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Pacote envolve três companhias do grupo e conta com apoio da controladora e da BNDESPar; veja os detalhes

A Simpar (SIMH3) está preparando uma injeção de capital bilionária para fortalecer seu grupo de empresas.
A holding anunciou na noite de quinta-feira (5) um pacote de aumentos de capital que pode movimentar entre R$ 2,2 bilhões e R$ 3,1 bilhões nas três principais empresas do grupo: a própria Simpar, a locadora de veículos Movida (MOVI3) e a companhia de locação de caminhões e equipamentos Vamos (VAMO3).
A operação conta com o apoio de alguns dos principais investidores do grupo, incluindo a BNDESPar, divisão de participações do BNDES, além da JSP Holding, holding da família Simões e controladora da companhia, e outros coinvestidores institucionais.
Segundo a companhia, o objetivo da operação é fortalecer a estrutura de capital do grupo e apoiar o plano de crescimento de longo prazo.
“A operação atesta o nosso compromisso com governança e geração de valor, além da confiança dos investidores no nosso modelo de gestão e no potencial de extração de valor do ecossistema que construímos nos setores de logística, mobilidade e infraestrutura”, afirmou Fernando Simões, CEO da Simpar, em nota.
Na visão da empresa, a capitalização também deve trazer efeitos positivos como:
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O grupo afirma ainda que o movimento está alinhado ao planejamento estratégico das empresas e à execução de iniciativas de longo prazo voltadas ao desenvolvimento das cadeias de logística, mobilidade e infraestrutura no país.
A maior parte dos recursos será destinada à própria holding. Segundo o comunicado enviado ao mercado, a Simpar pretende levantar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, por meio da emissão de novas ações ao preço de R$ 11,24 por papel.
A capitalização será ancorada pela controladora JSP Holding, pela BNDESPar e por investidores institucionais que participarão da operação.
Nas subsidiárias, os valores são menores, mas ainda relevantes para o reforço financeiro das companhias.
A Movida, focada no aluguel de automóveis, poderá captar entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões, com preço de emissão definido em R$ 11,72 por ação.
Já a Vamos, que atua na locação de caminhões, máquinas e equipamentos pesados, planeja levantar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões, com papéis emitidos a R$ 3,85.
Nas duas subsidiárias, os aportes serão feitos principalmente pela Simpar e pela BNDESPar.
O Bradesco BBI e o Santander Brasil atuarão como assessores financeiros das empresas nas operações.
A participação da BNDESPar é uma das peças centrais da operação. De acordo com os termos divulgados ao mercado, o braço de participações do BNDES poderá investir até R$ 1,35 bilhão no conjunto das três empresas:
Apesar do tamanho do cheque, foram estabelecidos limites de participação. A BNDESPar poderá comprar no máximo 50% do total de ações emitidas em cada aumento de capital, respeitando ainda um teto de até 10% de participação acionária em cada companhia.
Além disso, a operação abre uma porta para um investimento adicional dentro do grupo. Segundo o comunicado, a BNDESPar poderá adquirir até 5% do capital da JSL, empresa de serviços logísticos da Simpar, em uma transação que pode chegar a R$ 112,2 milhões.
Essa opção de compra poderá ser exercida em até 30 dias após a conclusão do aumento de capital. Caso seja efetivada, os recursos recebidos pela Simpar serão utilizados para fortalecer ainda mais sua estrutura financeira e sustentar o plano de expansão do grupo.
A controladora JSP Holding também participará do reforço de capital.
De acordo com a estrutura da operação, a holding e coinvestidores institucionais poderão aportar até R$ 800 milhões na Simpar, sendo até R$ 300 milhões da JSP e até R$ 500 milhões de outros investidores.
Parte desses recursos poderá ser redirecionada para as subsidiárias: a Simpar poderá investir até R$ 203 milhões nas operações de aumento de capital das controladas, sendo R$ 113 milhões na Movida e R$ 90 milhões na Vamos.
Os aumentos de capital serão realizados com direito de preferência aos atuais acionistas, que poderão subscrever as novas ações proporcionalmente às suas participações.
Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os compromissos já firmados com BNDESPar, JSP Holding e investidores institucionais garantem a viabilidade da operação.
Após a conclusão da capitalização, a BNDESPar ainda terá um direito adicional: por um período de três anos, o banco poderá participar de futuros aumentos de capital da Movida, Vamos e JSL até atingir uma participação de até 10% no capital social de cada companhia.
Em eventuais ofertas públicas de ações dessas empresas, a divisão de participações do BNDES também terá direito de adquirir até 15% das ações ofertadas.
Também foram divulgadas informações sobre um novo acordo de acionistas. Pelo acordo:
Vale destacar que o acordo não confere controle, nem controle conjunto à BNDESPar, mantendo o caráter minoritário e transitório da participação do banco de fomento nas empresas.
Na avaliação do BTG Pactual, a operação ocorre em um momento crucial para o grupo, ajudando a acelerar o processo de desalavancagem nos diferentes negócios.
"Apesar da diluição e dos descontos, os anúncios representam um passo essencial para resolver a estrutura de capital altamente alavancada do grupo", diz o BTG, que manteve recomendação de compra para a Simpar e para todas as subsidiárias listadas do grupo.
Segundo os analistas, a entrada do BNDES adiciona uma "nova camada de governança ao grupo e provavelmente confere um selo institucional positivo às empresas".
"Para a Simpar, o aporte relevante e a entrada de um novo parceiro forte são notícias positivas, ajudando a dissipar preocupações recentes sobre alavancagem", diz o banco.
Para o BTG, este aumento de capital representa um passo significativo na redução da alavancagem do grupo — um tipo de dívida que pesava nos resultados financeiros e também criava uma estrutura tributária ineficiente.
Além disso, os aumentos de capital nas subsidiárias, especialmente Vamos e Movida, devem acelerar ainda mais a criação de valor, complementando melhorias operacionais em curso, especialmente em um cenário de queda de juros, segundo os analistas.
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