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BLOQUEIO INÉDITO

Fictor na mira: Justiça bloqueia bens de sócios e vê sinais de fraude contra investidores

Decisão mira patrimônio pessoal dos envolvidos enquanto credores tentam recuperar parte de bilhões captados pelo grupo

Grupo Fictor, holding patrocinadora do Palmeiras, entra com pedido de recuperação judicial.
Grupo Fictor patrocinava o Palmeiras - Imagem: Divulgação

As disputas judiciais envolvendo o Grupo Fictor acabam de entrar em uma nova fase. Desta vez, o foco da Justiça deixou de ser apenas as empresas do conglomerado: agora, o patrimônio de seus sócios também entrou na mira.

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Em uma decisão recente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) autorizou, pela primeira vez desde o início da crise da Fictor, o bloqueio de bens de pessoas físicas ligadas ao grupo.

Segundo a Justiça, a decisão é resultado de indícios de irregularidades na captação de recursos e do risco de que parte do patrimônio possa desaparecer antes do desfecho dos processos.

Vale lembrar que o processo corre em segredo de Justiça. Além disso, a decisão acontece pouco depois de o Judiciário incluir dezenas de outras empresas ligadas à Fictor ao processo de recuperação judicial. Agora, a ação engloba 43 companhias.

A disputa judicial na Fictor

A medida foi determinada no âmbito de uma ação movida por um credor que questiona operações estruturadas por meio de sociedades em conta de participação (SCPs) e fundos associados à marca Fictor — mecanismos utilizados pelo grupo para captar recursos de investidores.

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Ao analisar o caso, a juíza Adriana Sachsida Garcia entendeu que há elementos suficientes para justificar uma intervenção preventiva da Justiça, com o objetivo de preservar ativos que possam eventualmente ser utilizados para ressarcir credores.

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Na decisão judicial, a juíza afirma que existem “fortes indícios de ilicitude” envolvendo as operações investigadas e menciona o contexto mais amplo em que o grupo aparece citado, incluindo episódios ligados à liquidação extrajudicial do Banco Master e outras investigações em andamento.

Para a juíza, também há um risco concreto de que os responsáveis possam se desfazer de bens antes da conclusão do processo — um cenário que justificaria a adoção de medidas cautelares para evitar a dilapidação patrimonial.

“Há razoável receio de que os executados possam entrar em estado de insolvência ou venham a se desfazer dos bens que futuramente poderiam prestar a garantia de seus credores”, diz o documento.

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Sócios da Fictor na mira

Com base nessa avaliação, a Justiça autorizou o bloqueio de ativos financeiros vinculados aos réus por meio do sistema SisbaJud, mecanismo utilizado pelo Judiciário para localizar e travar valores em contas bancárias.

O limite inicial fixado foi de R$ 50 mil por pessoa.

Além disso, a decisão determina a realização de buscas patrimoniais em outros sistemas judiciais, como o Renajud — que permite localizar veículos registrados em nome dos investigados — e o Infojud, utilizado para acessar informações fiscais.

Embora o valor inicial do bloqueio seja relativamente tímido, advogados avaliam que o gesto da Justiça tem um peso relevante, já que cria precedente para casos semelhantes.

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O "enriquecimento ilícito" na Fictor

O pano de fundo dessa disputa é um passivo bilionário. Segundo informações apresentadas na recuperação judicial da Fictor, o grupo acumula dívidas superiores a R$ 2,7 bilhões com mais de 12 mil investidores — a maior parte deles vinculados às estruturas de SCP utilizadas para captação de recursos.

Na mesma decisão, a juíza afirma que as circunstâncias descritas nos autos “sugerem fortemente a intenção de enriquecimento ilícito, por meio de fraude perpetrada contra a economia popular”.

A análise do caso também considera alegações de confusão patrimonial entre empresas do grupo e a possibilidade de abuso da personalidade jurídica — uma prática que, se comprovada, permite que a Justiça ultrapasse a separação entre empresa e sócios para atingir diretamente bens pessoais.

Para o advogado Vitor Gomes Rodrigues de Mello, a decisão representa um passo relevante para garantir que eventuais prejuízos com a Fictor possam ser ressarcidos.

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“O bloqueio dos bens dos sócios demonstra que o Judiciário está atento às manobras de blindagem patrimonial e disposto a ir além da pessoa jurídica quando há indícios claros de fraude e abuso. Trata-se de uma medida essencial para proteger os credores e garantir que o processo não se torne inócuo”, afirmou.

Segundo ele, a própria estrutura montada pelo grupo pode dificultar a rastreabilidade dos recursos captados ao longo dos anos. Isso porque as operações envolveriam uma multiplicidade de empresas, fundos e estruturas societárias conectadas ao mesmo grupo econômico.

*Com informações do Money Times.

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