Ação deste banco “novato” na bolsa pode dobrar de valor — e quatro casas de análise já recomendam a compra
Modelo híbrido que combina atendimento físico e banco digital para aposentados do INSS chama a atenção de analistas; descubra qual a ação

O Agibank (AGBK) mal desembarcou em Wall Street e já conquistou uma torcida de peso entre analistas. Quatro grandes casas passaram a cobrir a ação praticamente ao mesmo tempo: Itaú BBA, Morgan Stanley, Citigroup e BTG Pactual.
E há um ponto em comum entre todas elas: todas iniciaram a cobertura com recomendação de compra.
O entusiasmo chama atenção principalmente porque a abertura de capital (IPO) da companhia acabou saindo abaixo do esperado, o que deixou parte dos investidores cautelosos com o papel.
Para os analistas, porém, a leitura é diferente. Na visão dessas instituições, o banco ocupa um nicho pouco explorado dentro do sistema financeiro brasileiro, com potencial relevante de crescimento tanto para o negócio quanto para a ação.
As projeções de preço refletem esse otimismo. Confira:
| Banco | Recomendação | Preço-alvo | Potencial |
|---|---|---|---|
| Morgan Stanley | Compra | US$ 21 | 100% |
| BTG Pactual | Compra | US$ 17 | 61% |
| Citigroup | Compra | US$ 18 | 71% |
| Itaú BBA | Compra | US$ 16 | 52% |
Com a ação negociada perto de US$ 10,50, os preços-alvo indicam um espaço considerável para valorização, segundo as estimativas dos analistas.
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Mas o que explica tanto entusiasmo em torno de um banco que acabou de estrear no mercado?
Por trás do otimismo com o Agibank
Para os analistas, o Agibank ocupa uma posição relativamente rara no sistema financeiro brasileiro. O banco combina serviços digitais com uma rede física própria, voltada principalmente para clientes idosos e de renda mais baixa.
Hoje, a instituição conta com cerca de 1 mil pontos de atendimento físicos, chamados de Smart Hubs, que funcionam como centros de apoio para clientes que ainda preferem o contato presencial.
Esse modelo híbrido ajuda o banco a ganhar espaço em um dos segmentos mais importantes do crédito brasileiro: o crédito consignado do INSS.
Nos últimos anos, a participação da instituição nesse mercado cresceu rapidamente. Segundo o BTG, o Agibank saiu de 2,3% da folha de pagamentos do INSS em 2021 para cerca de 9% em 2025. E conseguiu fazer isso mantendo os custos relativamente sob controle.
O resultado aparece nos indicadores de rentabilidade. O banco registra um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de cerca de 40%, muito acima do patamar de 20% que muitos investidores consideram uma espécie de referência para instituições financeiras.
Crescimento acelerado pela frente
Para o Itaú BBA, o Agibank ainda está nos estágios iniciais de sua expansão. Analistas esperam um crescimento anual composto próximo de 30% tanto na carteira de crédito quanto nos lucros entre 2025 e 2027.
Ao mesmo tempo, a ação ainda negocia a múltiplos considerados relativamente baixos, segundo os analistas. Nos cálculos do BBA, o papel está sendo negociado a cerca de 7,2 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L) e de 1,7 vez o valor patrimonial projetado (P/VP).
Para os analistas, esse nível de valuation parece atraente quando comparado ao perfil de crescimento e rentabilidade da empresa.
O motor da estratégia: o consignado do INSS
No centro da estratégia do Agibank está um dos maiores mercados de crédito do país, o consignado para beneficiários do INSS. Hoje, cerca de 42 milhões de brasileiros recebem benefícios do instituto, muitos deles aposentadorias de aproximadamente R$ 2 mil mensais.
Criado em 2003, esse mercado cresceu de forma consistente ao longo dos anos e hoje movimenta cerca de R$ 280 bilhões em crédito.
Além disso, o envelhecimento da população brasileira tende a ampliar ainda mais esse público nos próximos anos.
