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Lucro da mineradora cresce no 1T26, mas pressão de custos e Ebitda considerado fraco pelo mercado limitam reação positiva das ações; saiba o que fazer com relação aos papéis agora

A Vale (VALE3) começou 2026 no azul, com um lucro líquido de US$ 1,89 bilhão no primeiro trimestre, uma alta de 36% na comparação anual e uma reversão frente ao prejuízo do quarto trimestre de 2025. Ainda assim, o desempenho decepcionou boa parte do mercado — as ações da mineradora estiveram entre as maiores baixas do Ibovespa nesta quarta-feira (29).
O ponto central está no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que veio abaixo das projeções e evidenciou uma pressão crescente de custos, ofuscando parte da melhora operacional da companhia.
As ações da companhia ocuparam o segundo lugar no pódio das maiores baixas do Ibovespa, fechando em queda de 5,85%, a R$ 79,45. No ano, no entanto, os papéis acumulam alta de 10,4%.
A XP Investimentos classificou os números do 1T26 como marginalmente abaixo do esperado. O Ebitda ajustado proforma somou US$ 3,9 bilhões, cerca de 3% abaixo do consenso de mercado.
Segundo a corretora, a pressão de custos acabou ofuscando os ganhos de receita impulsionados pela alta das commodities e pelo bom desempenho comercial da Vale.
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A mineradora registrou custos unitários marginalmente mais altos em todas as suas linhas de negócio.
O custo caixa C1, um dos principais indicadores do setor, subiu 12% na comparação anual, para US$ 23,6 por tonelada de minério de ferro — acima do guidance da própria companhia, que projeta entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada em 2026.
“Ventos contrários de custo, principalmente por fatores macro, adicionaram pressão ao desempenho financeiro da Vale”, afirmam os analistas da XP.
Segundo a instituição, a alta do C1 está ligada principalmente à desvalorização do dólar e ao giro de estoques.
Por outro lado, houve um ponto de alívio: os custos com frete recuaram 3%, mesmo diante da alta do petróleo,refletindo a estratégia de afretamento de longo prazo da companhia.
Por outro lado, o Bradesco BBI avalia os resultados como neutros em termos de reação de mercado, mas positivos sob a ótica operacional.
No minério de ferro, a leitura é de que a empresa conseguiu manter controle razoável de custos, mesmo diante de pressões como câmbio, combustíveis e fretes, ao mesmo tempo em que sustentou volumes e preços realizados.
Em metais básicos, o cenário é considerado construtivo, com redução dos pontos de equilíbrio de Ebitda, maior contribuição de subprodutos e preços mais elevados no mercado internacional.
Para João Tonello, analista da Benndorf Research, a Vale Base Metals (VBM) ganhou protagonismo dentro da companhia.
“A divisão deixou de ser coadjuvante e passou a ser protagonista”, afirma, ressaltando que a Vale segue como uma empresa operacionalmente eficiente, apesar de alguns indicadores mais fracos.
O JP Morgan também apontou que os números vieram levemente abaixo do esperado, com Ebitda 3,3% inferior às suas estimativas.
A diferença, segundo o banco, está ligada principalmente a custos mais altos e receitas de subprodutos aquém do projetado, impactadas por ajustes provisórios de preços.
Ainda assim, a instituição destaca pontos positivos:
Diante disso, o banco afirma que veria uma eventual queda das ações como oportunidade de compra.
Durante a teleconferência com analistas nesta quarta-feira (29), a companhia detalhou os fatores que pressionaram o trimestre e reforçou a estratégia para o restante do ano.
O vice-presidente executivo comercial, Rogério Nogueira, afirmou que o impacto da guerra no Oriente Médio foi neutro tanto para o mercado de minério quanto para a oferta global da commodity.
“O Irã segurou a produção de aço, mas também deixou de exportar minério. Os efeitos acabaram se anulando”, disse. “Vemos o mercado mais amplo e estável, apesar do conflito”, acrescentou.
