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O Brent cotado acima de US$ 90 o barril ajuda no avanço dos papéis da companhia, mas o desempenho financeiro do quarto trimestre de 2025 agrada o mercado, que se debruça sobre o resultado
As ações da Petrobras já chegaram a subir mais de 6% nesta sexta-feira (6). O Brent, referência no mercado internacional, cotado acima de US$ 90 o barril ajuda, mas o desempenho financeiro da estatal no quarto trimestre de 2025 é o grande patrocinador da alta dos papéis desta vez.
E Magda Chambriard, CEO da petroleira, aproveitou o bom momento da companhia na bolsa para voltar a mandar um recado ao mercado: “quem apostar contra a Petrobras, vai perder”. Em novembro do ano passado, a executivo já havia dado a mesma declaração e você pode relembrar aqui.
Por volta de 12h25, as ações ordinárias PETR3 subiam 5,16%, cotadas a R$ 46,18, enquanto as preferenciais PETR4 avançavam 4,28%, cotadas a R$ 42,44. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,43%, aos 179.692,28 pontos.
O petróleo Brent, por sua vez, tinha alta de 6,79%, cotado a US$ 91,21. O WIT, referência para o mercado norte-americano, subia 9,50%, a US$ 88,84.
Chambriard disse que está acompanhando de perto o comportamento do mercado de petróleo na esteira dos conflitos no Oriente Médio.
“Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus acionistas e ao país no novo cenário do Brent que o contexto mundial está desenhando”, afirmou.
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A forte geração de caixa da estatal entre outubro e dezembro de 2025 é a estrela do balanço, que foi divulgado na noite anterior e você pode conferir os detalhes aqui.
Segundo o Itaú BBA, os resultados da companhia foram positivos, especialmente pela geração de caixa robusta, o que permitiu reduzir a alavancagem a 1,4 vez. O fluxo de caixa operacional da estatal veio 14% acima do previsto pelo banco.
Em relatório assinado por Monique Greco, o banco destaca que a Petrobras reportou um fluxo de caixa operacional de US$ 10,2 bilhões, impactado pelo alívio no capital de giro, impulsionado principalmente por uma melhora na linha de fornecimento durante o trimestre.
O desempenho ajudou a compensar os investimentos de US$ 6,6 bilhões, 3% superior às estimativas do banco, mas sem comprometer a distribuição de resultados.
O BTG Pactual, por sua vez, avalia que a Petrobras reportou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em grande parte em linha com o consenso, mas com um dividendo ligeiramente melhor do que o esperado.
A companhia reportou US$ 1,5 bilhão em dividendos, frente a US$ 1,3 bilhão esperados pelo consenso de mercado, segundo o banco.
Uma redução no capital de giro compensou em grande parte as saídas de caixa pontuais negativas no trimestre e proporcionou essa remuneração.
“Nossa visão é que os resultados do quarto trimestre da Petrobras foram relativamente sólidos, dado que os eventos pontuais foram compensados pela redução do capital de giro, mas ainda mostrando um perfil financeiro um tanto apertado”, escrevem os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.
Para eles, uma redução no capital de giro é improvável de se repetir no primeiro trimestre de 2026.
Embora as ações da Petrobras estejam em alta e o desempenho geral da estatal tenha agradado o mercado, um vilão conhecido dos investidores voltou a dar as caras no resultado do quatro trimestre de 2025: o capex (investimentos) acima do esperado.
O capex divulgado pela empresa, de US$ 6,5 bilhões no trimestre, veio 11% acima da projeção do Itaú BBA, por exemplo, o que segundo os analistas, pressiona o caixa no curto prazo.
“Reconhecemos que alguns investidores podem não receber bem o valor do capex. No entanto, isso não deve ser uma surpresa, pois reflete o ritmo acelerado de investimentos em plataformas do pré-sal que a empresa adotou e espera manter ao longo de 2026. Embora isso possa pressionar a geração de caixa no curto prazo, deve, por sua vez, destravar uma geração de caixa mais forte no médio prazo”, diz Greco.
A XP Investimentos chama atenção para o capex ter ficado cerca de US$ 500 milhões acima do esperado, compensado por uma liberação de cerca de US$ 1,5 bilhão no capital de giro principal, embora tenha sido parcialmente contrabalançado por cerca de US$ 900 milhões de consumo de caixa proveniente de outras variações nos ativos e passivos.
O analista Regis Cardoso pontua que, no geral, embora a geração de caixa e os dividendos tenham atingido as expectativas, a dinâmica do período pode aumentar as preocupações dos investidores para os próximos trimestres.
O BTG tem recomendação neutra para os ADRs da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15, o que representa potencial de valorização de 23,6% no comparativo com o fechamento anterior.
“Embora acreditemos que a Petrobras ofereça uma perspectiva sólida de médio prazo e possa se beneficiar de preços de petróleo mais altos — pelo menos no curto prazo — e eleições, permanecemos cautelosos em relação à ação, dado que oferece rendimentos limitados de Fluxo de Caixa Livre para o Acionista [FCFE, na sigla em inglês] e dividendos para 2026”, escrevem os analistas.
O BTG avalia ainda que os pagamentos de dividendos continuam acima do FCFE, e pontua que a dívida líquida da Petrobras continuou a aumentar no trimestre, chegando a US$ 60,6 bilhões, ante US$ 59 bilhões no trimestre anterior.
O Itaú BBA também tem recomendação outperform (equivalente à compra) para Petrobras, com preço-alvo de R$ 43 para a ação preferencial, o que representa um potencial de valorização de 6,2% ante o fechamento do papel no pregão anterior.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, diz que, se por um lado a dívida líquida aumentou 2,6%, deixando menos espaço para surpresas positivas com dividendos nos próximos trimestres, por outro lado, a forte alta do petróleo observada nos últimos dias será um vento favorável para a geração de caixa.
“Por 3,8x valor da firma/Ebitda e um dividend yield próximo de dois dígitos, a Petrobras segue com recomendação de compra”, disse Hungria.
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