Em meio à pressão do mercado por resultados melhores, Roberto Funari deixará comando da Alpargatas (ALPA4)
Os últimos trimestres têm sido de decepção para analistas e investidores, com projeções cada vez mais conservadoras. Os papéis ALPA4 acumulam queda de mais de 60% nos últimos 12 meses.

Há apenas uma semana da divulgação do seu balanço do primeiro trimestre de 2023 (04), a Alpargatas vive uma movimentação intensa em seu alto escalão. Após pouco mais de quatro anos, Roberto Funari deixará o comando da companhia. O executivo renunciou ao cargo.
Funari será substituído de forma interina por Luiz Fernando Ziegler, atual membro do conselho. Segundo o comunicado emitido pela Alpargatas, a empresa seguirá com a sua proposta de se tornar uma empresa “global, inovadora, sustentável, de marcas desejáveis e hiperconectadas”.
Ao longo dos últimos anos, a Havaianas reforçou a sua posição dentro do mercado nacional e também internacional — com forte presença no exterior, se tornando até mesmo objeto de desejo.
A ambição internacional, no entanto, tem cobrado o seu preço. A empresa vem passando por apuros desde que anunciou a compra da marca americana Rothy's, por US$ 800 milhões, no fim de 2021.
Na visão dos analistas, a Alpargatas tem tido dificuldades em fazer com que os seus números reflitam o preço pago pela companhia — o cenário competitivo nos Estados Unidos, que era uma grande aposta, virou uma grande preocupação, e as sinergias ainda se mostram frágeis.
Como resultado, os últimos trimestres têm sido de decepção para analistas e investidores, com projeções cada vez mais conservadoras. Os papéis ALPA4 acumulam queda de mais de 60% nos últimos 12 meses.
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Nos últimos três meses do ano, o lucro líquido recorrente de Havaianas foi de R$ 81 milhões, queda de 46% ante o mesmo período de 2021. No ano, a queda foi de 23% (R$ 439 milhões). O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou mais de 15% na base anual, a R$ 152,6 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 3,2%, indo a R$ 1,103 bilhão.
A companhia encerrou o quarto trimestre com posição financeira líquida negativa em R$ 612 milhões. Na época, as ações da companhia levaram uma verdadeira “chinelada”, com um recuo de quase 20%.
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