Já o CFO da companhia, Marcelo Bacci, reforçou que os principais impactos de custos no trimestre vieram do câmbio, do petróleo e de fatores sazonais, mas destacou que a companhia trabalha para aumentar sua resiliência.
“Estamos construindo uma companhia desenhada para ser resiliente”, afirmou.
Segundo ele, a Vale segue confiante na redução de custos ao longo do ano, mesmo diante da volatilidade do petróleo.
Bacci também indicou que a parcela da dívida ligada às reparações de Mariana e Brumadinho deve começar a cair entre 2026 e 2027.
De acordo com o executivo, a empresa não deve alterar os critérios da dívida líquida expandida até o fim de 2027.
Ao fim do primeiro trimestre, a dívida líquida expandida estava em cerca de US$ 17,8 bilhões, refletindo um aumento sazonal já esperado. A companhia trabalha com uma faixa entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, com foco no centro desse intervalo.
O CFO reiterou ainda a visão positiva para a geração de caixa no ano e indicou o caminho para a remuneração aos acionistas.
Segundo ele, quando a dívida líquida expandida recua para abaixo de US$ 15 bilhões, a Vale tende a combinar recompras de ações com dividendos extraordinários como forma de retorno de capital.
“A tendência é que esse número caia para abaixo de US$ 15 bilhões”, afirmou.
Bacci ponderou, no entanto, que ainda não é o momento de tomar decisões sobre essa alocação.
“O momento de tomar essa decisão não é agora, é mais no segundo semestre. Devemos adotar uma estratégia mais equilibrada entre recompras e dividendos extraordinários”, disse.
Bacci lembrou que, no ano passado, a remuneração extraordinária foi feita integralmente via dividendos, em função do contexto tributário. Para este ano, a expectativa é usar ambas as frentes, em proporção ainda a ser definida.
Além disso, a mineradora já indicou que avalia combinar recompra de ações com pagamento de dividendos extraordinários nos próximos trimestres, dependendo da evolução dos indicadores financeiros.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a prioridade da companhia após estabilizar a VBM é acelerar o crescimento da divisão.
Segundo ele, uma eventual abertura de capital (IPO) não é um objetivo em si e dependerá das condições de mercado. “A prioridade é operar bem”, disse.
Pimenta também destacou a satisfação com o desempenho do cobre, metal que vem ganhando relevância no portfólio da companhia. “Quanto mais exploramos, mais animados ficamos”, afirmou.
De acordo com o executivo, a Vale segue entregando desempenho forte em cobre e níquel e mantém confiança na entrega de mais um ano sólido em 2026, apesar das incertezas de curto prazo.
Ele também ressaltou que a disciplina na alocação de capital permanece inalterada e que o cenário global reforça a importância de empresas resilientes.
As recomendações para as ações da Vale seguem divididas, com leituras que variam entre cautela no curto prazo e otimismo estrutural.
A Genial Investimentos recomenda a manutenção das ações, com preço-alvo de R$ 90, sustentado pela expectativa de um rendimento de fluxo de caixa livre de 6% em 2026.
A XP também adota postura neutra, com preço-alvo de R$ 85. A avaliação é de que a Vale segue relativamente mais atrativa do que seus pares globais e pode se beneficiar da entrada de capital estrangeiro no Brasil.
Já o BTG Pactual manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 85,50, ao considerar que os resultados do primeiro trimestre foram pressionados por fatores sazonais.
“Com os preços das matérias-primas próximos dos seus níveis máximos, os efeitos sazonais prestes a diminuir e a empresa bem protegida contra a inflação de custos, acreditamos que a tese de compra se mantém intacta”, afirmaram os analistas.
O banco ainda projeta um retorno com dividendos de 8% para a Vale em 2026.
Por outro lado, destacou que o pagamento de dividendos e as despesas operacionais contribuíram para o aumento da dívida líquida no primeiro trimestre — indicador usado para decisões sobre eventuais dividendos extraordinários.
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