam o sistema nervoso até do investidor mais resiliente. Em um dia marcado por uma tempestade perfeita que uniu tensões geopolíticas, incertezas sobre a sucessão no Federal Reserve (Fed) e a ansiedade pré-Copom, o Ibovespa encerrou em queda livre, enquanto o dólar subiu.
Após renovar uma série de mínimas no dia e perder os 185 mil pontos, o principal índice da bolsa brasileira terminou em baixa de 2,05%, aos 184.750,42 pontos — o pior nível desde o final de março. A moeda norte-americana, por sua vez, fechou em alta de 0,39%, a R$ 5,0018.
Se o cenário doméstico já inspirava cautela com a divulgação dos dados do Caged — 613.373 vagas criadas no primeiro trimestre, queda de 9,1% em base anual — e a espera pela decisão da Selic, o "banho de água fria" veio mesmo do Hemisfério Norte.
Em Nova York, o clima de apreensão foi ditado por dois palcos: a Casa Branca e a sede do Federal Reserve.
O presidente norte-americano, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã, ordenando um bloqueio prolongado aos portos do país e rejeitando propostas de reabertura do Estreito de Ormuz.
O resultado imediato foi uma disparada nos preços do petróleo — com o Brent, referência internacional, saltando 6% para a casa dos US$ 118 — o que, por tabela, carimbou o passaporte da inflação global para níveis mais altos.
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Jerome Powell, em sua provável última coletiva à frente do Fed, não suavizou o discurso. Ao manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, o Comitê de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês) mostrou uma divisão rara, com quatro membros dissidentes, algo que não se via desde 1992.
Powell foi enfático: os preços de energia ainda não atingiram o pico e a inflação de curto prazo está ainda mais no radar do banco central dos EUA.
Para os investidores, a mensagem foi lida sem subtítulos: a chance de cortes de juros ainda em 2026 pelo Fed parece ter "ido por água abaixo", empurrando as apostas de flexibilização para o longínquo dezembro de 2027.
Por aqui, o Ibovespa não teve para onde correr. Nem mesmo o fôlego da Petrobras (PETR4), com alta de 3,03%, beneficiada pela alta do petróleo, foi suficiente para segurar o tranco.
Isso porque outra titã da bolsa, a Vale (VALE3) cedeu 5,84%, castigada pelo sentimento de aversão ao risco global, e também pela falta de consenso sobre o desempenho financeiro do primeiro trimestre de 2026.
Para fechar a trinca de pressão sobre o Ibovespa, o setor financeiro: os bancões operaram nas mínimas da sessão, refletindo o desconforto com a curva de juros.
As bolsas de Nova York encerraram a sessão desta quarta-feira (29) sem direção única em meio à decisão do Fed e balanços corporativos no radar, além do cenário ainda incerto no Oriente Médio.
Os índices ampliaram levemente as perdas após o banco central norte-americano manter os juros entre 3,50% a 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva, mas se recuperaram no fim do pregão.
Com isso, o Dow Jones fechou em baixa de 0,57%, aos 48.861,81 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,04%, aos 7.135,95 pontos, e o Nasdaq subiu 0,04%, aos 24.673,24 pontos.
No mercado de renda fixa norte-americano, os yields (rendimentos) dos Treasurys avançaram de forma consistente. Os juros projetados pelo título de 10 anos — a referência do mercado internacional — atingiu 4,414%, enquanto o de 30 anos beliscou os 4,983%.
A transição de comando no Fed também adicionou uma camada de névoa. Com a indicação de Kevin Warsh para substituir Powell, o mercado projeta um Fed menos inclinado a concessões, especialmente com a nova configuração do Conselho de Governadores.
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