Dentro desse universo, o Agibank vem expandindo sua presença rapidamente. A instituição possui atualmente 6,4 milhões de clientes ativos, dos quais 3,3 milhões são beneficiários do INSS. Entre esses clientes, cerca de 65% a 70% possuem empréstimos consignados.
A carteira total de crédito do banco gira em torno de R$ 35 bilhões, sendo que aproximadamente 87% estão concentrados em produtos com algum tipo de garantia, o que reduz o risco de inadimplência.
O segredo da rentabilidade
Embora o consignado seja a porta de entrada para muitos clientes, ele não é o único motor de resultados do banco. Uma parcela menor da carteira, de cerca de 13%, está em crédito sem garantia.
Mas esses empréstimos são concedidos apenas para clientes que recebem seus benefícios do INSS diretamente pelo Agibank, o que reduz o risco da operação.
Mesmo representando uma fatia menor da carteira, esse segmento responde por cerca de 60% dos resultados operacionais, segundo o BTG.
Essa estratégia ajudou a reduzir significativamente os níveis de inadimplência no Agibank. De acordo com os analistas, a taxa de atraso nesse tipo de crédito caiu de mais de 25% em 2018 para cerca de 8,4% atualmente.
Venda cruzada: a outra peça do modelo
Outro elemento importante na estratégia do Agibank é o uso intensivo de vendas cruzadas. A partir do relacionamento criado com o crédito consignado, o banco oferece aos clientes outros produtos, especialmente seguros.
Segundo o BTG, esse segmento tem se mostrado particularmente lucrativo, sobretudo no mercado de seguros de vida, onde as comissões de corretagem são mais elevadas.
O Itaú BBA vê esse movimento como parte essencial da estratégia da instituição.
O consignado, por si só, é um mercado competitivo e com spreads relativamente baixos. A rentabilidade maior vem justamente da capacidade de ampliar o relacionamento com o cliente e vender produtos adicionais.
“A eficácia da venda cruzada de outros empréstimos e seguros pelo Agi impulsiona as receitas e a eficiência, o que é fundamental para sua vantagem competitiva e para o ROE superior a 30%”, afirmam os analistas.
Atendimento humano como diferencial
Enquanto muitos bancos tradicionais reduzem o número de agências físicas, o Agibank segue o caminho oposto. A instituição aposta em seus Smart Hubs como um diferencial importante para atrair e reter clientes.
Segundo o Itaú BBA, esse modelo faz especialmente sentido para o público mais velho. “Para clientes seniores, um canal físico com atendimento humano especializado, combinado com uma plataforma digital, é extremamente valioso para atrair, reter e converter clientes”, afirmam os analistas.
Na visão do banco, essa pode ser justamente a razão pela qual muitos bancos digitais têm dificuldade para ganhar escala no consignado, mesmo oferecendo taxas competitivas.
Os Smart Hubs também têm uma vantagem operacional: são mais baratos de manter do que agências tradicionais, o que ajuda a preservar a eficiência.
Os riscos da estratégia
Apesar do entusiasmo dos analistas, o modelo do Agibank também traz alguns riscos. O principal deles é a alta dependência do crédito consignado ligado ao INSS.
Segundo o Citi, cerca de 73% da carteira de empréstimos do banco está vinculada a esse tipo de operação, o que deixa a receita mais exposta a mudanças regulatórias.
“O banco também está sujeito a gargalos regulatórios, como demonstrado por suspensões anteriores do INSS. Empréstimos para folha de pagamento e melhorias contínuas na eficiência também são considerações importantes”, diz o banco.
No início de dezembro, o INSS suspendeu por tempo indeterminado a autorização de novas averbações de crédito consignado, interrompendo temporariamente a concessão desse tipo de empréstimo.
Somente em 24 de fevereiro, mais de três meses depois, as operações voltaram a ser liberadas. Para o BTG, esse episódio deve afetar os resultados no curto prazo.
Os analistas esperam um quarto trimestre de 2025 e um primeiro trimestre de 2026 mais fracos, com uma aceleração gradual dos resultados ao longo do restante do ano.
Além disso, o primeiro trimestre de 2025 foi excepcionalmente forte, o que deve tornar as comparações anuais mais desafiadoras.
*Com informações do Money Times.
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