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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

DÉBITO OU CRÉDITO

Como a Cielo (CIEL3) pode se aproveitar do crédito caro e escasso para avançar na guerra das maquininhas

Com menos opções de financiamento, as empresas devem recorrer mais às linhas que a Cielo oferece a quem faz vendas no cartão de crédito; entenda

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
6 de março de 2023
12:32 - atualizado às 12:12
Cielo maquininha LIO NFC
Maquininha da Cielo - Imagem: Divulgação

A alta da taxa básica de juros (Selic) está longe de ser uma boa notícia para a economia e para as empresas na bolsa. Mas, como costuma acontecer, algumas empresas navegam melhor em tempos mais bicudos. E esse deve ser o caso da Cielo (CIEL3).

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A empresa de maquininhas de cartão é uma das que deve se beneficiar do cenário de crédito mais caro e escasso, de acordo com os analistas do Santander.

Isso porque a Cielo em muitos casos pode se tornar a única opção para quem estiver em busca de dinheiro para o seu negócio.

Enquanto os bancos seguram os empréstimos corporativos para conter a alta da inadimplência, as empresas devem recorrer mais ao chamado pré-pagamento, quando antecipam o dinheiro que têm a receber das vendas nos cartões de crédito, com uma taxa de desconto. E a Cielo está justamente entre as empresas que oferecem essa linha.

“Acreditamos que os adquirentes [empresas de maquininhas] desempenharão um papel fundamental no financiamento com seus negócios de pré-pagamento, potencialmente aumentando os volumes e, portanto, aumentando seus resultados”, escreveram os analistas do Santander, em relatório.

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"Paitrocínio" ajuda

Embora esse cenário favoreça o setor de maquininhas como um todo, as empresas que têm grandes bancos como sócios devem se dar melhor do que as independentes, de acordo com o Santander.

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Nesse contexto, a Cielo, conta com um "paitrocínio" de peso, já que têm o Bradesco e Banco do Brasil como controladores. Ou seja, o dinheiro dos sócios em tese oferece funding ilimitado para a companhia.

Ter mais dinheiro disponível para antecipar aos clientes pode ser uma arma para a Cielo avançar na "guerra das maquininhas", ainda de acordo com os analistas.

Isso significa que as novas empresas que entraram nesse mercado nos últimos anos podem perder terreno se não tiverem recursos para atender à demanda pelas linhas de pré-pagamento.

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Além da Cielo, Rede (Itaú) e Getnet (Santander) são ligadas a grandes bancos. Já Stone e PagSeguro estão entre as empresas independentes e que, portanto, precisam captar recursos no mercado para oferecer suas linhas de crédito.

Cielo: ações CIEL3 são destaque de alta

A entrada dos novos concorrentes no mercado de maquininhas de cartão nos últimos anos deixou cicatrizes profundas na Cielo. As ações da empresa (CIEL3), que chegaram a valer mais de R$ 30, chegaram a valer pouco mais de R$ 2 nas mínimas.

Mas quem acreditou na companhia no pior momento tem motivos para comemorar. Nos últimos 12 meses, os papéis da Cielo acumulam valorização de quase 120%. Em 2022, a empresa registrou a maior alta entre as que fazem parte do Ibovespa, o principal índice da B3.

Por fim, no pregão desta segunda-feira, CIEL3 operava em alta de 1,42% por volta das 12h, a R$ 5,00.

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