Adeus com rebeldia: Powell se despede do comando do Fed com marca histórica em nova decisão sobre juros nos EUA
A taxa seguiu inalterada como esperado pelo mercado, mas a maior rebelião interna do Fed desde 1992 marca o que deve ser a última reunião de Powell como presidente do banco central norte-americano

Jerome Powell está de saída da presidência do Federal Reserve (Fed), mas não sem antes registrar um marco histórico que rompe com o consenso que foi sua marca registrada por oito anos: presenciou um nível de discórdia entre os membros do banco central norte-americano sobre os juros que os corredores de Washington não viam desde outubro de 1992.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa referencial no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. Mas, o que parecia ser uma manutenção rotineira, amplamente precificada pelo mercado, transformou-se em uma votação dramática de 8 a 4.
A dissidência veio de quatro frentes com motivações distintas. De um lado, o governador Stephen Miran votou por um corte de 0,25 ponto percentual (pp), mantendo a postura flexível que defende desde que assumiu o cargo em 2025.
Do outro, um trio formado pelos presidentes regionais Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis) e e Lorie Logan (Dallas) rebelou-se contra a linguagem do comunicado.
Embora concordassem com a manutenção dos juros, eles se opuseram à inclusão de um "viés de flexibilização" no texto.
O pontos de discórdia: o futuro dos juros
O ponto de discórdia foi a palavra "adicionais" ao se referir a futuros ajustes, o que sinaliza que o próximo movimento provavelmente seria de queda.
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Para esse grupo, o alerta é claro: a inflação persiste acima da meta de 2%, impulsionada por preços globais de energia e pelas tarifas impostas pela administração de Donald Trump, tornando perigoso qualquer compromisso implícito com cortes de juros.
A reação dos mercados foi menos conflituosa. Em Wall Street, os três principais índices da bolsa de Nova York seguiram operando em queda. Por aqui, o Ibovespa também se manteve operando no vermelho, com perdas acima de 1%.
O cenário econômico e o mandato duplo
Enquanto a inflação preocupa, o mercado de trabalho mostra resiliência. Em março, o payroll, principal relatório de emprego dos EUA, mostrou a abertura de 178 mil vagas, superando as expectativas, com a taxa de desemprego recuando para 4,3%.
Dados da ADP de abril reforçam que o cenário do mercado de trabalho norte-americano é saudável, o que retira a urgência de estímulos monetários por enquanto.
Mas, do lado da guerra no Irã, os membros do Fomc reconheceram que as incertezas são elevadas. O comitê classificou a inflação como elevada, em comparação com a classificação anterior de “ligeiramente elevada”, citando os preços globais da energia.
Segundo comunicado com a decisão, os indicadores recentes nos EUA sugerem que a atividade econômica vem crescendo a um ritmo sólido, enquanto a taxa de desemprego tem apresentado poucas variações.
O Fomc pontuou que segue monitorando as implicações de informações para a perspectiva econômica e que está preparado para ajustar a política monetária se riscos surgirem.
"As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo indicadores das condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, bem como desdobramentos financeiros e internacionais", diz o comunicado.
*Com informações do Money Times
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