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PARA ALÉM DO ROE

Quem realmente cria valor nos bancos? Itaú e Nubank disparam na frente em novo ranking — enquanto Banco do Brasil perde terreno

Quem realmente cria valor nos bancos? Itaú e Nubank disparam na frente em novo ranking — enquanto Banco do Brasil perde terreno, diz Safra

A corrida dos bancos, entre Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).
A corrida dos bancos, entre Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: Dall-E/ChatGPT

No setor financeiro, eficiência sempre foi sinônimo de ROE. Mas a métrica “queridinha” do mercado pode esconder uma parte importante da história de cada banco, na visão do Safra.  

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Para os analistas, quando o lucro passa a ser analisado em relação ao risco que cada banco carrega no balanço, a fotografia muda — e alguns vencedores aparecem com mais clareza. 

Segundo levantamento do Safra, o Itaú lidera com folga entre os grandes bancos brasileiros, enquanto o Nubank se consolida como o destaque entre os digitais. Já Banco do Brasil, Santander e XP enfrentam um momento mais pressionado na disputa por rentabilidade. 

A mudança vem do uso do RoRWA, indicador que relaciona o lucro líquido aos ativos ponderados pelo risco. Traduzindo: ele mostra quanto cada banco consegue ganhar para cada unidade de risco assumido no balanço.  

Itaú abre vantagem entre os bancões 

Entre os grandes bancos tradicionais, o Itaú Unibanco (ITUB4) segue no topo do ranking de retorno ajustado ao risco. 

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Segundo o Safra, essa liderança começou a se consolidar principalmente ao longo dos últimos dois anos, quando o banco promoveu um processo relevante de limpeza do balanço.  

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Entre 2023 e 2025, a instituição reduziu cerca de R$ 20 bilhões em ativos problemáticos, o que melhorou a qualidade da carteira e reduziu o consumo de capital regulatório. 

O impacto foi direto no indicador. Desde o segundo trimestre de 2024, o Itaú mantém o maior RoRWA entre os grandes bancos brasileiros, operando em um nível aproximadamente 40% acima da média dos incumbentes.  

Mesmo em um ambiente macroeconômico mais complexo — marcado por juros elevados e maior seletividade no crédito —, o banco conseguiu preservar disciplina na alocação de capital e eficiência operacional.  

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Bradesco (BBDC4) começa a reagir  

Embora o Itaú lidere a corrida, o Bradesco (BBDC4) aparece como um dos bancos que mais avançaram recentemente no indicador. 

De acordo com o Safra, a instituição registrou a expansão mais consistente do RoRWA entre os grandes bancos nos últimos trimestres, reflexo de mudanças graduais na estratégia de crédito. 

Parte dessa melhora vem da recomposição da carteira, com maior peso de operações com garantia e menor consumo de capital.  

Ao mesmo tempo, a relevância da operação de seguros ajuda a equilibrar o modelo de negócios, já que esse segmento exige menos ativos ponderados pelo risco para gerar receita. 

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O avanço ainda não coloca o Bradesco no mesmo patamar do Itaú em eficiência ajustada ao risco, mas indica que o banco começa a recuperar parte do terreno perdido nos últimos anos. 

Banco do Brasil (BBAS3) perde tração 

No Banco do Brasil (BBAS3), a trajetória recente foi na direção oposta. Segundo o Safra, a deterioração da carteira ligada ao agronegócio pressionou o indicador de retorno ajustado ao risco, interrompendo um ciclo de melhora que vinha sendo observado até o início de 2023. 

Com mais de R$ 100 bilhões em ativos problemáticos, o RoRWA do banco recuou para o menor nível desde 2017.  

O momento mais delicado do Santander  

Entre os grandes bancos privados, o Santander Brasil (SANB11) atravessa o que os analistas classificam como uma das fases mais desafiadoras de sua trajetória recente. 

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O aumento da participação de ativos problemáticos elevou a densidade de RWA dentro da exposição total do banco, um movimento que costuma anteceder pressões adicionais sobre a rentabilidade. 

Na prática, isso significa que uma parcela maior do balanço passou a carregar risco elevado — o que exige mais lucro para gerar o mesmo retorno ajustado ao risco. 

Para o Safra, esse cenário ajuda a explicar por que o Santander tem enfrentado mais dificuldade para acompanhar o ritmo de eficiência apresentado por alguns concorrentes. 

Nubank dispara entre os bancos digitais 

Se entre os bancões a liderança é do Itaú, no universo dos bancos digitais o destaque fica por conta do Nubank (ROXO34). 

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A fintech do cartão roxo ampliou sua vantagem sobre o Inter (INBR32) e consolidou uma posição dominante quando a análise leva em conta o retorno ajustado ao risco. 

Segundo o Safra, a forte expansão da lucratividade levou o RoRWA do Nubank para cerca de 10% no quarto trimestre de 2024 — um nível próximo ao pico histórico registrado pela XP em períodos de mercado particularmente favoráveis.  

O Inter também apresentou evolução relevante. O banco digital mais do que triplicou seu RoRWA nos últimos anos e se aproximou de patamares observados em instituições tradicionais como o Itaú. 

Mesmo assim, o Safra avalia que o teto estrutural de rentabilidade do Inter no longo prazo tende a ficar mais próximo dos incumbentes tradicionais do que do Nubank, o que limita o potencial de convergência entre os dois modelos. 

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XP perde eficiência enquanto BTG mantém vantagem 

No mercado de capitais, o indicador também ajuda a explicar mudanças no equilíbrio de forças. Desde 2021, a XP (XPBR31) registrou uma queda de quase 600 pontos-base em seu RoRWA.  

Segundo o Safra, parte desse movimento reflete mudanças no mix de receitas da companhia, com maior participação de negócios mais intensivos em capital — o que reduz o retorno ajustado ao risco.  

Embora um ambiente de mercado mais favorável possa ajudar na recuperação do indicador, os analistas avaliam que o diferencial estrutural entre XP e BTG diminuiu nos últimos anos. 

O BTG Pactual (BPAC11), por sua vez, manteve uma trajetória mais estável de RoRWA, apoiada por um modelo de negócios considerado mais resiliente em diferentes ciclos macroeconômicos. 

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Safra de olho na saúde da carteira dos bancos

O Safra também destaca uma tendência no setor bancário. Nos últimos cinco anos, a proporção de RWA de crédito em relação à carteira total vem caindo na maioria das instituições, especialmente em Itaú e Bradesco.  

Esse movimento reflete carteiras mais seguras e menor exposição a ativos problemáticos. 

O Santander aparece como a exceção. O aumento do peso desses ativos elevou a densidade de risco do balanço e reforçou algo que investidores conhecem bem: qualidade de crédito e rentabilidade caminham lado a lado. 

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