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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

NOVA PREFERIDA

Esqueça a Vivo (VIVT3): para o JP Morgan, há ações de telecom ainda mais interessantes na bolsa brasileira e no exterior

Mesmo após melhorar as projeções para a Telefônica Brasil, banco diz que o preço da ação já reflete boa parte do cenário positivo e revela uma alternativa mais atraente

Camille Lima
Camille Lima
9 de março de 2026
11:49 - atualizado às 11:50

Durante anos, a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, foi vista como o porto seguro das telecomunicações brasileiras. Uma empresa previsível, líder de mercado e conhecida por pagar dividendos generosos.  

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Mas, para o JP Morgan, há uma diferença importante entre uma boa empresa e uma boa ação. Após revisar suas estimativas para o setor depois dos resultados do quarto trimestre de 2025, o banco norte-americano chegou a uma conclusão que, à primeira vista, parece contraditória. 

A casa melhorou suas projeções para a Vivo e chegou a elevar o preço-alvo para as ações VIVT3. No entanto, os analistas continuam recomendando que investidores reduzam exposição ao papel

A leitura parece paradoxal. Afinal, se o negócio vai melhor do que o esperado, por que se desfazer da ação? 

Por que vender ações da dona da Vivo (VIVT3)? 

Segundo os analistas, a resposta está menos no desempenho da dona da Vivo (VIVT3) e mais no preço que o mercado já está disposto a pagar por ele. 

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Embora a Vivo continue entregando resultados sólidos e tenha perspectivas operacionais mais favoráveis para os próximos anos, a avaliação da ação já parece refletir boa parte desse cenário, na visão do JP Morgan. 

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Ainda assim, os resultados recentes da operadora foram fortes o suficiente para levar o banco a revisar para cima várias das projeções operacionais da Telefônica Brasil.  

A melhora reflete principalmente o desempenho recente da companhia, que tem conseguido extrair ganhos de eficiência em áreas como vendas e marketing. 

Para o primeiro trimestre de 2026, os analistas projetam continuidade no ritmo de crescimento da companhia.  

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A expectativa é de que a receita de serviços móveis avance, ajudada pelos de reajustes recentes de preços nos planos pós-pagos e controle em março. 

Outro vetor importante deve continuar sendo a fibra óptica. O JP Morgan projeta adição líquida de cerca de 220 mil assinantes de FTTH, acelerando em relação ao trimestre anterior. 

Com isso, o banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 31 para R$ 35. Mas há um detalhe importante. Mesmo com essa revisão positiva, o preço-alvo ainda implica retorno total negativo de cerca de 11%, considerando dividendos. 

O problema não é o negócio. É o valuation 

Na avaliação do banco, a Telefônica Brasil continua sendo uma operadora com fundamentos sólidos. Entre os pontos positivos destacados pelos analistas estão: 

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  • A qualidade da rede, considerada superior à de muitos concorrentes; 
  • A forte presença no segmento pós-pago, que tende a ser mais rentável e menos volátil; e 
  • Uma base de clientes mais resiliente em cenários econômicos adversos. 

Mesmo assim, o JP Morgan argumenta que o potencial de crescimento estrutural da companhia é limitado, principalmente quando comparado ao de outras operadoras da América Latina.  

Isso reduz o espaço para surpresas positivas nos resultados ao longo dos próximos anos. E é justamente nesse ponto que entra a questão do valuation.  

Hoje, as ações da Vivo negociam a cerca de 11,1 vezes o fluxo de caixa operacional livre projetado para 2026, oferecendo um yield de fluxo de caixa livre em torno de 7%.  

Em termos absolutos, o número não parece exagerado, segundo os analistas. O problema aparece quando essa avaliação é comparada com a de outras empresas do setor. 

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Na visão do JP Morgan, a Vivo negocia com um prêmio relevante em relação aos seus pares. Por isso, o banco mantém recomendação underweight para o papel — equivalente à venda. 

Telecom: a preferência no Brasil mudou de endereço 

Se a Vivo já não é a favorita do banco no Brasil, quem ocupa esse lugar? O JP Morgan escolheu a rival Tim (TIMS3) para assumir a posição. 

O banco também revisou suas estimativas para a operadora após incorporar o guidance (projeção) divulgado pela companhia. As novas projeções apontam para crescimento de 5% na receita de serviços em 2026, com margens Ebitda superiores a 51% nos próximos anos. 

O banco também aumentou ligeiramente o preço-alvo da ação, de R$ 26 para R$ 26,50, praticamente em linha com o último fechamento.

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Mas, outra vez, o ponto central da tese está menos no crescimento e mais na comparação de valuation. Enquanto a Vivo negocia a 11,1 vezes o fluxo de caixa operacional, a Tim aparece a 8,7 vezes. 

Além disso, o yield de fluxo de caixa livre estimado para 2026 é maior: 8,3%, contra 7% da Vivo. 

Para os analistas, essa combinação de valuation mais baixo e geração de caixa robusta torna a Tim uma alternativa mais atraente do que a Vivo. Ainda assim, a recomendação para TIMS3 é neutra.

A telecom preferida do JP Morgan não está no Brasil 

Apesar da preferência relativa pela Tim no Brasil, a principal aposta do JP Morgan para o setor de telecomunicações na América Latina está fora do mercado brasileiro. 

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Trata-se da Millicom International Cellular, conhecida na região pela marca Tigo, que recebe selo outperform, equivalente à compra. 

Segundo o banco, a companhia pode se beneficiar de uma possível recuperação do mercado colombiano, um dos principais mercados em que atua. 

Caso esse cenário se confirme, os analistas acreditam que há espaço para melhora relevante nos resultados operacionais e na geração de caixa da empresa.  

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