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Embora tenha afirmado que será um governador low-profile, a permanência no conselho até 2028 pode ser uma barreira para possíveis interferências políticas no banco central norte-americano

A seleção brasileira venceu a Bolívia por 3 a 1 em 1997, conquistando a Copa América em La Paz. Muita gente pode não lembrar da partida, mas certamente não esquece do desabafo que o técnico Mario Jorge Lobo Zagallo fez à imprensa logo após a vitória: “Vocês vão ter que me engolir!”. Nesta quarta-feira (29), reservadas as devidas proporções, Jerome Powell mandou o mesmo recado ao mercado.
Naquele longínquo 1997, Zagallo vivia a mesma coisa que Powell enfrentou à frente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Críticos pediam a saída do velho lobo e a entrada de um técnico como Vanderlei Luxemburgo, além de questionarem seu estilo de jogo e o patriotismo do treinador.
Powell passou os dois últimos anos sob pressão de Donald Trump. Antes mesmo de assumir a Casa Branca pela segunda vez, o republicano, ainda em campanha, defendia a substituição do presidente do Fed por algum nome favorável a juros mais baixos.
O que veio depois foi digno de uma torcida raivosa: Trump chegou a xingar Powell publicamente, questionou seu conhecimento em política monetária e travou uma batalha na justiça — que acabou encerrada sem condenação — sobre a idoneidade do chefe do Fed.
Assim como Zagallo, Powell resistiu. A cada coletiva, dizia que tomava decisões dependentes de dados econômicos e guiadas pelo mandato duplo definido pelo Congresso norte-americano (estabilidade de preços em 2% e pleno emprego).
Nesta quarta-feira (29), Powell, em tom mais refinado, também disse “vocês vão ter que me engolir” ao conversar com a imprensa após a decisão de política monetária que manteve a taxa de juros inalterada entre 3,50% e 3,75% ao ano.
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O mandato de Powell como presidente do Fed acaba no dia 15 de maio, e havia dúvidas se ele continuaria como governador do banco central norte-americano, cujo mandato vai até 2028.
“Vou continuar no Fed como governador. Pretendo ser um governador low-profile", disse Powell ao ser questionado logo no início da coletiva desta quarta-feira (29) sobre sua permanência no conselho do banco central norte-americano.
Antes da decisão do Fed de hoje, o comitê bancário do Senado dos EUA votou para avançar na indicação de Kevin Warsh, indicado de Trump para liderar a autoridade monetária.
O Seu Dinheiro acompanhou o depoimento de Warsh no Congresso e você pode conferir aqui o que ele pensa e como pretende conduzir os juros daqui para frente.
“Eu fui governador [do Fed] por seis anos antes de me tornar presidente. Sei que é muito difícil conseguir consensos entre tantos membros. Minha intenção não é interferir e sim trabalhar com o novo presidente [do Fed]”, disse Powell.
Além de ter dedicado à vida à seleção brasileira (como jogador e na comissão técnica), Zagallo também era famoso por não ter papas na língua, especialmente quando era para defender seu trabalho e os jogadores das críticas da imprensa — algo que dificilmente um presidente de banco central costuma fazer. Mas esta quarta-feira (29) foi diferente.
Powell se permitiu falar um pouco da pressão vinda da Casa Branca, afirmando que sua maior preocupação com relação ao novo presidente do Fed é o ataque de Trump ao banco central norte-americano.
“Minha maior preocupação é o ataque ao Fed. E isso não é uma crítica aos políticos eleitos, mas as ações legais do Executivo são sem precedentes na nossa história, podendo fragilizar instituições e confudir a população. É fundamental que o Fed aja sem influência política”, afirmou.
Para Powell, permanecer como governador pode ser uma forma de blindar a independência da instituição, depois de enfrentar questões que vão desde tentativas de intimação pelo Departamento de Justiça até investigações sobre reformas no prédio do Fed.
Além disso, paira no ar a possibilidade de substituição de presidentes regionais do Fed, uma medida à qual Powell poderia resistir mesmo fora da cadeira da presidência.
Powell deixa o comando do Fed em um cenário de incertezas, onde o equilíbrio entre a independência monetária e a pressão política nunca foi tão frágil.
O mercado, que não prevê mudanças nos juros até 2027, agora aguarda para ver se o próximo capítulo da história do banco central norte-americano será escrito sob a marca da coordenação ou do confronto.
Ao encerrar a coletiva desta quarta-feira (29), Powell fez questão de dizer a todos: “Não vejo vocês na próxima!”, e deixou a sala sob aplausos e risadas dos jornalistas presentes.
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