Cosan (CSAN3) pede registro para IPO da Compass, em meio à crise na Raízen (RAIZ4)
Pedido de registro envolve oferta secundária de ações da Compass e surge em meio à pressão financeira enfrentada pela Raízen

A Cosan (CSAN3) anunciou que realizou o pedido de registro para um IPO da Compass, uma de suas controladas do setor de gás e energia, segundo fato relevante divulgado na quinta-feira (5) pela noite. O pedido foi feito à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias.
O movimento acontece em meio a escalada na crise na Raízen (RAIZ4), sua joint venture com a Shell.
A companhia afirmou que os termos e condições da oferta ainda serão definidos pelo conselho de administração. Entre os pontos que permanecem em aberto, estão a quantidade de papéis a serem ofertados e o preço deles.
Segundo a empresa, a oferta está sujeita a uma série de condições, incluindo a concessão de registro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aprovações societárias e as condições dos mercados nacional e internacional.
No mesmo fato relevante, a Cosan informou ainda que a Compass protocolou pedido de migração do segmento de listagem básico para o Novo Mercado da B3, o mais alto nível de governança corporativa da bolsa brasileira.
Para assessorar a operação, foram contratadas oito instituições financeiras: BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, JP Morgan, Santander e XP Investimentos.
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Além da Comgás, maior distribuidora de gás natural do país localizada em São Paulo, a empresa tem participação em mais seis distribuidoras de gás. Segundo o site da empresa, são mais de 3 milhões de clientes conectados.
A Cosan tem 88% do capital da companhia. Um bloco de funtos da Atmos, Bradesco Vida e Previdência, BC Gestão de Recursos, Prisma Capital e Nucleo Capital também têm posições minoritárias.
O IPO da Compass e a crise severa na Raízen
O movimento ocorre poucas semanas depois de a Cosan informar ao mercado que estava avaliando a realização de um IPO da Compass, num momento de maior pressão sobre o grupo, em meio às dificuldades enfrentadas pela Raízen (RAIZ4) no setor de açúcar, etanol e combustíveis.
A fabricante de açúcar e álcool encerrou dezembro do ano passado com uma dívida colossal de mais de R$ 55 bilhões, além de desafios no próprio modelo de negócios. A fabricante de açúcar e etanol inclusive avalia pedir recuperação extrajudicial para encontrar saída para seus problemas financeiros.
A companhia afirmou que está analisando a proposta de uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões. A maior parte desse valor virá do grupo britânico Shell, que se comprometeu com uma injeção de R$ 3,5 bilhões. Outros R$ 500 milhões virão de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., ligada à família de Rubens Ometto Silveira de Mello, controlador da Cosan.
A Shell e a Cosan detêm cada uma 44% da Raízen. Inicialmente, a expectativa era de que a empresa de Ometto entrasse com um valor semelhante ao aportado pela Shell, o que acabou não indo para a frente.
Como os recursos de uma oferta secundária vão para os acionistas vendedores — e não para a empresa emissora — a expectativa é que eventuais valores obtidos poderiam ser direcionados para apoiar a reorganização financeira e lidar com o elevado endividamento da companhia.
O balanço da Compass no quarto trimestre de 2025
A plataforma de negócios de gás também divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025 na última noite. Entre outubro e dezembro, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 254,6 bilhões, uma queda de 66% em relação ao mesmo período de 2024. No compilado do ano, o lucro foi de R$ 1,46 bilhão, cerca de 31% a menos na comparação ano a ano.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), caiu 25% na base anual no trimestre, para R$ 1,15 bilhão. Em 2025, essa linha do balanço ficou em R$ 4,97 bilhões, perda de 1% frente a 2024.
Segundo a companhia, essas quedas são explicadas pelo efeito não recorrente da venda da participação na Norgás, em 2024.
A Compass encerrou os três últimos meses do ano com mais de 3 milhões de clientes, um avanço de 6% em relação ao mesmo período de 2024. No intervalo, a companhia também ampliou em 3% a extensão de sua rede, que passou a somar quase 28 mil quilômetros.
O volume distribuído foi de 14,7 MMm³/d, aumento de 4%, destaque para o crescimento residencial de 13%. A variação foi positiva no comercial e industrial impactados pela consolidação da Compagas, porém com queda no setor automotivo.
A alavancagem atingiu 2,2 vezes dívida líquida sobre Ebtida, sendo 87% dos financiamentos com vencimento no longo prazo. A dívida líquida encerrou dezembro em R$ 10,4 bilhões, 6% maior do que no fim de 2024.
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