Para não entrar pelo cano, a Dexco (DXCO3), dona da Deca e Duratex, reduz linhas de produtos e vende ativos
O desafio de recolocar os negócios no prumo é ainda maior diante do desaquecimento do mercado de materiais de construção e dos juros altos, que elevaram bastante as despesas com empréstimos

A Dexco (DXCO3), dona das marcas Deca, Portinari, Hydra, Duratex e Castelatto, está passando por uma longa reestruturação dos negócios, com redução da linha de produtos, fechamento de fábricas e venda de ativos.
Com R$ 5,51 bilhões em dívida líquida, o objetivo é tentar melhorar a margem de lucro e reduzir o endividamento, que pesa sobre os resultados e gera desconfiança entre analistas e investidores.
Após a publicação do balanço de 2025, na quinta-feira passada, as ações da Dexco caíam perto de 5%, figurando entre as maiores baixas da bolsa.
O desafio de recolocar os negócios no prumo é ainda maior diante do desaquecimento do mercado de materiais de construção e dos juros altos, que elevaram bastante as despesas com empréstimos.
Resultados 4T25
A Dexco teve queda de 64% no lucro líquido na passagem de 2024 para 2025, ficando em R$ 63 milhões. Excluídos ganhos e perdas considerados não recorrentes, a contração foi menor, de 47%, para R$ 107,5 milhões.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado e recorrente ficou estável em R$ 1,6 bilhão. A receita líquida também não andou, estagnada em R$ 8,2 bilhões.
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A dívida líquida da companhia era de R$ 5,51 bilhões no quarto trimestre, recuo de 1,2% em relação ao trimestre anterior. Com isso, a alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) caiu de 3,48 para 3,35 vezes. Em 2025, a companhia desembolsou R$ 936 milhões com despesas financeiras líquidas, montante 54% maior na comparação anual.
Como está a reestruturação da Dexco
Na visão dos analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG Pactual, a empresa tem avançado gradualmente na redução da alavancagem por meio da venda da sua base de florestas, mas entendem que isso não é uma solução definitiva para os problemas.
Além disso, eles apontam que a reestruturação das linhas de revestimentos cerâmicos e de metais e louças sanitárias ainda é limitada.
"Continuamos a acreditar que o mercado precisará de maior confiança antes de se comprometer totalmente com essa tese", escreveram os analistas em relatório. "Acreditamos que o mercado gradualmente ganhará confiança na história, desde que a execução continue melhorando."
Ricardo Monegaglia, analista do Safra, considera fundamental a Dexco avançar na venda de ativos para reforçar a geração de caixa e o controle do endividamento. "Continuamos a defender a necessidade de a Dexco vender ativos para reduzir a dívida e as despesas financeiras", diz, em relatório.
Fim de fábricas e linhas de negócios
A Dexco vem de um longo ciclo de investimentos que coincidiu com a queda nas vendas de materiais de construção no país e a subida dos juros, o que afetou em cheio seus negócios. Com isso, passou a revisar sua estratégia.
Na divisão de louças e metais sanitários, o grupo encerrou as atividades da fábrica da Deca em João Pessoa, na Paraíba, em julho de 2025, concentrando as operações na unidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. E passou também a priorizar produtos de maior valor agregado e maior rentabilidade, com expectativa de melhora gradual das margens neste ano.
Na divisão de revestimentos cerâmicos, a situação é parecida. A companhia suspendeu parte das linhas de produção localizadas na Região Sul. Com a base industrial mais ociosa, houve perda de escala e aumento do custo de produção, impactando o lucro. Mas o objetivo foi reduzir estoques e se voltar também para itens mais "premium", com margem maior.
"Reconhecemos a necessidade de acelerar ajustes internos: reduzir complexidade, endereçar ociosidade e elevar a execução em frentes críticas, desde o go-to-market (ações de vendas) à eficiência industrial, passando por desenvolvimento das fábricas e captura de produtividade", disse o presidente da Dexco, Raul Guaragna, na apresentação de resultados. Segundo ele, os indicadores financeiros estão "abaixo do potencial" da companhia.
Venda de ativos
Além da mudança nas fábricas e nas linhas de produto, a Dexco está vendendo bases florestais que não serão usadas por sua divisão de painéis de adeira. Em janeiro, anunciou a venda de 1,2 milhão de metros cúbicos de ativos florestais, transação cujo valor não foi revelado.
Ainda em janeiro, a Dexco obteve R$ 200 milhões com a venda de participação minoritária na subsidiária Jatobá Florestal a um investidor, via subscrição de novas ações. A Jatobá atua na exploração e na comercialização de ativos florestais e arrendamento de terras.
A Dexco criou também um novo braço empresarial, a Duratex Negócios Florestais (DNF), com o objetivo de expandir os negócios envolvendo a sua base de florestas e a produção de madeira.
A diretora de Administração e Finanças da Dexco, Lucianna Raffaini, disse que o grupo quer gerar mais valor com os ativos. "São novas avenidas estratégicas de crescimento que incluem o trade de madeira, a rentabilização de resíduos florestais como o cavaco, e a expansão florestal."
A diretora também reiterou que a desalavancagem é "prioridade máxima". A empresa anunciou que espera reduzir a alavancagem de 3,35 vezes, no fechamento de 2025, para cerca de 2,7 vezes até dezembro, por meio de avanço na geração de caixa e venda de ativos operacionais e não operacionais.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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